Já Sei Falar de Emoções
SINOPSE
Aos doze anos, sofre com as consequências de uma infeção viral. Quando volta à escola depois da infeção, assiste a um atropelamento mortal. Mais tarde, no décimo segundo ano, conhece uma mulher: a sua colega Madalena. A amiga germina nele duas dádivas: a paixão pelo ensino universitário e o autoconhecimento, que lhe permite lidar com as dificuldades mais eficazmente. A cidade de Coimbra batiza o namoro entre ambos. Ricardo identifica a disciplina de matemática como Arte, mas, por insegurança, segue o curso de gestão.
Na universidade, conhece Isabel e Elizabete. Estabelece, com ambas, uma relação de cumplicidade e de proximidade. Com Isabel, estabelece um vínculo muito forte e uma ponte muito capaz para uma conexão emocional profunda, que o faz conseguir falar, pela primeira vez, da morte de Madalena. Contudo, as dificuldades de verbalizar as emoções tornam a comunicação pouca percetível e as amigas distanciam-se de forma progressiva. Após o término do curso em gestão, Ricardo pode finalmente estudar Matemática.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789899308541 |
| Editor: | Oficina da Escrita |
| Data de Lançamento: | abril de 2026 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 149 x 233 x 14 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 214 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Biografias
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| EAN: | 9789899308541 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Sensível, humano e fácil de ler
Carla Ferraz
Ao longo da história, vamos acompanhando o crescimento do Ricardo e percebemos como a dificuldade em expressar emoções pode influenciar praticamente todas as áreas da vida. O que mais me marcou foi perceber que o protagonista não é uma pessoa fria nem indiferente. Pelo contrário, sente muito, mas tem dificuldade em mostrar aquilo que vai dentro dele. Isso faz com que algumas pessoas o interpretem mal, o que torna a sua caminhada ainda mais complicada. Achei interessante a forma como o livro sugere que essa dificuldade pode estar relacionada com traços de autismo ligeiro e alexitimia, sem nunca fazer disso o centro da história. Outro aspeto que achei muito forte foi a forma como o autor retrata o trauma e o luto. O atropelamento que Ricardo presencia na adolescência e, mais tarde, a perda de Madalena acabam por deixar marcas profundas na sua vida. É fácil perceber como estas experiências moldam a sua personalidade e explicam parte das suas dificuldades em confiar e falar sobre o que sente. Gostei também da evolução da personagem. A entrada de Madalena na sua vida representa muito mais do que um namoro. É através dela que Ricardo começa a descobrir quem realmente é, desperta o interesse pelo ensino universitário e ganha coragem para refletir sobre o seu futuro. Apesar disso, a insegurança leva-o a escolher Gestão em vez de Matemática, mesmo sabendo que a Matemática era aquilo que verdadeiramente o apaixonava. Achei esta parte bastante realista, porque muitas pessoas acabam por fazer escolhas influenciadas pelo medo de falhar. As amizades que cria na universidade, sobretudo com Isabel, também têm um papel importante. Foi graças a essa relação de confiança que conseguiu, pela primeira vez, falar da morte de Madalena. No entanto, as dificuldades em comunicar acabaram por afastar pessoas que lhe eram importantes, mostrando que sentir não é suficiente quando não conseguimos transmitir o que sentimos. No final, gostei da mensagem que o livro transmite. Apesar dos obstáculos, Ricardo acaba por seguir o seu verdadeiro sonho e estudar Matemática, mostrando que nunca é tarde para escolher o caminho que realmente faz sentido para nós. Para mim, esta foi a prova de que o autoconhecimento e a aceitação das nossas fragilidades podem fazer toda a diferença.