Grand Herbier D’Ombres

de Lourdes Castro
idioma: português, inglês
Editor: Documenta, dezembro de 2020 ‧
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«É por isso que agora aproximei do nariz as sombras de Lourdes Castro que possuem uma presença viva e misteriosa capaz de fazer crescer mágicos pensamentos a quem os olha.»
[Tonino Guerra]

«Começava a nevar em Pennabilli e eu detinha o olhar na neve que caía sobre as amendoeiras, em redor da casa, quando me chegou o Grand herbier d’ombres. É um livro com as sombras de muitas ervas do campo, da pintora Lourdes Castro, grande artista portuguesa que reproduz sombras de pessoas ou de outras formas de vida. Olhava eu, assim, os bordados da neve e logo depois as páginas do livro. Num determinado momento, no branco do vale, vi manchas escuras que subiam da minha memória. Eram as sombras que passavam pelo tecto do meu quarto no dia do regresso da prisão, na Alemanha, e eu, naqueles reflexos, procurava reconhecer os meus conterrâneos. Depois vi o vale, além da janela, atravessado pela grande sombra do obelisco da Praça de S. Pedro, num dia de Agosto, quando Roma me apareceu deserta. E no entanto, os turistas estavam à fresca, na sombra daquele obelisco se apinhavam.
De repente, pensei nos belos dias de Agosto com Andrei Tarkovski quando trabalhávamos no filme Nostalgia, em Bagno Vignoni. A pequena aldeia toscana tem, na praça, um lago de água quente criando nuvens de vapor que enevoam, qual mundo medieval. É nestas águas que Catarina de Siena banhava seu corpo e as palavras de sua oração. Uma manhã entrámos na pequena igreja, na margem da rua que contorna o grande lago. Sentámo-nos sobre um banco de madeira para gozar aquele silêncio abandonado. Descobrimos que o feixe de luz matutina proveniente de uma janela alta estampava sobre a parede interior, junto de nós, uma pequena planta selvática crescida sobre o terriço trazido pelo vento, sob o pequeno vitral. Uma sarça de sombras incertas que se tornava decoração naquele reboco gessoso e humilde. Eu e Andrei permanecemos por algum tempo contemplando estas imagens trémulas que nos traziam reflexões profundas. A um certo ponto pareceu-nos sentir no ar um perfume de menta. Levantámo-nos de imediato para descobrir aquela imagem sobre o muro e perceber se a fragrância vinha daquela sombra. Assim era.
É por isso que agora aproximei do nariz as sombras de Lourdes Castro que possuem uma presença viva e misteriosa capaz de fazer crescer mágicos pensamentos a quem os olha.»
[Tonino Guerra – tradução de Mário Rui de Oliveira]

Grand Herbier D’Ombres

de Lourdes Castro

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899006546
Editor: Documenta
Data de Lançamento: dezembro de 2020
Idioma: Português, Inglês
Dimensões: 222 x 286 x 24 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 224
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Arte > Artes em Geral
Livros em Inglês > Arte > Artes em Geral
EAN: 9789899006546

SOBRE O AUTOR

Lourdes Castro

Artista plástica portuguesa, nasceu a 9 de dezembro de 1930, no Funchal, ilha da Madeira. Frequentou aí a Escola Alemã na década de 1930. Concluiu o curso na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa em 1956. Expôs individualmente pela primeira vez em 1955, no Funchal, participando também em algumas exposições coletivas em Lisboa. Parte para Munique em 1957, e pouco depois instala-se em Paris, com René Bertholo. Em 1958, juntamente com René Bertholo, Costa Pinheiro, João Vieira, José Escada, Gonçalo Duarte, Jan Voss e Christo, funda o grupo KWY. Regressou ao Funchal em 1983, onde reside atualmente.

Algumas exposições individuais: Baden-Baden, Stattliche Kunsthalle (1966), Indica Gallery, London (1967), Moderna Galerija, Ljubljana, Akademie der Künste (1971) (com René Bertholo).

Exposições coletivas (seleção): 5.ª Bienal de São Paulo (1959 e 1985); Grupo KWY, Universidade de Saarbrüken, Alemanha; SNBA, Lisboa (1960); 1.ª Bienal de Paris (1961), Diálogo, Fundação Calouste Gulbenkian, CAM, Lisboa (1985), Vraiment faux, Fondation Cartier, Paris (1988). Retrospetiva na Fundação Calouste Gulbenkian em 1992.

Representou Portugal, juntamente com Francisco Tropa, na Bienal de São Paulo em 1998. Em 2000 foi-lhe atribuído o Grande Prémio EDP; e em 2003 realizou uma grande exposição no Museu de Serralves.

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