Ficções

de Jorge Luis Borges
Editor: Editorial Teorema, outubro de 2009 ‧

«As sete peças deste livro não requerem elucidação de maior. A sétima (O Jardim dos caminhos que se bifurcam) é policial; os seus leitores assistirão à execução e a todos os preliminares de um crime, cujo propósito não ignoram mas que não compreenderão, julgo eu, até ao último parágrafo. As outras são fantásticas, uma - A lotaria na Babilónia - não é de modo nenhum inocente de simbolismo. Não sou o primeiro autor da narrativa A biblioteca de Babel; os curiosos da sua história e pré-história podem consultar certa página do número 59 de SUR, que regista os nomes heterogéneos de Leucipo e de Lasswitz, de Lewis Carroll e de Aristóteles. Em As ruínas circulares tudo é irreal; em Pierre Menard, autor do Quxote é-o o destino que o protagonista se impõe a si próprio. A lista dos escritos que lhe atribuo não é muito divertida mas não é arbitrária; é um diagrama da sua história mental…
Desvario laborioso e empobrecedor é o de compor vastos livros; o de espraiar por quinhentas páginas uma ideia cuja perfeita exposição oral cabe em poucos minutos. Melhor procedimento é simular que esses livros já existem e oferecer um resumo, um comentário. Assim procedeu Carlyle em Santor Resartus; e igualmente Butler em The Fair Heaven; obras que têm a imperfeição de serem também livros, e não menos tautológicos que os outros. Mais razoável, mais inepto, mais mandrião, eu preferi a escrita de notas sobre livros imaginários. São elas Tlö, Uqbar, Orbis Tertius e a Análise da obra de Herbert Quain.»
Jorge Luis Borges

Ficções

de Jorge Luis Borges

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726958611
Editor: Editorial Teorema
Data de Lançamento: outubro de 2009
Idioma: Português
Dimensões: 142 x 215 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 174
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789726958611

SOBRE O AUTOR

Jorge Luis Borges

Jorge Luis Borges nasceu em Buenos Aires, em 1899. Cresceu no bairro de Palermo, «num jardim, por detrás de uma grade com lanças, e numa biblioteca de ilimitados livros ingleses».
Em 1914 viajou com a família pela Europa, acabando por se instalar em Bruxelas, e posteriormente em Maiorca, Sevilha e Madrid. Regressado a Buenos Aires, em 1921, Borges começou a participar ativamente na vida cultural argentina.
Em 1923, publicou o seu primeiro livro — Fervor de Buenos Aires — mas o reconhecimento internacional só chegou em 1961, com o Prémio Formentor, seguido por inúmeros outros. A par da poesia, Borges escreveu ficção (é sem dúvida um dos nomes maiores do conto ou da narrativa breve), crítica e ensaio, géneros que praticou com grande originalidade e lucidez.
A sua obra é como o labirinto de uma enorme biblioteca, uma construção fantástica e metafísica que cruza todos os saberes e os grandes temas universais: o tempo, «eu e o outro», Deus, o infinito, o sonho, as literaturas perdidas, a eternidade — e os autores que deixam a sua marca.
Foi professor de literatura e dirigiu a Biblioteca Nacional de Buenos Aires entre 1955 e 1973.
Morreu em Genebra, em junho de 1986.

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