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Casa dos Mortos

A PIDE/DGS em Moçambique, 1964-1974

de Maria José Oliveira
Editor: Tinta da China, abril de 2026 ‧
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Um livro que reúne os artigos de investigação que desvendaram as provas documentais de homicídios, tortura, violações dos direitos humanos e crimes cometidos pela PIDE/DGS entre 1964 e 1974.

Entre Maio e Agosto de 1974, uma comissão de inquérito criminal — formada pelo Exército português em Moçambique — ouviu milhares de vítimas, testemunhas, funcionários da PIDE, da PSP e de vários órgãos da administração colonial sobre a violência sistemática e discricionária exercida pela polícia política contra civis na antiga colónia.

Ao longo desses meses, a Comissão abriu inúmeros processos-crime por homicídio e ofensas corporais e comprovou a prática quotidiana de tortura, violações dos direitos humanos e crimes de guerra cometidos nas instalações da polícia e nas cadeias oficiais e clandestinas. Até que, em Setembro de 1974, os trabalhos foram abruptamente encerrados e os processos documentais tiveram destino incerto.

O livro Casa dos Mortos, que nasceu como um conjunto de artigos de investigação jornalística e arquivística, desvenda pela primeira vez as provas documentais desta violência silenciada. Isso foi possível graças à descoberta, em finais de 2024, de uma Comissão de Verdade cuja existência nunca fora tornada pública e cujo trabalho estava guardado em 12 caixas no Arquivo PIDE/DGS, à guarda da Torre do Tombo.
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Os novos livros à volta do 25 de Abril

De uma brevíssima História da Revolução dos Cravos a uma investigação jornalística recente sobre a violência exercida pela PIDE/DGS contra civis em Moçambique, o 25 de Abril continua a fazer germinar novos livros. E como é importante descobrir o que nos revelam! Brevíssima História da Revolução dos Cravos O historiador Luís Nuno Rodrigues lança esta síntese rigorosa e acessível da Revolução dos Cravos, numa visão de conjunto sobre a sequência dos acontecimentos, os seus protagonistas e o seu significado histórico.
Para isso, analisa quatro dimensões essenciais da revolução e do processo que se lhe seguiu: a militar – os protagonistas decisivos da queda da ditadura e das principais decisões e confrontos políticos dos meses seguintes; a política – dos partidos políticos aos seus líderes que desenharam visões de futuro para o país; a popular, com a extraordinária onda de mobilização social, das greves e manifestações às ocupações de fábricas, escolas, terras e edifícios públicos, com vista a redefinir as bases da vida coletiva; e, por fim, a dimensão internacional – em plena Guerra Fria, a Conferência de Helsínquia de 1975 influenciou e foi influenciada pelo desfecho da Revolução de Abril, simbolizando o novo clima de desanuviamento entre as superpotências. COMPRO NA WOOK! » Memórias de Abril Do fundador do Programa do Movimento das Forças Armadas Portuguesas à Constituição da República, aprovada a 2 de abril de 1976, este livro regressa às raízes da Revolução. Através de comunicados, manifestos, telegramas, abaixo assinados e muitos outros documentos, revela como cada um — muitas vezes de forma decisiva — contribuiu para o 25 de Abril e para o período de transformação que se lhe seguiu.
Do “Documento dos Nove” ao Documento do COPCON, passando pela Lei da Descolonização, pela renúncia de Spínola e pelos discursos de Vasco Gonçalves no I Congresso da Intersindical, Memórias de Abril resgata do esquecimento os textos que também construíram o 25 de Abril. Um convite a revisitar, contextualizar e discutir estes documentos, testemunhos dos anos intensos em que a liberdade foi o caminho escolhido — e, finalmente, triunfou. COMPRO NA WOOK! » Casa dos Mortos Casa dos Mortos reúne os artigos de investigação jornalística e arquivística que trouxeram à luz provas documentais de homicídios, tortura, violações de direitos humanos e outros crimes cometidos pela PIDE/DGS entre 1964 e 1974. Entre maio e agosto de 1974, uma comissão de inquérito criminal — criada pelo Exército português em Moçambique — ouviu milhares de vítimas, testemunhas, agentes da PIDE, elementos da PSP e funcionários da administração colonial, revelando a violência sistemática exercida pela polícia política contra civis. A comissão abriu numerosos processos por homicídio e ofensas corporais e comprovou a prática quotidiana de tortura, abusos e crimes de guerra nas instalações oficiais e clandestinas da polícia. Em setembro de 1974, os trabalhos foram abruptamente interrompidos. Até que, no final de 2024, se descobriu uma Comissão de Verdade cujo arquivo permanecia esquecido à guarda da Torre do Tombo. COMPRO NA WOOK! » Uma História da África Lusófona Pós-Colonial A evolução política e social dos novos países nascidos com a descolonização portuguesa é apresentada de forma profunda e cuidada neste livro, desde que se tornaram independentes de Portugal, em 1974-1975. Angola, Moçambique Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe estão ligados por uma longa história colonial que remonta ao século XV, quando os portugueses contornaram o continente africano pela primeira vez. Os cabo-verdianos fixaram-se na Guiné, desempenhando um papel importante na sua administração e economia no século XX; os angolanos foram levados para São Tomé e Príncipe para trabalharem nas plantações de cacau e café, no século XIX; indianos de Goa estabeleceram-se em Moçambique, desde o século XVI. Estas e muitas outras marcas indeléveis do legado português têm nesta obra uma análise reveladora. COMPRO NA WOOK! » Mulheres, Terra e Revolução Dos latifúndios do Sul do país à agricultura familiar do Norte, as mulheres rurais portuguesas organizaram-se, enfrentaram a ditadura, participaram ativamente na Reforma Agrária e transformaram profundamente as suas comunidades. A partir do cruzamento entre fontes escritas e testemunhos orais, Mulheres, Terra e Revolução revela o papel central que estas mulheres desempenharam no processo revolucionário, recuperando e dando voz às suas histórias. Evidenciando continuidades e ruturas, conta como se construíram as identidades políticas femininas, mostrando que “elas também estiveram lá” — e que o seu contributo é indispensável para compreender a Revolução no mundo rural. COMPRO NA WOOK! »

Casa dos Mortos

A PIDE/DGS em Moçambique, 1964-1974

de Maria José Oliveira

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895950126
Editor: Tinta da China
Data de Lançamento: abril de 2026
Idioma: Português
Dimensões: 128 x 186 x 9 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 164
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > História > História de Portugal
EAN: 9789895950126

Um murro no estômago...

Mónica Canhoto

É inacreditável que não tenha havido uma investigação oficial para apurar os responsáveis pelas atrocidades cometidas nas prisões em Moçambique na década de 60 e até receberem a notícia do golpe de estado de abril de 74. Foi feita uma investigação muito superficial, alguns documentos guardados em caixotes e esquecidos num arquivo durante 50 anos. Permitiram que a documentação existente nestas prisões fosse praticamente toda destruída pelos criminosos responsáveis. No entanto é através da memória dos que sobreviveram que se sabe quais os crimes cometidos pelos guardas da pide/dgs. Interrogatórios que duravam dias, torturas e sevícias cometidas aos presos, das quais muitos não sobreviveram, execuções realizadas no mato, quando a família os procurava, a justificação era a fuga ou transferência para outra prisão. Corpos que nunca foram recuperados pelas famílias. Presos que só ficaram na lembrança de alguns que sobreviveram e que esclareceram a família como foram as últimas horas de vida. Outros que tinham "pneumonia" ou "paragem cardíaca" no atestado de óbito falseado Celas sobre lotadas onde não havia espaço para sentar ou deitar no chão. Os mortos ficavam vários dias a apodrecer nas celas até serem retirados. Um nó no estômago! Esta é a história do país onde nasci. Que não conheço mas que me entristece.

SOBRE O AUTOR

Maria José Oliveira

Maria José Oliveira é jornalista freelancer e investigadora-colaboradora do Instituto de História Contemporânea/IN2PAST da Universidade Nova de Lisboa. É mestre e doutorada em História Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Trabalhou no Público de 1996 a 2012, colaborou com a Visão História e o Observador, fez pesquisa arquivística e bibliográfica para as duas temporadas da série documental da RTP História a História, da autoria de Fernando Rosas, e faz investigação histórica para cinema. Colabora regularmente com os jornais Expresso, Público e Mensagem de Lisboa. Publicou o seu primeiro livro em 2017: Prisioneiros Portugueses na I Guerra Mundial. Frente Europeia, 1917-1918 (Saída de Emergência).

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