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Bisa Bia, Bisa Bel

de Ana Maria Machado; Ilustração: João Fazenda
Editor: Tinta da China, junho de 2023 ‧
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Autora distinguida com o Prémio Hans Christian Andersen, o maior galardão internacional para a literatura infanto-juvenil. Bel é uma menina cheia de imaginação e de perguntas sobre a vida, como convém. Ao encontrar uma fotografia antiga da bisavó, entra na sua vida a figura de Bisa Bia, com quem inicia um convívio imaginário. Levada até ao passado, e com a companhia da sua bisa, Bel começa a entender melhor o presente e a projectar o futuro. Deste cruzamento de tempos e vivências, surge uma só pessoa toda misturada, a menina Isabel, que nos revela de forma sensível e criativa as mudanças do papel da mulher na sociedade.
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Entrevista a Ana Maria Machado, a escritora que transcende gerações através da literatura infantil

Ana Maria Machado é autora de uma extensa obra literária e vencedora de importantes prémios de literatura infantil e de ficção. Em 2000, foi distinguida com o prémio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da Literatura infantil e, no ano seguinte, venceu o maior prémio Machado de Assis, o mais importante do Brasil, pelo conjunto da sua obra.

Nascida no Rio de Janeiro em 1941, ao longo de mais de 50 anos de carreira, publicou mais de cem livros em duas dezenas de idiomas, somando mais de 20 milhões de exemplares vendidos, sobretudo no género infantojuvenil, além de romances e ensaios. Foi a primeira escritora de livros infantis a presidir a Academia Brasileira de Letras.

Em entrevista ao wookacontece, conta como a escrita para crianças e a que se destina a adultos têm pontos comuns, e revela o seu maior desejo: continuar a viver, deslumbrando-se com as pequenas maravilhas que a vida lhe vai dando, dia a dia. Ana Maria Machado, foto © Henrique Machado ENTREVISTA

Quando decidiu que se queria dedicar à escrita?
Eu estava a escrever a minha tese de literatura para letras em 1969 quando me convidaram a participar numa nova revista de São Paulo. Procuravam autores novos que nunca tivessem escrito para crianças, que pudessem ter uma linguagem original e que não fosse muito redutora. Eu era jornalista, mas fiz a tentativa e deu certo. Em poucos meses, com todos os autores que foram selecionados, a revista estava a vender 200.000 exemplares por semana no Brasil, foi um sucesso estrondoso. Eu escrevia pelo menos uma história por mês e fui gostando do desafio. O que me atraiu foi a linguagem, a possibilidade de escrever de uma forma coloquial familiar muito brasileira e com linguagem literária com várias camadas de significado, com alusão a outras obras literárias. Pasado algum tempo, comecei a ganhar prémios de literatura infantil, mas continuei a escrever para adultos.

Vê-se mais como escritora de livros infantojuvenis ou romancista?
Dediquei-me aos dois géneros: escrevi muito mais títulos para os leitores infantis, mas escrevi muitas mais páginas para adultos. Nem sempre é a mesma coisa, mas muitas vezes é o mesmo tipo de problema – escrevo muito sobre a a liberdade, a importância de cada um optar pelos seus próprios caminhos, seja para adultos ou crianças – e, em ambos os géneros, tenho sempre uma preocupação muito forte com a linguagem.   «Bisa Bia, Bisa Bel [também] questiona o passado, fala de exílio e da liberdade.» Tendo trabalhado pela promoção do livro infantil, como vê o progresso alcançado?
Houve muitos projetos de incentivo à leitura, com a distribuição de livros nas escolas. Isso desenvolveu muito a educação e contribuiu para o surgimento de editoras específicas para livros infantis. O Brasil ganhou três prêmios Hans Christian Andersen, o maior reconhecimento internacional para os livros infantis, o que é muito raro no hemisfério sul, e é uma grande conquista.   Ao construir a narativa de Bisa Bia, Bisa Bel em torno da memória dos mais velhos e da projeção no futuro dos mais novos, pretendeu criar uma história transgeracional?
Sim, sendo que essa história vendeu 2 milhões e meio de exemplares no Brasil e atravessa as gerações. Todos os alunos que entram na escola leem o livro, que hoje é um clássico. Não é um livro só voltado para o passado, questiona-o também. Inclusive, fala de exílio e da liberdade, da constituição de uma democracia – tudo isso está no livro, em termos abstratos, porque é um livro para crianças, mas inspirado em situações concretas.

A história do livro é de alguma forma inspirada na sua vida pessoal?
Tudo tem sempre a ver com a nossa vida. Escrevemos sobre o que vivemos, observamos ou sonhamos e imaginamos. Eu falo das minhas avós aos meus filhos, e o livro tem recordações minhas como neta, na personagem da menina [Isabel]. Desenvolve-se em torno de uma experiência pessoal, mas não de forma biográfica.   «Escrevemos sobre o que vivemos, observamos ou sonhamos e imaginamos.» Escrever livros para crianças, e receber a reação delas, mudou a sua vida?
Devido ao sucesso dos livros infantis que escrevi, visitei muitas escolas e convivi muito com crianças, além de ter tido uma livraria para crianças durante quase 20 anos. A reação que me chega das crianças realimenta-me muito.

Vai lançar um novo livro em breve?
Há um livro que vai sair agora que se chama Sem Fim, Joaquim, que é história de um menino perplexo diante da finitude das coisas: onde o acaba o mar, quantos dias ainda vão existir, quantos grãos de areia existem na praia, quanta gente existiu antes de nós, quantas folhas há em todas as árvores do mundo… Ao estar aqui a conversar consigo vejo como vai buscar a alegria das pequenas coisas para transmitir grandes ideias. Ainda tem muitos projetos para realizar?
O meu projeto é ficar viva. Estou com 82 anos, com esta juventude [risos], então realmente o meu projeto é ficar ativa, viajar sozinha como viajo e continuar a fazer aquilo que tenho vontade de fazer, incluindo escrever. Gosto muito de viver. Tive um cancro muito violento há 40 anos, passei um ano a fazer quimioterapia e fisioterapia, quase sem poder sair. Nessa ocasião, eu tinha filhos pequenos e ter sobrevivido a isso dá-me um apreço à vida, uma alegria de viver enorme. Sou uma privilegiada por poder estar aqui a conversar. Hoje de manhã, acordei, abri a janela e pensei «meu Deus, que nevoeiro lindo!». Talvez porque eu venha de um país de muito sol, o nevoeiro tem um ar misterioso, lembra-me livros que li e filmes que vi, sugere coisas que podem surgir de repente, que não estamos a ver. Tenho um encantamento diante da vida. Vivi uma ditadura, fui perseguida política, vivi no no exílio, tive uma doença forte, perdi pessoas que eu amava muito, então, tudo isso faz com que eu me apegue muito ao que a vida tem de bom.   «Vivi uma ditadura, fui perseguida política, tive uma doença forte, e sobrevivi. Gosto muito de viver.»

Bisa Bia, Bisa Bel

de Ana Maria Machado; Ilustração: João Fazenda

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896717612
Editor: Tinta da China
Data de Lançamento: junho de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 158 x 205 x 11 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 104
Tipo de produto: Livro
Coleção: Pererê
Classificação Temática: Livros em Português > Infantis e Juvenis > Livros Infantis de Ficção > Infantil (até 6 anos)
EAN: 9789896717612

SOBRE O AUTOR

Ana Maria Machado

Ana Maria Machado nasceu no Rio de Janeiro em 1941. Tem mais de cem livros publicados, entre os quais nove romances, oito ensaios e dezenas de títulos de literatura infantojuvenil, estando amplamente traduzida. Formou-se em Letras na Universidade do Brasil e lecionou na UFRJ e na PUC-RJ. Fez parte da resistência dos professores durante a ditadura militar e, após ser presa pelo governo militar, exilou-se na Europa em 1969. Nesse período, trabalhou como jornalista (BBC Londres, Elle francesa), escreveu contos para crianças publicados na revista brasileira Recreio e lecionou na Sorbonne. Em Paris, concluiu um doutoramento em Semiologia, orientado por Roland Barthes. Em 1972 regressa ao Brasil, continua a colaborar com a imprensa e publica o primeiro livro infantojuvenil, Bento que Bento é o Frade, em 1977. O reconhecimento mundial da obra de Ana Maria Machado aconteceu em 2000, quando recebeu o Prémio Hans Christian Andersen, o mais importante no âmbito da literatura infantojuvenil, e foi agraciada no Brasil com a Ordem do Mérito Cultural. Recebeu ainda, entre outros, o Prémio Jabuti (1978) e o Prémio Machado de Assis (2001). Em 2003, Ana Maria Machado tornou-se a primeira escritora de livros infantojuvenis eleita para membro da Academia Brasileira de Letras, que presidiu entre 2012 e 2013.

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