Caminhar no Gelo
EXCERTOS
«Outra pessoa apanhava de imediato um avião e estava em Paris numa hora e meia. Werner Herzog preferiu demorar três semanas, porque acreditava que quanto mais tempo demorasse mais tempo a sua amiga Lotte Eisner tinha para ficar boa. Ele confiava nos sonhos mais tresloucados, e nada impedia que aquela viagem de Inverno impedisse a morte de alguém. Herzog atravessa bosques, aldeias, rios, vinhas, passa por radares, locais históricos, inscrições religiosas, vê corvos, cães, veados, extasia-se com as estrelas, avança pelo vento e o nevoeiro, sofre a chuva e a neve.
Quando chegou a Paris, encontrou a quase octogenária Lotte doente mas estável. "Alguém lhe deve ter dito por telefone que eu tinha chegado a pé — eu não queria revelá-lo. Sentia-me embaraçado e pousei as pernas doridas num segundo sofá que ela empurrou para perto de mim." Em silêncio, ela agradece o esforço, ele está esfusiante por ter conseguido. Lotte Eisner morreu em 1983, e só não morreu nove anos antes porque em 1974 Werner Herzog não a deixou morrer.»
Pedro Mexia, do Prefácio
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789896710811 |
| Editor: | Tinta da China |
| Data de Lançamento: | abril de 2011 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 145 x 200 x 14 mm |
| Encadernação: | Capa dura |
| Páginas: | 128 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Literatura de Viagem
|
| EAN: | 9789896710811 |
OPINIÃO DOS LEITORES
Caminhar no Gelo com Herzog
Tatiana Marta Silva
Herzog estreou as suas botas, ia confiante. A certa altura, por serem novas, iniciou uma comunicação com elas. As dores de caminhar. Parece tão fácil falar, escrever, sobre caminhos, caminhantes e viajantes e só quando se tenta ser um deles se percebe a dificuldade de um mau calçado. Cada caminhada confronta-se com uma topografia, com um clima. As memórias adensam-se, misturam-se a cada etapa, acumulam-se, sobrepõem-se. . Por vezes desaparecem momentaneamente, sendo só respiração e passos. Observa-se calmamente. Por vezes passam por loucura e devaneio. Recorre-se à criatividade para aguentar e sobreviver à fome, ao cansaço, à simples necessidade de encontro com o nosso eu. É sem dúvida um tema apelativo. Talvez por ser universalmente compreendido, por nos estar na genética a necessidade de compreender o mundo, percorrendo-o. De vê-lo com os nossos próprios olhos. De sermos testemunhas do seu Criador Universal. Ou, talvez, de certa forma, de sermos seus co-criadores. Vale a pena conhecer a caminhada de Werner Herzog, que atravessa grande parte de dois países, apenas com um propósito: Não deixar Lotte Eisner morrer. Não já!
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