Folhas Soltas de uma Vida
Memórias de uma Mulher do Século XX
Editor:
Edições Colibri, abril de 2017 ‧
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SINOPSE
Crescem as lutas dos trabalhadores por todo o país com grande participação das mulheres que, forçadas pela precária situação económica em que viviam, a roçar a miséria, baixos salários dos maridos e constante subida do custo de vida, acorrem ao mercado de trabalho, o que satisfaz os interesses dos capitalistas pois os salários das mulheres eram, e continuam a ser, inferiores aos dos homens.
A expressão, o Princípio salário igual para trabalho igual foi sempre uma quimera, mesmo quando inserta na lei, por cuja efectivação gerações sucessivas têm lutado. E os filhos? Que fazer aos filhos? Que vêm ao mundo quando Deus quer. Ficam sozinhos entregues a si próprios ou a uma vizinha ou à solta na rua."
(…) A mãe aproveita ainda o magro calor da cama mas tem que levantar-se para fazer o café com que o marido e os filhos acalentarão o estômago. Uma bata preta cobre-lhe o corpo descarnado e chato. A trança negra desgrenhada e solta cai-lhe ao longo das costas curvadas pelo sofrimento, pelos muitos filhos que o seu ventre gerou, pelo áspero vento do seu viver. As mãos ossudas e escuras, deformadas pelo trabalho.
O rosto envelhecido e pálido, coberto de pequenas rugas que lhe escondem a boca sem dentes, de lábios finos, outrora rosados e sensuais, conserva, porém, a energia de uma forte vontade. E os olhos de azeviche cheios de vida rebelde, de um brilho farejante que nos atravessa, dominam tudo: o marido e os filhos. A luz de petróleo confunde os gestos e as vozes. O cheiro do café fervente na cafeteira anima os corpos gelados e enfraquecidos.
As tijelas esvaziam-se, saboreando gostosamente o líquido negro que os aquenta. Mastigam apressadamente um pedaço de pão escuro. E ei-los prontos para percorrer a pé os quilómetros que os separa da fábrica e da oficina. (…)
A expressão, o Princípio salário igual para trabalho igual foi sempre uma quimera, mesmo quando inserta na lei, por cuja efectivação gerações sucessivas têm lutado. E os filhos? Que fazer aos filhos? Que vêm ao mundo quando Deus quer. Ficam sozinhos entregues a si próprios ou a uma vizinha ou à solta na rua."
(…) A mãe aproveita ainda o magro calor da cama mas tem que levantar-se para fazer o café com que o marido e os filhos acalentarão o estômago. Uma bata preta cobre-lhe o corpo descarnado e chato. A trança negra desgrenhada e solta cai-lhe ao longo das costas curvadas pelo sofrimento, pelos muitos filhos que o seu ventre gerou, pelo áspero vento do seu viver. As mãos ossudas e escuras, deformadas pelo trabalho.
O rosto envelhecido e pálido, coberto de pequenas rugas que lhe escondem a boca sem dentes, de lábios finos, outrora rosados e sensuais, conserva, porém, a energia de uma forte vontade. E os olhos de azeviche cheios de vida rebelde, de um brilho farejante que nos atravessa, dominam tudo: o marido e os filhos. A luz de petróleo confunde os gestos e as vozes. O cheiro do café fervente na cafeteira anima os corpos gelados e enfraquecidos.
As tijelas esvaziam-se, saboreando gostosamente o líquido negro que os aquenta. Mastigam apressadamente um pedaço de pão escuro. E ei-los prontos para percorrer a pé os quilómetros que os separa da fábrica e da oficina. (…)
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789896896409 |
| Editor: | Edições Colibri |
| Data de Lançamento: | abril de 2017 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 162 x 231 x 23 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 468 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Memórias e Testemunhos
|
| EAN: | 9789896896409 |
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