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Depois de Morrer Aconteceram-me Muitas Coisas

de Ricardo Adolfo
Livro eBook
Editor: Companhia das Letras, março de 2025 ‧
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Brito é imigrante ilegal numa cidade que não conhece e cuja língua não fala.

Um domingo à tarde, perde-se a caminho de casa com a mulher e o filho pequeno. E, como acredita que para tomar uma decisão acertada tem de fazer o contrário daquilo que acha que está correcto, o regresso a casa torna-se uma aventura sem fim à vista. Depois de uma noite na rua, Brito percebe que se não pedir ajuda pode ficar perdido para sempre, mas se o fizer poderá arruinar o sonho de uma vida nova.

Com uma acção que decorre em pouco mais de vinte e quatro horas, Depois de Morrer Aconteceram-me Muitas Coisas explora o que é viver imigrado dentro de si mesmo - mais difícil do que qualquer exílio.

Nova edição do segundo romance de Ricardo Adolfo, aclamado como uma das vozes mais originais da literatura portuguesa do novo século, uma história tão provocadora quanto terna das ilusões e desenganos dos que são atirados para a margem.
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Fronteiras, Liberdade e Destino

Estas obras convergem num mesmo território simbólico: o da migração exterior e interior, do corpo, da mente e da identidade. Falam de deslocação, pertença e errância e de como a liberdade, mesmo quando conquistada, nos obriga sempre a escolher entre o que deixamos e o que levamos connosco. Cada uma, à sua maneira, interroga o impulso humano de atravessar fronteiras, sejam elas geográficas, linguísticas, sociais ou íntimas.
Em Depois de Morrer Aconteceram-me Muitas Coisas, de Ricardo Adolfo, o exílio é físico e existencial. O protagonista perde-se numa cidade estrangeira, mas sobretudo em si mesmo; o medo, o absurdo e a ternura coexistem.
Em Condenação, de Pedro Almeida Maia, a fronteira é histórica e moral: um português emigrado nos Estados Unidos dos anos 1920 confronta-se com a violência do sonho americano e com o preço da sobrevivência num mundo que o julga antes de o ouvir.
Como Funciona Realmente a Migração, de Hein de Haas, desmonta mitos e discursos que, de ambos os lados do espectro político, distorcem a realidade dos movimentos humanos. Através de dados e de décadas de investigação, o autor revela que migrar é um ato antigo e estrutural, não um problema a resolver, mas uma expressão da própria condição humana.
Em Fronteiras Perdidas José Eduardo Agualusa convoca o poder da imaginação para dissolver limites e questionar o que é real ou possível. As suas narrativas oníricas e poéticas mostram que a maior viagem é a que fazemos dentro de nós, entre a memória e o sonho, o desejo e a perda.
Vamos conhecê-las um pouco melhor. Depois de Morrer Aconteceram-me Muitas Coisas, de Ricardo Adolfo Imagine-se perdido numa cidade cujas ruas não conhece, em cujo silêncio a sua língua interior parece ter falhado. É aqui que entra Brito, imigrante ilegal, pai e companheiro, que num domingo à tarde vê o regresso à sua nova vida transformar-se numa odisseia. A cada passo que dá, a cada esquina que evita, a cada «bom dia» que não ousa pronunciar sente que o mundo o atravessa e que, em vez de caminhar para casa, caminha para fora de si.
Este romance convida-o a sentir o que significa estar em fuga sem movimento, a experienciar a vulnerabilidade de quem não pede ajuda por medo de quebrar o próprio sonho, a escutar a voz interior que insiste: «se calhar o certo é justamente aquilo que evitamos». Em pouco mais de vinte e quatro horas, verá que a maior viagem não é de cidade para cidade, mas de um corpo que exige visibilidade para uma alma que se esconde. Ao ler este livro vai confrontar-se com aquilo que sucede quando o exílio já não é apenas geográfico, quando se faz dentro da pele, dentro do idioma que deixámos para trás, dentro da vida que escolhemos por não parecer outra. Vai perceber que a margem não está «lá fora», mas dentro. E que, por vezes, o regresso mais difícil é o que nunca começa nem termina. COMPRO NA WOOK! » Condenação, de Pedro Almeida Maia Nos Estados Unidos da década de 1920, a Lei Seca transformava o crime em negócio e o sonho em sobrevivência. Entre gangues e alambiques, este livro convida-o a acompanhar a trajetória de um homem que emerge de uma comunidade açoriana no Massachusetts e se vê envolvido na violência, no tráfico e na justiça implacável.
O leitor sente o peso de um mundo em que as fronteiras entre inocência e culpa se apagam, em que o preconceito e o poder se cruzam e a participação silenciosa pode pesar tanto como o ato explícito. Ao longo destas páginas, a leitura torna-se uma viagem à pergunta essencial: quem decide o destino, quem julga e quem é julgado, e quais são os custos invisíveis da migração, da identidade e da justiça quando se vai mais longe do que se imaginava. COMPRO NA WOOK! » Como Funciona Realmente a Migração, de Hein de Haas Ao folhear este livro perceberá que muitos «lugares-comuns» sobre a migração estão de cabeça para baixo. Vã ideia de «migração maciça causada pelo clima»? Não corresponde aos factos. A crença de que todos os imigrantes são trabalhadores empenhados? Requer revisão. Este livro propõe-lhe olhar para o fenómeno da migração de outra forma: não como catástrofe, não como solução fácil, mas como parte dos fluxos constantes que moldam o mundo.
Ser-lhe-á oferecido um conjunto de dados, comparações e tendências que fazem ruir discursos simplistas, revelando que migrar é tão antigo quanto mover-nos, tão estruturado quanto a economia ou a cultura. Prepare-se para confrontar aquilo que pensava saber e para descobrir que compreender a migração exige menos paixão partidária e mais atenção ao que os números, as histórias e o tempo realmente dizem. COMPRO NA WOOK! » Fronteiras Perdidas, de José Eduardo Agualusa Neste conjunto de contos, o leitor atravessará paisagens em que o absurdo e o familiar se cruzam: um morto da guerra repousa numa caneca de leite em Luanda, um passageiro transforma-se em serpente num avião, um elevador no Recife é desviado para Cuba, um hotel abandonado guarda o eco de alguém que afirma ter dormido ali.
O livro propõe uma viagem por territórios de exílio e reencontro, entre o sonho, a vergonha, a pele, a memória e o feitiço. A leitura revela a ideia de que não existem sítios, apenas posições. A morada muda-se, o lugar de origem desvanece e as fronteiras perdem-se, num espaço em que o real e o imaginário se misturam e se tornam indissociáveis. COMPRO NA WOOK! » Juntos, estes livros formam um mapa de deslocações: entre países e tempos, entre verdades e ilusões, entre o medo de partir e a coragem de continuar. As suas páginas convidam-nos a pensar o movimento não apenas como deslocação física, mas como transformação interior. Porque migrar, literal ou metaforicamente, é sempre uma reinvenção, uma tentativa de regressar a casa, mesmo quando já não sabemos onde ela fica.

Depois de Morrer Aconteceram-me Muitas Coisas

de Ricardo Adolfo

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895833351
Editor: Companhia das Letras
Data de Lançamento: março de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 147 x 233 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 192
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895833351

Temática muito interessante, mas...

Maria Sobral Velez

Um título muito sugestivo e enigmático, um conteúdo pertinente e muito atual, um modo cativante de abordar o drama dos emigrantes, como seres " perdidos" numa terra estranha, num mundo , por vezes, bem hostil... Mas... os elogios dos críticos à linguagem inovadora é exagerado e cria expectativas infundadas no leitor: nível de língua com recurso ao calão e reprodução de diálogos com marcas de oralidade não são inovação literária no século XXI.

SOBRE O AUTOR

Ricardo Adolfo

Nasceu em Luanda em 1974. Viveu nos arredores de Lisboa, em Macau, em Amesterdão e em Londres. De momento vive em Tóquio com a mulher da sua vida. Escreveu os livros infantis Os monstrinhos da roupa suja e Minimini, o livro de contos Os chouriços são todos para assar e os romances Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas, Maria dos Canos Serrados, Tóquio vive longe da terra, e Mizé, antes galdéria do que normal remediada.
Para o cinema e a televisão escreveu Sara, vencedora de melhor série nos prémios Sophia e SPA 2019, e a longa metragem São Jorge, premiada no 73.º Festival de Cinema de Veneza. A sua obra está publicada de Portugal ao Japão.

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