Editor: Quetzal Editores, março de 2011 ‧
Manuel Galeano - que sempre tivera "o contrabando no sangue" - sumiu antes do segundo encontro. Inesperadamente, como cruzara o caminho do seu velho conhecido em Amesterdão. O primeiro encontro, seguido de uma conversa saborosa no bar de um hotel, cheia de memórias de juventude e de algumas confidências do presente, é o ponto de partida para uma longa evocação e uma viagem sentimental: da história do tráfico entre o Minho e a Galiza - tráfico de cigarros, uísque, barras de ouro, gado e café e mais recentemente de narcóticos - e os seus protagonistas - Diogo Romano, El Min, Sito Miñano, o Pardal, o Pepe, Mustafé e o Laurestim-, que durante décadas enformaram o imaginário pícaro local; e a viagem de revisitação que o autor deste livro faz aos lugares da infância e da primeira idade adulta.
La Coca é também uma investigação literária - que se materializa neste livro - e um pequeno tratado dos mecanismos da memória.
Um romance breve, profundamente irónico e terno. E a escrita clara, brilhante, de Rentes de Carvalho.

«Presumo que seja essa a “moral” do livro: ninguém sabe como raio criamos as nossas memórias. Talvez sejam histórias que contamos a nós mesmos para justificarmos como andamos no mundo. Talvez sejam uma zona de conforto, uma almofada para tornar o leito da morte mais suave. E talvez seja aquilo a que se costuma chamar um livro de velho, aquele tipo de literatura que um escritor só produz (com brevidade e urgência macerada) quando já viu ou pensou muito.
[…] Mas ao contrário do que é habitual na literatura de velho, aqui não se cai na amargura. O que em si, e já descontando o serviço que presta à pátria ao tão bem narrá-la, faz de La Coca um pequeno milagre.»
João Bonifácio, Público

«La Coca é para o Alto Minho aquilo que A Amante Holandesa é para Trás-os-Montes, ou seja, estamos perante um fresco social e histórico que põe em causa a narrativa dos brancos costumes. […] La Coca é, portanto, o retrato do abismo entre a falsa brandura e a bruteza real dos portugueses, entre a beleza tranquila da paisagem e a violência que corre nas veias das nossas gentes.»
Henrique Raposo, LER 104

«Graças ao empenho da Quetzal, abre-se agora um tempo em que Portugal pode começar a descobrir a obra de J. Rentes de Carvalho.»
Público

«A elegância do estilo, a força da ironia, o poder de em poucas palavras desenhar uma personagem - com essa perícia, J. Rentes de Carvalho empresta aos acontecimentos um carácter assustador e inesquecível.»
Vrij Nederland

«Uma linguagem que decide sugerir e propor, em vez de explicar e impor.»
José Saramago

La Coca

de J. Rentes de Carvalho

Propriedade Descrição
ISBN: 9789725649169
Editor: Quetzal Editores
Data de Lançamento: março de 2011
Idioma: Português
Dimensões: 149 x 234 x 14 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 188
Tipo de produto: Livro
Coleção: Língua Comum
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789725649169

La Coca

Rui Pinto

Quanto mais leio Rentes de Carvalho, mais me vai interessando a sua obra literária. É sem dúvida uma leitura excelente: com muita elegância e ironia, neste livro, o autor conta-nos uma viagem autobiográfica, onde se patenteia algum sentimentalismo. Em cada uma das personagens, é bem assinalado o caráter e a personalidade de cada uma, de modo a fornecer ao leitor o máximo de veracidade num contexto de contrabando. Recomendo a leitura.

Nostalgia

H

Entre o Minho e a Galiza costumava haver tráfico de droga, e é precisamente neste espaço geográfico que a acção do livro decorre. Como ponto de partida temos um homem que viaja de Amesterdão ao Minho para fazer uma reportagem de investigação sobre o tráfico clandestino de drogas e de outros artigos na época actual, recorrendo para isso ao reencontro de personagens do seu passado.

SOBRE O AUTOR

J. Rentes de Carvalho

De ascendência transmontana, J. Rentes de Carvalho nasceu em 1930, em Vila Nova de Gaia, onde viveu até 1945. Obrigado a abandonar o país por motivos políticos, viveu no Rio de Janeiro, em São Paulo, Nova Iorque e Paris, trabalhando para jornais como O Estado de São Paulo, O Globo e o Expresso. Em 1956 passou a viver em Amesterdão, onde se licenciou (com uma tese sobre Raul Brandão) e foi docente de Literatura Portuguesa entre 1964 e 1988. Dedica-se desde então exclusivamente à escrita e a uma vasta colaboração em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, além de várias revistas literárias. Escreveu romances, contos, diário, crónica, e guias de viagem ou ensaios. Vive entre Amesterdão e Estevais (Mogadouro), metade do ano em cada sítio.

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