Jacinto e o Percurso de Auto-Descoberta em A Cidade e As Serras

Jacinto e o Percurso de Auto-descoberta em a Cidade e as Serras

de Cristina Bernardes
Editor: Papiro Editora, outubro de 2009 ‧

Por uma empatia muito especial; percorri viagens nos romances e contos de Eça de Queiroz, não só em busca de prazer, mas principalmente em busca de algo que me despertasse uma curiosidade muito especial. Desta maneira, iniciei uma longa caminhada sempre na companhia de personagens marcantes da obra queirosiana.
Naveguei com Teodorico até à cidade Santa, Jerusalém, em busca de A Relíquia para a sua querida Titi. Enjoei nos paquetes com Teodoro até à China em O Mandarim. Emocionei-me com os amores trágicos que envolveram o Padre Amaro e Amélia em O Crime do Padre Amaro, Luísa e Basílio em O Primo Basílio, Carlos Eduardo e Maria Eduarda em Os Maias, Vítor e Genoveva em A Tragédia da Rua das Flores. Visitei A Capital com Artur. Entediei-me na cidade de Paris, percorri as serras de Tormes e redescobri o riso com Jacinto em A Cidade e As Serras. Descobri a Torre de Gonçalo em A Ilustre Casa de Ramires. Sonhei e viajei em Os Contos, e por fim, descansei em “Um dia de chuva”.

Com estas leituras, o meu apreço pela escrita deste autor do século XIX cresceu e foi assim que a minha peregrinação à descoberta de uma simples palavra como o “bocejo” se iniciou.
No Grande Dicionário de Língua Portuguesa encontramos o seguinte significado para a palavra “bocejo”: “abrir a boca involuntariamente como sucede ao que tem sono, tédio ou aborrecimento, ou está muito farto de comida”1; é uma necessidade fisiológica como outra qualquer, mas é principalmente, um acto inteligente2 de libertar as tensões associadas à fome, à sede, à doença, ao sono e ao que mais nos interessa, ao mal-estar inerente ao tédio e ao aborrecimento. Na verdade, o acto de bocejar pode parecer irrelevante aos olhos de muitos, todavia através de uma reflexão mais profunda, descobre-se que é analisando “quem boceja”, “como se boceja” e “o porquê do bocejo” que se percebe a facilidade como Eça trabalha a escrita, construindo de forma subtil um ambiente, uma atmosfera, uma imagem: o retrato de uma sociedade.
O levantamento do substantivo “bocejo” e dos seus derivados, tais como o verbo bocejar nas suas diversas formas, serve então de embrião para este trabalho.

Jacinto e o Percurso de Auto-Descoberta em A Cidade e As Serras

Jacinto e o Percurso de Auto-descoberta em a Cidade e as Serras

de Cristina Bernardes

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896364045
Editor: Papiro Editora
Data de Lançamento: outubro de 2009
Idioma: Português
Dimensões: 147 x 228 x 17 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 128
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Leituras Orientadas
EAN: 9789896364045