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Finisterra - Revista de Reflexão e Crítica nº 97

O povo contra a Democracia?

de Eduardo Lourenço
Editor: Âncora Editora, dezembro de 2025 ‧
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«Porquê tanta gente, tantos eleitores, se deixam conduzir por ‘paixões tristes’ (ódio, raiva ressentimento), procuram bodes expiatórios (judeus, imigrantes, maçons, ‘socialistas’), se entusiasmam com clarins guerreiros e exaltações nacionalistas (Make America Great Again), e se mostram vulneráveis à manipulação (as redes sociais teriam feito a felicidade de Goebbels), à demagogia, ao fanatismo de quem, inclusive, usa o nome de Deus em vão? »
Fernando Pereira Marques

«Na estratégia de Donald Trump e do seu movimento MAGA adquire uma importância fulcral a capacidade de conseguir, por todos os meios, que uma parcela cada vez maior da sociedade americana aceite, ou pelo menos tolere, as posições extremadas que defendem, as mentiras que difundem, os abusos que cometem, para consolidar um poder que desejam absoluto e concentrado na Sala Oval, subvertendo os alicerces do sistema de checks and balances em que assenta a Constituição dos EUA. »
Vasco Franco

«As imagens das crianças palestinianas famintas evocam Auschwitz. no entanto, para Netanyahu e seus aliados da extrema-direita religiosa as crianças palestinianas não têm nenhuma dignidade, uma forma de racismo inaceitável, já que não existe um bom racismo, o do sionismo religioso contra os palestinianos, e outro mau, o dos nazis contra os judeus. »
Joaquim Jorge Veiguinha

«Olhando para trás, podemos talvez agora reconhecer melhor que o universo das instituições da ONU e do direito internacional que as sustentavam terão sido, apesar de todas as suas deficiências (e conivências com os mais fortes), o mais importante contributo para a paz e a estabilidade alguma vez intentado. »
João Freire

«A história política contemporânea de Portugal não pode ser compreendida sem a referência a Mário Soares, cuja vida e pensamento se entrelaçam com o objetivo de democratização e de liberdade iniciado antes e depois do 25 de Abril. »
Ângela Montalvão Machado

«Qualquer que seja a posição dos moderados, podemos estar certos que será criticada por gregos e troianos. Mas há um aspeto que a moderação, para ser eficiente, tem de entender e integrar, não apenas no discurso como na prática: é que há momentos em que não se pode conciliar mais. »
Paulo Ferreira da Cunha

«Meia dezena de anos bastaram para que as mulheres se tornassem musas de si mesmas, actores de maneira inédita do seu próprio destino. Não sem luta, sem equívocos e sem riscos, buscados e assumidos de olhos abertos.»
Eduardo Lourenço

Finisterra - Revista de Reflexão e Crítica nº 97

O povo contra a Democracia?

de Eduardo Lourenço

Propriedade Descrição
ISBN: 5600294890414
Editor: Âncora Editora
Data de Lançamento: dezembro de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 161 x 232 x 10 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 192
Tipo de produto: Livro
Coleção: Finisterra
Classificação Temática: Livros em Português > Política > Política em Geral
EAN: 5600294890414

SOBRE O AUTOR

Eduardo Lourenço

Ensaísta português (23 de maio de 1923, em S. Pedro de Rio Seco, Almeida - Lisboa, 1 de dezembro de 2020), formado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra, onde foi professor entre 1947 e 1953, lecionou depois em várias universidades, como a da Baía, no Brasil, e nas Universidades de Hamburgo, Heidelberg, Montpellier, Grenoble e Nice. Fixando residência em Vence, lecionou, até à sua jubilação, na Universidade de Nice.
Tendo marcado durante cinquenta anos, com especial ressonância no pós-25 de Abril, o pensamento português, a voz de Eduardo Lourenço exerce um profundo e consensual fascínio sobre a intelectualidade portuguesa, surpreendendo pela "capacidade de ser portador de um olhar sempre diferente e inquietante sobre os problemas de que se ocupa", espantando pela "pluralidade de interesses, a imensidão de uma cultura que não se entrincheira em redutos de erudição, o jogo ilimitado das referências" (cf. COELHO, Eduardo Prado - "Eduardo Lourenço: Um Rio Luminoso", in A Mecânica dos Fluídos, Lisboa, INCM, 1984, p. 280).
Próximo da geração neo-realista, à qual nunca deixaria de dedicar um sério trabalho de reflexão, voltado quer para a especificidade da sua poética (Sentido e Forma da Poesia Neo-Realista, Lisboa, 1968), quer para o estudo dos sobreviventes dessa geração (cf. por exemplo, os vários estudos sobre Vergílio Ferreira, coligidos em O Canto do Signo, Lisboa, Presença, 1994), quer ainda pelas análises de conjunto sobre o fenómeno da afirmação na literatura contemporânea dessa geração que baptizou como "geração da utopia" (cf. ibi., ensaios como "A Ficção dos Anos 40"), pelo seu espírito de isenção e de abertura, tornou-se, após a publicação, em 1949, de Heterodoxia I, uma figura incómoda face às duas forças ideológicas em que se dividia o país: o catolicismo conivente com o regime salazarista e o marxismo, ao defender uma noção de heterodoxia que equivale à aceitação da pluralidade de "ortodoxias".
No início dos anos cinquenta, o nome de Eduardo Lourenço surge associado ao projeto Árvore, em cujo número inaugural publicou o ensaio "Esfinge ou a Poesia", onde apresenta uma conceção de poesia como Esfinge diante da qual o poeta procura "danadamente uma autêntica face de homem, uma existência em busca de uma essência", definindo-a como "a resolução que damos à história, aos encontros, às promessas de cada vez que consentimos descer das palavras às dificuldades dos atos. Ou subimos dos atos à corola mágica das palavras com que os arrancamos à certa desolação do tempo e da morte." ("Esfinge ou a Poesia"). Esta função gnósica atribuída à palavra poética determinará a defesa, nos vários estudos críticos e literários publicados ao logo da década de 60, alguns deles na revista O Tempo e o Modo, de que a crítica só faz sentido "esposando simultaneamente a vida e a morte que na sucessão das obras se configura e lendo uma na luz da outra, sem pretender jamais que está em seu poder outra coisa que dizer com atraso, mas o mais claramente que lhe é possível, o discurso inexpresso da Obra". (O Tempo e o Modo, Maio-Junho de 1966, ensaio coligido in O Canto do Signo, Lisboa, Presença, 1994, p. 46). Este respeito pelo caráter trágico da crítica, conjugado com uma invulgar erudição, capaz de colocar em diálogo tradições literárias e culturais diversas, com a capacidade de, sem trair a textualidade, perseguir a errância (ibi., p. 68) do texto, da sua produção até ao imaginário, individual e coletivo, que simultaneamente reflete e constrói, elevou-o, desde a publicação, em 1957, do ensaio O Desespero Humanista de Miguel Torga até ao recente O Canto do Signo. Existência e Literatura, como orador e como escritor, a um dos expoentes máximos do ensaísmo literário e cultural contemporâneo, estatuto unanimemente reconhecido, por exemplo, na atribuição de vários prémios nacionais e internacionais (Prémio PEN Clube, 1983; Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon, 1988; Prémio Camões e Prémio D. Dinis, 1996; Prémio Virgílio Ferreira, pela Universidade de Évora, 2000; condecoração francesa da Legião de Honra, 2002; Prémio Extremadura a la Creación, 2006; Prémio Extremadura para a Criação, 2006; Premio Fernando Pessoa, 2011).
Em complementaridade com o trabalho de crítica literária, o ensaísmo de Eduardo Lourenço revela uma particular preocupação na análise das autognoses coletivas que a cultura literária e artística espelham, reflexão que, desde O Labirinto da Saudade até Poesia e Metafísica, examinando "as imagens que de nós mesmos temos forjado", culminaria com uma interrogação sobre o destino português, não só no modo como ele é percecionado nas obras e no nome de alguns dos seus vultos mais representativos (Camões, Antero e, sobretudo, Pessoa), mas, de forma mais abrangente, em volumes como Portugal Como Destino Seguido de Mitologia da Saudade (1999), sobre o modo como esse destino é miticamente sobredeterminado. Considerando, do exterior (português fora de Portugal), o destino português, Eduardo Lourenço consegue, neste último volume, fazer concorrer todo o seu saber (histórico, filosófico, literário), para formular, no fim de século, sem qualquer intuito doutrinário, uma imagem imparcial do ser português, na sua singularidade e universalidade, espelho, onde, observando-se, pode conhecer-se e aceitar-se "tal como foi e é, apenas um povo entre os povos. Que deu a volta ao mundo para tomar a medida da sua maravilhosa imperfeição." (Portugal Como Destino Seguido de Mitologia da Saudade, Lisboa, Gradiva, 1999, p. 83).

Eduardo Lourenço. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011.

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