Hiper-Real[ismo] Milenar
O cinema ciborgue à beira do ano 2000
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Edições Colibri, fevereiro de 2020 ‧
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SINOPSE
Entre 1998 e 1999, cinco filmes de ficção científica oriundos da América do Norte - Dark City, The Truman Show, eXistenZ, The Matrix e The Thirteenth Floor - denotaram uma unidade estético-temática que reclama uma conceptualização e uma análise à luz retrospectiva dos olhos de hoje. Através da formulação hiper-real(ismo) milenar para efectivar essa constelação artística, numa oscilação entre teoria e análise, procura-se aqui explorar os imensos pontos de contacto que convertem as cinco obras num quinteto. Hiper-real(ismo), desde logo porque, tal como na corrente artística homónima pinturas e esculturas de alta resolução (muitas vezes mediante computadores e subjacente digitalidade) parecem ter referente real (conforme uma fotografia analógica), estes filmes jogam com simulações da realidade dentro da narrativa. Milenar, porquanto a passagem de 1999 para 2000 situa as fitas numa época de paranoia, profecias apocalípticas (da informática à religião e à ecologia) associadas à mudança de milénio.
No hiper-real(ismo) milenar, arauto de um cinema ciborgue, a nostalgia do rolo de celulóide e a emergência do digital coexistem numa imagem compósita, quer na produção, quer explícita ou implicitamente na narrativa. Por conseguinte, as cinco obras em consideração alicerçam-se em dimensões nunca menos que duplas, regressam a passados cinematográficos nervosos como o expressionismo alemão dos anos 20 de Weimar e o film noir americano dos anos 40/50 persecutórios do comunismo. Fazem-no num limbo futurofóbico, entre o escapismo que condena tudo a uma profecia auto-realizável e a resistência que penetra no medo pelo qual recusa ser determinada. É essa (in)consciência histórica, passando pelas noções de hiper-realidade de Jean Baudrillard e Umberto Eco e pelo surgimento do processador de texto, que importa também desenvolver. Sob vários ângulos e temas, um conjunto de falsas disjunções (... ou antonímias sinonímicas?) serve de instrumento para orbitar à volta dos cinco filmes.
Gorado o projecto expansionista ou interestelar de um dia vivermos felizes para sempre na Disneyland, a ficção científica simulatória dos anos 90 introduz uma roda passado -presente-futuro e quebra a homogeneidade do espaço-tempo em dissonâncias cognitivas. Daí que a utopia remonte às ensolaradas e pueris memórias perdidas da Shell Beach de Dark City, daí que a mãe-natureza se conceba na viscerosa biomecânica dos game-pods de eXistenZ. Nesse nexo baudrilliano, a mediocridade dos dias reais, a banalidade de um ontem sem alta tecnologia ubíqua são feitas paraíso trágico que já não há como resgatar.
No hiper-real(ismo) milenar, arauto de um cinema ciborgue, a nostalgia do rolo de celulóide e a emergência do digital coexistem numa imagem compósita, quer na produção, quer explícita ou implicitamente na narrativa. Por conseguinte, as cinco obras em consideração alicerçam-se em dimensões nunca menos que duplas, regressam a passados cinematográficos nervosos como o expressionismo alemão dos anos 20 de Weimar e o film noir americano dos anos 40/50 persecutórios do comunismo. Fazem-no num limbo futurofóbico, entre o escapismo que condena tudo a uma profecia auto-realizável e a resistência que penetra no medo pelo qual recusa ser determinada. É essa (in)consciência histórica, passando pelas noções de hiper-realidade de Jean Baudrillard e Umberto Eco e pelo surgimento do processador de texto, que importa também desenvolver. Sob vários ângulos e temas, um conjunto de falsas disjunções (... ou antonímias sinonímicas?) serve de instrumento para orbitar à volta dos cinco filmes.
Gorado o projecto expansionista ou interestelar de um dia vivermos felizes para sempre na Disneyland, a ficção científica simulatória dos anos 90 introduz uma roda passado -presente-futuro e quebra a homogeneidade do espaço-tempo em dissonâncias cognitivas. Daí que a utopia remonte às ensolaradas e pueris memórias perdidas da Shell Beach de Dark City, daí que a mãe-natureza se conceba na viscerosa biomecânica dos game-pods de eXistenZ. Nesse nexo baudrilliano, a mediocridade dos dias reais, a banalidade de um ontem sem alta tecnologia ubíqua são feitas paraíso trágico que já não há como resgatar.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789896899363 |
| Editor: | Edições Colibri |
| Data de Lançamento: | fevereiro de 2020 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 156 x 228 x 11 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 186 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Coleção: | Fotografia & Cinema |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Arte
>
Cinema
|
| EAN: | 9789896899363 |
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