Cavalo Alado
Editor:
Editorial Minerva, dezembro de 2012 ‧
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SINOPSE
Cavalo Alado, Cavalo branco, alado / fora do meu jardim! /Aqui, só os unicórnios / podem pastar! - palavras de uma poética povoada por seres míticos, subitamente alados ou lentamente terrenos, cruzam-se desde este primeiro poema do livro também intitulado «Cavalo Alado», de José Júlio, configurando, logo à partida, dois paradigmas de distanciamento e oposição entre, por um lado, o dizer dos lugares e dos objectos presentes e, por outro lado, o sugerir dos sentimentos voláteis das vivências já idas. Estes dois paradigmas, longe de se manterem paralelos, cruzam-se e descruzam-se ao longo do livro, delineando como que uma longa história de vida, sempre interrompida pela intromissão desse nevoeiro da memória que revisita o breve momento do real, transformando-o em longa crença antiga.
A evocação do passado e os momentos de lembrança, caprichosamente, levam a temática da ilha (com seu mar, seus barcos, seus pássaros, seus cânticos, suas orações e suas palavras antigas, suas manhãs, suas noites, suas nostalgias e seus crepúsculos), a cruzar-se com a temática do sentimento amoroso, sendo este assumido pelo sujeito lírico com uma coragem de murmúrio secreto, quase confessional, que parece surgir do corpo ou da pele, tal como a poesia da pós-modernidade se atreveu a esboçar, e que a temática dos poetas, neste nosso século vinte e um, assume já sem pudor. Assim, a poesia de «Cavalo Alado» alia a descrição dos lugares à pureza da confidência do sentimento e, ainda, à sensualidade e beleza da sugestão dos corpos, que vivem uma sexualidade quase eufemística quando aliada à memória, ao desejo ou à referência cénica do quotidiano.
Nos poemas de José Júlio podemos ainda vivenciar o trabalho metalinguístico do poeta, que entretece o dizer da consciência da sonoridade e da escolha da palavra com a elaboração musical do poema e do seu espaço, quer na página quer na sequência de textos, consciente do efeito da marca da sua poética pessoal. Esta poética textual inicia-se no onírico e no mítico para depois atravessar os tão variados rios que enformam a memória da sensibilidade perante a vida e que a vão transformando, como que num painel de Escher, nos sobressaltos contínuos e surpreendentes da lembrança, como nos dizem algumas palavras do último poema, «Metamorfoses»:- ainda e sempre as metamorfoses...assim: por dentro do dentro / que está dentro. toca no estilete e dá flôr. espalha o pólen. Perde / o fio à meada. cai e esvoaça. em volta de si. aberta e fechada no / recôndito do mistério. telúrico. vulvar. nudez exposta por dentro / dos olhos. impalpável sensação de orgasmo. difusa e perene. O / corpo nos olhos. os olhos no corpo. as mãos. ausentes, na / busca. a boca fechada. o peito fremente, palpitante, esquivo. / ainda o corpo, o corpo verdade que se deseja. o corpo mentira / que se esconde, quer esquecer a memória dolorosa. / o autoconhecimento. / a febre que percorre o sangue e gela na cabeça. a / cabeça gela as memórias que teimam em ocupar o lugar do / desejo. a boca fechada. sempre.
Funchal, 21 de Outubro de 2012
Ana Margarida Falcão
A evocação do passado e os momentos de lembrança, caprichosamente, levam a temática da ilha (com seu mar, seus barcos, seus pássaros, seus cânticos, suas orações e suas palavras antigas, suas manhãs, suas noites, suas nostalgias e seus crepúsculos), a cruzar-se com a temática do sentimento amoroso, sendo este assumido pelo sujeito lírico com uma coragem de murmúrio secreto, quase confessional, que parece surgir do corpo ou da pele, tal como a poesia da pós-modernidade se atreveu a esboçar, e que a temática dos poetas, neste nosso século vinte e um, assume já sem pudor. Assim, a poesia de «Cavalo Alado» alia a descrição dos lugares à pureza da confidência do sentimento e, ainda, à sensualidade e beleza da sugestão dos corpos, que vivem uma sexualidade quase eufemística quando aliada à memória, ao desejo ou à referência cénica do quotidiano.
Nos poemas de José Júlio podemos ainda vivenciar o trabalho metalinguístico do poeta, que entretece o dizer da consciência da sonoridade e da escolha da palavra com a elaboração musical do poema e do seu espaço, quer na página quer na sequência de textos, consciente do efeito da marca da sua poética pessoal. Esta poética textual inicia-se no onírico e no mítico para depois atravessar os tão variados rios que enformam a memória da sensibilidade perante a vida e que a vão transformando, como que num painel de Escher, nos sobressaltos contínuos e surpreendentes da lembrança, como nos dizem algumas palavras do último poema, «Metamorfoses»:- ainda e sempre as metamorfoses...assim: por dentro do dentro / que está dentro. toca no estilete e dá flôr. espalha o pólen. Perde / o fio à meada. cai e esvoaça. em volta de si. aberta e fechada no / recôndito do mistério. telúrico. vulvar. nudez exposta por dentro / dos olhos. impalpável sensação de orgasmo. difusa e perene. O / corpo nos olhos. os olhos no corpo. as mãos. ausentes, na / busca. a boca fechada. o peito fremente, palpitante, esquivo. / ainda o corpo, o corpo verdade que se deseja. o corpo mentira / que se esconde, quer esquecer a memória dolorosa. / o autoconhecimento. / a febre que percorre o sangue e gela na cabeça. a / cabeça gela as memórias que teimam em ocupar o lugar do / desejo. a boca fechada. sempre.
Funchal, 21 de Outubro de 2012
Ana Margarida Falcão
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789725918234 |
| Editor: | Editorial Minerva |
| Data de Lançamento: | dezembro de 2012 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 145 x 209 x 5 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 104 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Poesia
|
| EAN: | 9789725918234 |