Ermal - Quando a Guerra Fria Aqueceu
SINOPSE
Milhares de refugiados fogem das ruínas de Portugal para o Ultramar, onde novos senhores da guerra competem com os últimos resquícios do Império. E esta é a história de um homem determinado a encontrar um sentido para tudo isto.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789899980075 |
| Editor: | Escorpião Azul |
| Data de Lançamento: | novembro de 2017 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 230 x 158 x 4 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 64 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Banda Desenhada
>
Aventura
|
| EAN: | 9789899980075 |
OPINIÃO DOS LEITORES
BD portuguesa comercial
Pedro Cleto
Ermal é (mais uma) tentativa de fazer uma banda desenhada portuguesa que quero apelidar de 'comercial', porque assenta - neste caso - na facilidade de leitura e numa temática - o chamado 'western' pós-apocalíptico - (quase) sempre aliciante. E porque - também... - os protagonistas da sua acção são portugueses. Mas podiam não ser, sem que isso alterasse uma vírgula - uma balão? uma vinheta? - neste trabalho de Miguel Santos. Esse protagonismo 'nacional' é-nos dado pelo nome dos principais intervenientes, reforçado pela indicação que nos é dada na sinopse da contracapa de que estamos perante “refugiados que fogem das ruínas de Portugal” - onde “o 25 de Abril nunca aconteceu” - “para o Ultramar”. Num breve preâmbulo que revela que o hemisfério norte foi devastado por bombardeamentos nucleares que o destruíram, durante o confronto que terminou com a Guerra Fria, somos também postos ao corrente de confrontos entre diversos grupos organizados, que assentam a sua acção no comércio de escravos, na exploração petrolífera ou mineira, a par de pequenos grupos que tentam aproveitar-se do que conseguem roubar aos outros. Se todo este enquadramento permite - assim haja continuidade dentro deste universo - diversos tipos de abordagem - complementares, não exclusivas - como acontece, por exemplo, no Jeremiah de Hermann, a verdade é que ele é - no caso deste Ermal, pouco significativo para a história contada. O que não impede que a missão de recuperar uma mala com documentos importantes, junto de um dos grupos organizados, não apresente momentos interessantes. Como noutras edições da Escorpião Azul, sente-se uma grande urgência de publicar por parte do(s) autor(es) - impulsionados, com certeza, também, pelo momento editorial único que se vive - o que tem consequências na obra final apresentada. Atrevo-me a dizer - sem que isto deva ser encarado de forma negativa - que esta editora - aproveitando as facilidades que existem actualmente em termos de impressão - cumpre hoje o papel que há alguns anos estava 'entregue' aos fanzines de melhor qualidade. Para o bem e para o mal. Porque estas edições, hoje a única forma de novos autores crescerem e experimentarem, nos chegam ao preço de muitas outras existentes no mercado, qualitativamente noutro patamar. Penso que já o escrevi em tempos, beneficiariam imenso de um (verdadeiro) papel editorial, que levasse o(s) autor(es) a refazerem aqui, a corrigirem ali, a alterarem acolá. Pessoalmente, estava curioso sobre Ermal desde que foi publicado, atraído também pelo seu grafismo e pelo formato italiano adoptado - e bem explorado - mas razões diversas só permitiram que me chegasse às mãos agora. A leitura atenta, para além de revelar o tal distanciamento em relação ao enquadramento referido - Ermal podia ser contada, quase tal e qual, enquadrada na Guerra Colonial, por exemplo - mostra também limitações ao nível gráfico. Algum desequilíbrio nas proporções humanas, aqui e ali vinhetas demasiado estáticas, falta de pormenores ao nível dos rostos... Mas a verdade é que, narrativamente, o conjunto acaba por funcionar, e Miguel Santos, eventualmente consciente (de algumas) dessas limitações, consegue em parte reduzir o seu impacto graças ao colorido que, não sendo perfeito, se adequa ao relato, e à planificação variada que aproveita o 'comprimento' das páginas e a sucessiva mudança de enquadramentos para se tornar mais dinâmica. Encarada como obra única e final - será assim que os potenciais leitores a vão ver quando depararem com ela numa livraria... - Ermal, poderá saber a pouco. Se considerada como porta de entrada - e também laboratório experimental - para um universo a desenvolver em futuros livros, então adivinha-se nela potencial que poderá vir a surpreender-nos.
Um trabalho com futuro
Francisco Pereira
Um excelente trabalho de um jovem autor. Traço limpo, um argumento interessante, fazem deste pequeno livro uma grande aposta ganha, sem dúvida que se recomenda.
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