10% de desconto

Know My Name

A Memoir

de Chanel Miller
idioma: inglês
Editor: Penguin Publishing Group, agosto de 2020 ‧
25,69€
10% DESCONTO CARTÃO
portes grátis
Venda o seu livro
Ilustrac¸a~o_Chanel Miller 640.png

Chanel Miller: a história de como a literatura venceu o sistema

Este é o Meu Nome nasceu da superação de um momento tenebroso, na vida de uma pessoa extraordinária: Chanel Miller – escritora, ilustradora, sobrevivente. Quando, por volta da meia-noite do dia 17 de janeiro de 2015, foi agredida sexualmente enquanto estava inconsciente no chão, atrás de um caixote do lixo, não imaginava o impacto avassalador que esse acontecimento iria ter na sua vida. Tinha 22 anos, era uma recém-licenciada que trabalhava no seu primeiro emprego, e vivia com os pais em Palo Alto, Califórnia. O ataque que sofreu, em pleno campus da Universidade de Stanford, poderia ter tido consequências mais graves se dois estudantes suecos não tivessem interrompido e imobilizado o agressor – Brock Turner, um estudante de 19 anos. Às primeiras horas da manhã, Chanel estava num hospital a ser submetida a exames por médicos da polícia, e Turner estava detido – embora saísse no dia seguinte, após pagar uma fiança de 150 mil dólares.

Após o ataque, a vida de Chanel dividiu-se em duas. Para a maioria dos seus amigos e familiares, continuava a ser Chanel, embora numa versão mais pálida da mulher que conheciam. No sistema jurídico, ela era agora Emily Doe, o pseudónimo da «vítima de agressão sexual de Brock Turner». Com o seu mundo a desabar, Chanel decidiu reclamar a sua vida e enfrentar um processo em tribunal, que lhe levou mais de um ano e meio da sua vida, durante o qual foi minuciosamente perscrutada com interrogatórios que pareciam destinados a julgá-la, em vez de se centrarem no perpetrador – cujas proezas enquanto nadador de competição foram usadas como atenuantes do crime que cometera.   A “DECLARAÇÃO DE IMPACTO” QUE MUDOU TUDO Mas neste julgamento houve algo inédito. Para fundamentar a decisão do juiz, a procuradoria-geral pediu a Chanel que escrevesse uma “declaração de impacto”, um documento em que expressasse o que pensou e sentiu durante o processo do tribunal. Para Chanel, esta foi uma oportunidade de ouro para se fazer ouvir, na primeira pessoa. Afinal, tinha-se licenciado em literatura, o que correspondeu basicamente, como declarou ao programa 60 Minutes, «a 4 anos a falar sobre os seus sentimentos e a ler sobre os sentimentos de outras pessoas». Além disso, nas suas veias corre o talento para a escrita (herdado da mãe escritora) e uma sensibilidade incomum para analisar sentimentos (legado do pai, psicoterapeuta), aliados à força que obtém de uma família realmente unida. Numa só noite, compilou as notas que foi tirando durante o julgamento numa narrativa na primeira pessoa, dirigida, diretamente ao seu atacante, na audição para a sentença deste.
Ao longo de 12 páginas, Miller contou, com uma precisão espantosa, a experiência de ser sexualmente agredida por um homem por quem o sistema legal tinha mais simpatia do que por ela, a sua vítima. Momento a momento, somos transportados para os pensamentos, diálogos e pessoas com que interagiu desde o crime. Reproduzimos, no final deste artigo, um excerto da declaração, para que perceba a força arrasadora das palavras de Milller

Turner foi considerado culpado por agressão sexual com intenção de violação, em junho de 2016, mas a sua pena foi apenas de 6 meses – ou 90 dias, com bom comportamento, porque uma pena mais longa poderia ter um «impacto severo nele». Como?!... O mundo de Chanel desabou. A justiça falhara-lhe. Então, decidiu autorizar o site BuzzFeed a divulgar a sua declaração, e o impacto foi estrondoso: o texto tornou-se viral e chegou, em alguns dias, a mais de 18 milhões de pessoas. Depois, foi lido em telejornais, no Congresso dos EUA e por pessoas nas redes sociais por todo o mundo. No dia seguinte à publicação, Chanel começou a receber cartas de vítimas que sentiram coragem para partilharem, pela primeira vez, as suas próprias experiências de agressão.
O que aconteceu a seguir foi ainda mais surpreendente. O testemunho de Miller inspirou alterações na lei da Califórnia, tornando obrigatória a prisão efetiva de pessoas condenadas de atacar uma pessoa inconsciente ou intoxicada, expandindo a definição de violação. E o juiz responsável pelo processo foi afastado do caso, uma medida muito rara. O poder da literatura tinha vencido o sistema. Capa do Audiolivro Know My Name, na edição em inglês A declaração de Chanel foi a semente de um livro brilhante, uma obra que transcende o livro de memórias e se afirma como literatura …. Três anos depois do seu testemunho viral, Chanel decidiu revelar o seu verdadeiro nome, e escreveu um livro de memórias com um título no imperativo (no original em inglês): Know My Name, traduzido para Este é o Meu Nome, na edição portuguesa. Nele, revela a sua profunda autoconsciência e capacidade de transportar o leitor para o seu mundo interior, articulando-o com as suas experiências externas. O livro de memórias detalha não só a agressão, mas também as difíceis consequências: o processo judicial invasivo, o escrutínio público e o custo emocional de navegar num sistema judicial que é frequentemente indiferente ao trauma dos sobreviventes. Não se centra nas mulheres como vítimas, mas sim no papel da vítima humana, seja de que género ou classe for. Coragem, sobrevivência e busca incessante de justiça foram os ímpetos que moveram Chanel Miller durante a sua recuperação, cuja complexidade quis descrever de forma realista. O livro venceu o National Book Critics Circle Award, entre outros, e tornou-se de imediato um bestseller do New York Times. Impressiona, e é ao mesmo tempo fortalecedor, ouvir também a versão em audiolivro desta obra, lido pela própria autora.

Como tínhamos dito no início deste artigo, Chanel é também ilustradora e conta que, enquanto escrevia Este é o Meu Nome, estava constantemente a desenhar como forma de deixar a sua mente respirar, de se lembrar que a vida é divertida e imaginativa. «Quando a sociedade nutre em vez de culpar, escrevem-se livros, faz-se arte e o mundo fica um pouco melhor por isso», disse. Esta é a animação que criou, como forma de apoio e luz de esperança dirigida a todas as vítimas:

I Am With You, de Chanel Miller EXCERTO DA “DECLARAÇÃO DE IMPACTO DE VÍTIMA”, DE CHANEL MILLER

«Não me conheces, mas estiveste dentro de mim, e é por isso que estamos aqui hoje.

A 17 de janeiro de 2015, passei uma noite tranquila de sábado em casa. O meu pai fez o jantar e eu sentei-me à mesa com a minha irmã mais nova, que estava de visita nesse fim de semana. Eu trabalhava a tempo inteiro e estava quase hora de me ir deitar. Tencionava ficar em casa sozinha, a ver televisão e a ler, enquanto ela ia a uma festa com as amigas. Depois, decidi que era a minha única noite com ela, não tinha nada melhor para fazer, por isso, porque não (…). Fiz caras palermas, baixei a guarda e bebi álcool demasiado depressa, sem ter em conta que a minha tolerância tinha diminuído significativamente desde a universidade.
A coisa seguinte de que me lembro é de estar numa maca, num corredor. Tinha sangue seco e ligaduras nas costas das mãos e no cotovelo. Pensei que talvez tivesse caído e estivesse num gabinete administrativo do campus. Estava muito calma e perguntava-me onde estaria a minha irmã. Um agente explicou-me que eu tinha sido agredida. Continuei calma, com a certeza de que ele estava a falar com a pessoa errada. Não conhecia ninguém naquela festa. Quando finalmente me deixaram ir à casa de banho, baixei as calças do hospital que me tinham dado, ia baixar as cuecas e não senti nada. Ainda me lembro da sensação das minhas mãos a tocarem na minha pele e a não agarrarem nada. Olhei para baixo e não havia nada. (…) Ainda não tenho palavras para aquela sensação. Para continuar a respirar, pensei que talvez os polícias tivessem usado uma tesoura para as cortar para servirem de prova.
Depois, senti agulhas de pinheiro a arranharem-me a nuca e comecei a arrancá-las do meu cabelo. Pensei que talvez as agulhas de pinheiro tivessem caído de uma árvore na minha cabeça. O meu cérebro estava as minhas entranhas a não colapsarem. Porque as minhas entranhas diziam: ajudem-me. (…) Pediram-me para assinar papéis que diziam «Vítima de violação» e pensei que tinha acontecido mesmo alguma coisa. Confiscaram-me a roupa e fiquei nua enquanto as enfermeiras apontavam com uma régua para várias escoriações do meu corpo e as fotografavam.
Após algumas horas disto, deixaram-me tomar um duche. Fiquei ali a examinar o meu corpo sob a corrente de água e decidi: não quero mais o meu corpo. Estava aterrorizada com ele, não sabia o que tinha estado nele, se tinha sido contaminado, quem lhe tinha tocado. Queria despir o meu corpo como se fosse um casaco e deixá-lo no hospital com tudo o resto.
Nessa manhã, tudo o que me disseram foi que tinha sido encontrada atrás de um contentor do lixo, potencialmente penetrada por um estranho, e que devia voltar a fazer o teste do VIH porque os resultados nem sempre aparecem imediatamente. Mas, por agora, devia ir para casa e voltar à minha vida normal. Imagina voltar ao mundo apenas com essa informação. Deram-me abraços enormes e eu saí do hospital para o parque de estacionamento com a camisola e as calças de fato de treino novas que me deram, pois só me tinham deixado ficar com o colar e os sapatos.
Um dia, estava no trabalho, a ver as notícias no meu telemóvel, e deparei-me com um artigo. Nele, li e soube, pela primeira vez, que tinha sido encontrada inconsciente, com o cabelo despenteado, um longo colar enrolado no pescoço, o sutiã arrancado do vestido, o vestido arrancado dos ombros e puxado acima da cintura, que estava nua até às botas, com as pernas abertas e que tinha sido penetrada por um objeto estranho por alguém que não reconheci. Foi assim que soube o que me tinha acontecido, sentado na minha secretária a ler as notícias no trabalho. Soube o que me tinha acontecido ao mesmo tempo que toda a gente no mundo soube o que me tinha acontecido. (…) Quando li sobre mim desta forma, disse: "Não posso ser eu, não posso ser eu". Não conseguia digerir nem aceitar nenhuma destas informações. Não conseguia imaginar a minha família a ter de ler isto na Internet. Continuei a ler. No parágrafo seguinte, li algo que nunca perdoarei; li que, segundo ele, eu tinha gostado. Eu tinha gostado. Mais uma vez, não tenho palavras para estes sentimentos.»

Know My Name

A Memoir

de Chanel Miller

Propriedade Descrição
ISBN: 9780735223721
Editor: Penguin Publishing Group
Data de Lançamento: agosto de 2020
Idioma: Inglês
Dimensões: 138 x 214 x 19 mm
Encadernação: Capa mole
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Inglês > Outros
EAN: 9780735223721

Notável

Isabel Pinho

Chanel Miller, de forma emocionante e crua, revive a sua experiência traumática e denuncia o quão moroso, frustrante e doloroso é um processo judicial para uma vítima de violência sexual e respetiva família. É incrível a sua capacidade de síntese e articulação de memórias, sentimentos e experiência e por essa razão é uma leitura memorável, que denuncia uma realidade muitas vezes ignorada.

SOBRE O AUTOR

Chanel Miller

Chanel Miller é escritora e artista, formada em Literatura pela Universidade da Califórnia. O seu livro de memórias, Este é o Meu Nome, foi bestseller do The New York Times e vencedor do National Book Critics Circle Award, do Dayton Literary Peace Prize, do Ridenhour Book Prize e do California Book Award. Foi também considerado o melhor livro do ano pela Time, The Washington Post, Chicago Tribune, NPR, People, entre outros. A autora foi distinguida como uma das Forbes 30 Under 30 e como uma das cem personalidades em ascensão da lista da revista Times.

(ver mais)

DO MESMO AUTOR

QUEM COMPROU TAMBÉM COMPROU