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Benoni

de Alexandre Andrade
Editor: Relógio D'Água, outubro de 2016 ‧
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«Entre a cidade e a vila, entre o seu manuscrito e a inércia, assim vivia Benoni. Nada o ligava àquela pequena povoação do interior, exceção feita a um punhado de amigos chegados, também eles, na sua maior parte, visitantes de ocasião, que para ali confluíam periodicamente. Quanto ao resto, nem memórias, nem aspirações, muito menos raízes. Talvez por isso mesmo não acreditava que a atração sentida por aquele lugar pudesse ser apenas um capricho persistente ou um efeito secundário. Sem hesitar, e sempre que lhe era possível, largava tudo e vinha ali passar uns dias. (…) «Era naquela época que despontavam as flores, as invejas e os amores. As flores, naturalmente, as invejas, lentamente, os amores em sobressalto. Benoni nem se atrevia a tentar calcular quantos palermas faziam a corte à jovem Lia, por cada ano que passava. A acreditar no que se contava à boca cheia, ninguém, nem sequer o velho e embrutecido taberneiro (especialmente o velho e embrutecido taberneiro) se mostrara insensível aos seus encantos. Tudo começava com uma manhã passada ao nível da terra fria, esperando o momento em que Lia surgiria caminhando em beleza, como a noite de um clima sem nuvens e de céus estrelados, em busca de água para si e para o seu avô, este confinado a uma cadeira de rodas e à amargura. "A pequena vai buscar água, e é tudo? Não se passa nada de escabroso?", estranhava Benoni, conversando com potenciais, atuais ou pretéritos.»

Benoni

de Alexandre Andrade

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896416324
Editor: Relógio D'Água
Data de Lançamento: outubro de 2016
Idioma: Português
Dimensões: 152 x 232 x 19 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 288
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789896416324

SOBRE O AUTOR

Alexandre Andrade

Alexandre Andrade reside em Lisboa, onde nasceu em 1971. É professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Publicou Aqui Vem o Sol (Quasi, 2005) e as recolhas de contos As Não-Metamorfoses (Errata, 2004) e Quartos Alugados (Exclamação, 2015). Na Relógio D’Água editou O Leão de Belfort (2016), Benoni (2016), Cinco Contos sobre Fracasso e Sucesso (2017), Descrição Guerreira e Amorosa da Cidade de Lisboa (2017), que obteve o Prémio PEN Clube de Narrativa 2017, Todos Nós Temos Medo do Vermelho, Amarelo e Azul (2019) e A Prima do Campo e a Coisa Pública (2020). Colaborou nas revistas aguasfurtadas, Ficções, Granta e LER, entre outras. Participou nas recolhas de contos Mosaico (Editorial Escritor, 1997) e Onde a Terra Acaba/From the Edge (ULICES/CEAUL/101 Noites, 2006), e ainda na edição de 2007 da iniciativa PANOS — palcos novos palavras novas com a peça Copo Meio Vazio (Culturgest, 2007). É autor do blogue umblogsobrekleist (umblogsobrekleist.blogspot.pt) e coautor do blogue Cinéfilo Preguiçoso (cinefilopreguicoso.blogspot.pt).

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