Cursivo Menor

de António Vera
Editor: Kotter Editorial, junho de 2020 ‧
«Rosto de pai poeta, conhecedor, curioso, sensível, atento! Atas à palavra a emoção, memória e pensamento para teceres quadros, melodias de vida e cor sentidas…
Meu rosto de menino, meu filho! Quanto tempo foi preciso para me reveres tua mãe! Dar-te a mão e dizer-te: não te deixo só! Nunca mais naufragado num mundo sem sentido! Porque "o tempo e o pensamento partidos (…) esparralham-se, que nem cacos". Não mais despedidas, nem partidas, meu menino!… Guardados em mim ficam teus "soluços aflitos" que cavaram de oco o teu coração! que te fizeram sentir na vida a hipocrisia, o zero, a indiferença, perante essa dor aprisionada, culpada, sentida!…
Meu menino, pai, que não deixaste de procurar no outro, no verbo, um sentido! É verdade que silente ficaste, tantos anos… Mas não emudecido! que manancial de cultura insuspeitada ajuntaste! Tanto tempo foi preciso: o tempo e a distância para estancar a dor!…
Meu querido irmão! Rosto que admiro, mesmo sendo teu o "olhar muito cansado"! Como pudeste sobreviver, com tanta coragem! Como pudeste enfrentar o temor e "vir ao mundo outra vez, a fim de firmar a sombra, que deixei cair aos pés"! Coragem de te emudeceres tanto! Coragem de te desgarrares agora, vivo "baleote (…) queres a liberdade"!
Não pares, não pares agora de o fazer! Porque nos ensinas a crescer, a ver o mundo, a aprender outras paragens… Tua filha que te ama.»

Maria José Martins de Azevedo

Cursivo Menor

de António Vera

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895487004
Editor: Kotter Editorial
Data de Lançamento: junho de 2020
Idioma: Português
Dimensões: 129 x 199 x 18 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 226
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789895487004

SOBRE O AUTOR

António Vera

[José] António Vera [de Azevedo] nasceu em Lisboa, na freguesia das Mercês, a 22 de junho de 1923, e faleceu na mesma cidade a 26 de dezembro de 2012. Trabalhou desde muito novo: empregado no comércio, em seguros, na Contabilidade Pública e, de 1958 a 1987, nos serviços da Emigração como representante do governo português para os assuntos da emigração nos países de acolhimento e, mais tarde, como técnico superior, vindo a aposentar-se da ex-Secretaria de Estado da Emigração e Comunidades Portuguesas, naquele último ano. Ao serviço da Emigração fez inúmeras viagens, tendo-lhe sido necessário dominar fluentemente diversas línguas. Entre os cursos que completou destaca-se o de Política Social no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa de Lisboa. Também frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa. Entre 1947 e 1951 colaborou em várias publicações literárias, nomeadamente na Távola Redonda, fundada por António Manuel Couto Viana e David Mourão-Ferreira, na Seara Nova e Atlântico, e fez parte dos amigos da revista Árvore. Conviva e amigo dos poetas Daniel Filipe e Raul de Carvalho, confraternizou também com José Osório de Oliveira e José Terra. Mas, por dever de ofício e contínuas viagens, não lhe foi possível manter contactos estreitos com estes amigos e outros cultivadores das letras portuguesas. Ao empenho extremadamente dedicado de sua filha, Maria José Martins de Azevedo, se deve a publicação da sua obra poética, a qual compreende onze volumes: dez publicados em vida e um volume póstumo. António Vera é também contista e publicou um grande número de artigos ao longo de toda a sua vida.

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