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Crónica de uma Deserção

Retrato de um país

de Fernando Mariano Cardeira
Editor: Âncora Editora, março de 2021 ‧
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Nos últimos anos reacendeu-se em Portugal o interesse pelos testemunhos, escritos e orais, sobre a nossa história recente, sobretudo sobre os anos negros do Fascismo e da Guerra Colonial. As iniciativas públicas para dar palavra aos que tinham lutado contra o fascismo e contra a Guerra Colonial, têm sido escassas, talvez porque pareciam desnecessárias, ideia que tem vindo a ser desmentida por um crescente renascer de ideias fascistas que pensávamos enterradas para sempre.

Há muito que eu sentia a necessidade de uma clara afirmação da recusa da Guerra Colonial. Já em 1981 escrevera uma carta ao director de O Jornal a propor a abordagem do assunto e a disponibilizar o meu arquivo documental. O Jornal publicou apenas uma pequena notícia com o título "Eu fui desertor". Raramente é dada voz aos desertores e refractários que, aos milhares, recusaram participar na criminosa Guerra Colonial que Portugal conduziu em África durante quase 14 anos.

Quando comecei a escrever constatei que não podia resumir as minhas memórias ao importante episódio da deserção colectiva em que participei em 1970. Senti que era necessário ir mais além e deixar também um testemunho do que foi a minha vida até ao dia em que tomei a difícil decisão de deixar o país, a família e os amigos, para não ter que participar na guerra.

Crónica de uma Deserção

Retrato de um país

de Fernando Mariano Cardeira

Propriedade Descrição
ISBN: 9789727807604
Editor: Âncora Editora
Data de Lançamento: março de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 146 x 230 x 15 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 264
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Biografias
EAN: 9789727807604

SOBRE O AUTOR

Fernando Mariano Cardeira

Fernando Mariano Cardeira nasceu em Fanhais, freguesia da Nazaré, a 11 de outubro de 1943.
Frequenta o Liceu da Figueira da Foz, 1954-59, e o Liceu de Leiria, 1959-61. Ingressa na Academia Militar (AM) em outubro de 1961. Em 1965 ingressa no Instituto Superior Técnico como oficial-aluno da AM. Em 1968 requere o abate ao efetivo da AM por discordar da política colonial do governo.Reclassificado em Tenente-miliciano de Infantaria em Mafra, abril de 1969. Interrupção do curso de Engenharia, que vem a completar em 1977. Mobilizado para a Guerra Colonial em maio de 1970. Em 23 agosto de 1970 deserta a salto pela Serra do Gerês, e pede asilo político na Suécia.
Regressa a Portugal em junho de 1974. Reintegrado no Exército é convidado para Diretor de Informação da RTP, onde fica de abril de 1975 a abril de 1976. Funcionário dos Serviços de Apoio do Conselho da Revolução até agosto de 1979.
Completa o Curso de Engenharia Nuclear no Instituto National des Sciences et Techniques Nucléaires de Saclay, França, em setembro de 1980.
Em 1986 ingressa no Reator Português de Investigação como Supervisor. Aposenta-se em 2004. Representou Portugal em vários comités científicos da OCDE e da União Europeia. Foi um dos fundadores da Associação de Exilados Políticos Portugueses (AEP61/74) em 2015. É atualmente Presidente da Direção da Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória-NAM.

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