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Editor: E-primatur, março de 2023 ‧
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Irène Némirovsky constrói neste romance passado em Paris, durante os loucos anos 20, uma análise implacável feita de cinismo e ternura acerca da teia de relações humanas complexas estabelecidas entre homens e mulheres, pais e filhos, irmãos e irmãs.

No rescaldo da Primeira Guerra Mundial e face ao despertar de uma liberdade festiva e vertiginosa, a escritora russa de origem judia, nascida no actual território ucraniano, confronta-nos em Dois com estados de paixão que revira de seguida para expor os seus desencantos, questionando-nos sobre o amor e o casamento, com os seus alicerces frágeis e múltiplos vínculos inquebráveis. Esta anatomia lúcida, cruel e irónica mostra-nos mulheres pouco misteriosas, mas terrivelmente lúcidas quanto ao futuro que reivindicam, e homens aparentemente fortes e encantadores, que acabam por revelar poucas camadas de interesse.

É neste contexto que Marianne, na casa dos vinte anos, filha de Didier Segré, um pintor conhecido, e de uma herdeira rica, conhece Antoine, um sedutor inconstante e egocêntrico. Esta relação feita de sentimentos desiguais e pouco recíprocos conduz a um casamento pautado por relações extraconjugais e assente na força do hábito, nas aparências, na segurança e na passagem do tempo - os elementos que tecem o vínculo conjugal que se revela tanto mais forte quanto mais é forjado na hipocrisia e no constrangimento.

Dois

de Irène Némirovsky

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898872746
Editor: E-primatur
Data de Lançamento: março de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 131 x 207 x 20 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 272
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789898872746

Brilhante retrato das relações interpessoais

Telma Castro

"Como nos apressamos a amar quando somos jovens! Como temos medo de esperar! Como nos apressamos a escolher, a conduzir a vida nesta ou naquela direcção! Culpamos a existência por essa parcela de fatalidade, se não a forma, pelo menos a caricatura dos nossos desejos..." Poderá um amor viver de memórias? As aparências compensarão uma vida infeliz? Poderá uma amizade sustentar um casamento? Passado em Paris, no pós-guerra, nos anos 20, Dois, é um romance de paixão, casamento, vida familiar, declínio e falsas aparências. Némirovsky foi exímia no detalhe, a explorar as relações interpessoais. O retrato pessimista do amor, do casamento está em exaltação. Actos de conveniência ocupam o lugar do amor, na hora do "sim". A cadência temporal ganha ênfase, com comportamentos transversais a várias gerações. Vemos um desfiar de vidas em que os sonhos dão lugar às obrigações e responsabilidades. Amores que não vingaram no tempo, outros que (re)nasceram, desejos inusitados que despertaram. No fundo, é um retrato brilhante da passagem da vida e de como ela nos transforma. A escrita de Némirovsky é soberba, com apontamentos poéticos, com uma mestria na análise comportamental, uma autêntica psicologia de relações. Escrito há um século e tanto em comum com a actualidade. Há paradigmas que se agarram às sociedades. Instalam-se e libertam-se muito muito lentamente, repetindo-se no tempo. A ler.

Inebriante

Ler, um prazer adquirido

A história passa-se nos anos 20, no pós guerra com Antoine e Marianne, um casal em que as emoções e os sentimentos decompostos numa escrita virtuosa e escorreita não deixam de fazer eco no leitor. Diferentes perspectivas numa relação que se vai transformando ao longo do tempo. É extraordinário como tudo o que li de Irène é muito bom. Talento ímpar de uma boa observadora que compreendia a natureza humana e não a denegria apesar de tudo o que viveu. Uma excelente contadora de histórias. Que romance inebriante.

SOBRE O AUTOR

Irène Némirovsky

Irène Némirovsky nasceu em 1903 em Kiev, então parte do Império Russo, no seio de uma família abastada. O seu pai, Léon, era banqueiro. Perante a Revolução Russa, em 1917, a família decide fugir do Exército Vermelho. Depois de um ano na Finlândia, acabam por assentar em Paris.
Em França, conhece o sucesso logo aquando da publicação de David Golder, o seu primeiro romance, em 1929, adaptado ao cinema no ano seguinte. O mesmo aconteceria com o segundo romance da autora, Le Bal (1930), ajudando a consolidar a sua fama. A estes dois seguiram-se importantes obras como As Moscas de Outono (1931), O Caso Kurílof (1933) ou Jézebel (1936). Apesar de ser uma escritora de renome e prestígio, quando a guerra chega a França, a autora vê a sua carreira interromper-se devido à sua ascendência judia. É impedida de escrever e a venda dos seus livros proibida.
Em 1942, Irène Némirovsky é detida e deportada pelo governo de Vichy para o campo de concentração de Auschwitz, onde acabaria por morrer com apenas 39 anos de idade. Caída no esquecimento durante o pós-guerra, a obra desta autora foi alvo de uma justa recuperação e visibilidade internacional, ao ser publicado, em 2004, o até então desconhecido romance inacabado Suite Francesa, autêntico sucesso mundial e vencedor póstumo do prémio Renaudot.

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