Casa dos Mortos
A PIDE/DGS em Moçambique, 1964-1974
SINOPSE
Entre Maio e Agosto de 1974, uma comissão de inquérito criminal — formada pelo Exército português em Moçambique — ouviu milhares de vítimas, testemunhas, funcionários da PIDE, da PSP e de vários órgãos da administração colonial sobre a violência sistemática e discricionária exercida pela polícia política contra civis na antiga colónia.
Ao longo desses meses, a Comissão abriu inúmeros processos-crime por homicídio e ofensas corporais e comprovou a prática quotidiana de tortura, violações dos direitos humanos e crimes de guerra cometidos nas instalações da polícia e nas cadeias oficiais e clandestinas. Até que, em Setembro de 1974, os trabalhos foram abruptamente encerrados e os processos documentais tiveram destino incerto.
O livro Casa dos Mortos, que nasceu como um conjunto de artigos de investigação jornalística e arquivística, desvenda pela primeira vez as provas documentais desta violência silenciada. Isso foi possível graças à descoberta, em finais de 2024, de uma Comissão de Verdade cuja existência nunca fora tornada pública e cujo trabalho estava guardado em 12 caixas no Arquivo PIDE/DGS, à guarda da Torre do Tombo.
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789895950126 |
| Editor: | Tinta da China |
| Data de Lançamento: | abril de 2026 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 128 x 186 x 9 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 164 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
História
>
História de Portugal
|
| EAN: | 9789895950126 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Um murro no estômago...
Mónica Canhoto
É inacreditável que não tenha havido uma investigação oficial para apurar os responsáveis pelas atrocidades cometidas nas prisões em Moçambique na década de 60 e até receberem a notícia do golpe de estado de abril de 74. Foi feita uma investigação muito superficial, alguns documentos guardados em caixotes e esquecidos num arquivo durante 50 anos. Permitiram que a documentação existente nestas prisões fosse praticamente toda destruída pelos criminosos responsáveis. No entanto é através da memória dos que sobreviveram que se sabe quais os crimes cometidos pelos guardas da pide/dgs. Interrogatórios que duravam dias, torturas e sevícias cometidas aos presos, das quais muitos não sobreviveram, execuções realizadas no mato, quando a família os procurava, a justificação era a fuga ou transferência para outra prisão. Corpos que nunca foram recuperados pelas famílias. Presos que só ficaram na lembrança de alguns que sobreviveram e que esclareceram a família como foram as últimas horas de vida. Outros que tinham "pneumonia" ou "paragem cardíaca" no atestado de óbito falseado Celas sobre lotadas onde não havia espaço para sentar ou deitar no chão. Os mortos ficavam vários dias a apodrecer nas celas até serem retirados. Um nó no estômago! Esta é a história do país onde nasci. Que não conheço mas que me entristece.
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