Dois
SINOPSE
No rescaldo da Primeira Guerra Mundial e face ao despertar de uma liberdade festiva e vertiginosa, a escritora russa de origem judia, nascida no actual território ucraniano, confronta-nos em Dois com estados de paixão que revira de seguida para expor os seus desencantos, questionando-nos sobre o amor e o casamento, com os seus alicerces frágeis e múltiplos vínculos inquebráveis. Esta anatomia lúcida, cruel e irónica mostra-nos mulheres pouco misteriosas, mas terrivelmente lúcidas quanto ao futuro que reivindicam, e homens aparentemente fortes e encantadores, que acabam por revelar poucas camadas de interesse.
É neste contexto que Marianne, na casa dos vinte anos, filha de Didier Segré, um pintor conhecido, e de uma herdeira rica, conhece Antoine, um sedutor inconstante e egocêntrico. Esta relação feita de sentimentos desiguais e pouco recíprocos conduz a um casamento pautado por relações extraconjugais e assente na força do hábito, nas aparências, na segurança e na passagem do tempo - os elementos que tecem o vínculo conjugal que se revela tanto mais forte quanto mais é forjado na hipocrisia e no constrangimento.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789898872746 |
| Editor: | E-primatur |
| Data de Lançamento: | março de 2023 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 131 x 207 x 20 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 272 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 9789898872746 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Brilhante retrato das relações interpessoais
Telma Castro
"Como nos apressamos a amar quando somos jovens! Como temos medo de esperar! Como nos apressamos a escolher, a conduzir a vida nesta ou naquela direcção! Culpamos a existência por essa parcela de fatalidade, se não a forma, pelo menos a caricatura dos nossos desejos..." Poderá um amor viver de memórias? As aparências compensarão uma vida infeliz? Poderá uma amizade sustentar um casamento? Passado em Paris, no pós-guerra, nos anos 20, Dois, é um romance de paixão, casamento, vida familiar, declínio e falsas aparências. Némirovsky foi exímia no detalhe, a explorar as relações interpessoais. O retrato pessimista do amor, do casamento está em exaltação. Actos de conveniência ocupam o lugar do amor, na hora do "sim". A cadência temporal ganha ênfase, com comportamentos transversais a várias gerações. Vemos um desfiar de vidas em que os sonhos dão lugar às obrigações e responsabilidades. Amores que não vingaram no tempo, outros que (re)nasceram, desejos inusitados que despertaram. No fundo, é um retrato brilhante da passagem da vida e de como ela nos transforma. A escrita de Némirovsky é soberba, com apontamentos poéticos, com uma mestria na análise comportamental, uma autêntica psicologia de relações. Escrito há um século e tanto em comum com a actualidade. Há paradigmas que se agarram às sociedades. Instalam-se e libertam-se muito muito lentamente, repetindo-se no tempo. A ler.
Inebriante
Ler, um prazer adquirido
A história passa-se nos anos 20, no pós guerra com Antoine e Marianne, um casal em que as emoções e os sentimentos decompostos numa escrita virtuosa e escorreita não deixam de fazer eco no leitor. Diferentes perspectivas numa relação que se vai transformando ao longo do tempo. É extraordinário como tudo o que li de Irène é muito bom. Talento ímpar de uma boa observadora que compreendia a natureza humana e não a denegria apesar de tudo o que viveu. Uma excelente contadora de histórias. Que romance inebriante.
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