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Eduardo Brazão

Diplomata e historiador (1907-1987)

de João Moita
Editor: Edições Colibri, dezembro de 2022 ‧
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Eduardo Brazão nasceu em Lisboa em 1907. Tornando-se uma extraordinária figura da Diplomacia e Historiografia nacional, destacou-se através do uso da língua e da cultura enquanto peça-chave para ultrapassar a barragem de dificuldades enfrentadas pela política externa do Estado Novo nas décadas de 1960 e 1970. Nesta biografia procura-se essencialmente perceber o seu papel enquanto Cônsul, Encarregado de Negócios, Embaixador e Chefe do Protocolo, sem esquecer o início da sua carreira, a obra escrita de um apaixonado pela História e o seu ímpeto reformista enquanto Secretário Nacional da Informação, Cultura Popular e Turismo.

Recorrendo à correspondência privada do embaixador, a relatórios produzidos para o Ministério dos Negócios Estrangeiros, bem como à correspondência com António Oliveira Salazar e Marcello Caetano, esta obra demonstra como Eduardo Brazão é um exemplo do uso do Soft Power enquanto ferramenta nas Relações Internacionais.

Num tumultuoso século XX português, com duas guerras mundiais na Europa, um longo isolamento político e uma guerra que marcou o devir do império, Brazão encontrou-se na linha da frente da política externa face a estas três problemáticas.

Eduardo Brazão

Diplomata e historiador (1907-1987)

de João Moita

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895662487
Editor: Edições Colibri
Data de Lançamento: dezembro de 2022
Idioma: Português
Dimensões: 160 x 230 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 218
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > História > História de Portugal
EAN: 9789895662487

Recomendo

Tiago Manalvo

Antes de mais sublinho que é de louvar um jovem investigador ter-se iniciado no estudo da História Diplomática, tendo dedicado a sua Tese de Mestrado a realizar uma biografia de um diplomata português. Após a leitura do livro cumpre-nos tecer algumas considerações. O Autor começa por dedicar quase 20% da obra a analisar o percurso de vida dos pais do biografado, demonstrando uma enorme preocupação em realizar aí mais uma prosopografia do que um estudo biográfico. O Autor denota aquilo que consideramos ser um defeito característico de muitos centros de investigação portugueses, ainda muito presos ao eterno estudo teórico da luta de classes, com um subjacente pré-conceito ideológico. De resto, em termos de estrutura a obra está equilibrada, analisando os diversos postos pelos quais o biografado passou, dedicando maior ou menor relevância, conforme a importância dos mesmos. Os capítulos dedicados a esta temática são um bom resumo da actividade diplomática do biografado, que permitem ao leitor melhor conhecer as circunstâncias em que desenvolveu a sua carreira. Contudo, assinalamos não ter sido dedicada maior atenção aos seis anos em que Eduardo Brazão foi Embaixador de Portugal na Santa Sé, por ser o de maior significado político. O Autor poderia ter neste ponto em concreto ter explorado com maior detalhe a questão do fim do exílio do Bispo do Porto, assim como o episódio da recepção que o Papa Paulo VI concedeu aos líderes dos movimentos que dirigiam uma guerrilha de libertação em Angola, Moçambique e Guiné, considerado o maior falhanço da carreira do diplomata. Teria sido igualmente interessante, nestes dois pontos em concreto o recurso a uma análise da imprensa nacional estrangeira, esta última facilmente acessível se o Autor tivesse consultado os fundos de arquivo do Serviço de Informação e Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o que manifestamente não ocorreu, apesar do laudatório agradecimento que João Moita dirige à responsável pelo Arquivo Histórico-Diplomático, Margarida Lages, que possivelmente ignorou a importância desta fonte de informação. Assinala-se também a ausência de explicação porque e como ocorreu o fim abrupto da carreira diplomática do biografado, não explicando as circunstâncias em que cessa funções 48 horas após o golpe de Estado de 1974, não indicando se foi exonerado ou se foi o próprio que se demitiu. Desconhece-se se esta ausência foi causada por alguma reserva ideológica, ou se foi pura lacuna. O Autor esclarece, e bem, que não é propósito da sua Tese analisar a objectividade do biografado enquanto historiador, tendo-se apenas ficado por descrever as circunstâncias em que Eduardo Brazão realizou algumas das investigações, muitas delas inseridas num plano pessoal de diplomacia cultural. O biografado considerava que através da investigação da História das relações entre Portugal e as diversas nações se poderiam encontrar pontos que ajudassem a estreitar essas mesmas relações. Em termos de fontes primárias, verificamos que o Autor consultou exaustivamente quer o Arquivo Pessoal do biografado, depositado no Arquivo-Histórico do MNE, mas não consultou os fundos de arquivos do consulado em Hong Kong, assim como das embaixadas em Roma, Ottawa, Bruxelas, Luxemburgo e Santa Sé – desconhecendo-se se neste último ponto, continua a persistir o atraso na transferência dessa documentação para Lisboa, questão que se arrasta há várias décadas. Estas lacunas deveriam obrigatoriamente ter sido justificadas, ignorando-se a razão pela qual se deixou passar em branco esta questão. Lamentavelmente também não ocorreu o recurso aos Diários de Salazar, já disponíveis em ebook, e que poderiam ter sido um manancial de informação de qual era a verdadeira apreciação do Presidente do Conselho sobre a actividade do biografado. Apesar de o Autor fazer amiúde referência à existência de contactos directos entre Eduardo Brazão e Oliveira Salazar e Marcello Caetano, nunca é indicada uma citação sobre as apreciações dos mesmos, ou da sua interação. Assinala-se ainda uma ausência a troca de correspondência entre o diplomata e os diversos ministros dos Negócios Estrangeiros. O Autor reconhece, e bem, a limitação que constituiu para a sua investigação a impossibilidade de consulta das fontes documentais estrangeiras que lhe permitissem aferir melhor a realidade. No que concerne a bibliografia não se compreende a ausência da consulta de obras de autoria de Franco Nogueira e de Calvet de Magalhães, diplomatas que ingressaram no mesmo concurso de admissão à carreira diplomática, logo seus plenos contemporâneos, que quase em simultâneo exerceram funções na Cifra e em postos no Extremo Oriente, e que por largo tempo exerceram funções como Ministro dos Negócios Estrangeiros, no caso do primeiro, e de Secretário-Geral do MNE, no caso do segundo, no período em que o biografado era já Chefe de Missão. Ainda no que concerne a fontes, é lamentável que nem a sua orientadora de Tese, nem a responsável do Arquivo Histórico-Diplomático, não tenham sugerido o recurso á recolha de testemunhos de diplomatas, felizmente ainda vivos, ainda que no início das suas carreiras tenham sido contemporâneos da carreira de Eduardo Brazão. O recurso a um diplomata em concreto, teria sido da maior utilidade igualmente na apreciação do período em que o biografado foi Chefe do Protocolo do Estado. Por último, assinala-se com estranheza a existência de erros gramaticais no texto, repetições de palavras, e alguns parágrafos com redação desleixada, que se torna por vezes de difícil compreensão. É igualmente surpreendente que na introdução o autor descreva o retrato do biografado que faz capa do livro (em farda de diplomata com condecorações), como estando a usar as suas “medalhas”. É absolutamente inexplicável como estas falhas puderam passar incólumes quer pela sua orientadora de Tese, pelos responsáveis do Instituto Diplomático / Arquivo Histórico-Diplomático, Freitas Ferraz e Margarida Lages, que aceitaram patrocinar a edição da Tese, assim como pelas Edições Colibri, em sede de revisão de texto. Apesar de tudo, como se começou por dizer, é de louvar a iniciativa da investigação por um jovem investigador, que certamente com os anos poderá progredir, assim como se assinala que até ao momento ainda ninguém havia produzido um estudo sobre o biografado.

SOBRE O AUTOR

João Moita

João Francisco Martins Moita nasceu em Oeiras, em 20 de agosto de 1994. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 2016, tendo completado o Mestrado em História Moderna e Contemporânea na mesma instituição no ano de 2022. É autor do estudo As Legiões de Portugal nas guerras Napoleónicas, publicado na Revista Militar.

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