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As Últimas Linhas Destas Mãos

de Susana Amaro Velho
Livro eBook
Editor: Casa das Letras, setembro de 2025 ‧
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Depois da morte da mãe, Teresa herda um caixote de cartas antigas, fotografias sem data e pequenos objetos de valor insignificante. Escritas ao longo de décadas por uma mulher que assina com o mesmo nome da mãe, Alice, mas que fala de amores clandestinos, lugares que a filha não reconhece, de despedidas que parecem dirigidas a alguém que não ela.

Nas entrelinhas dessas palavras, começa a desenhar-se uma história paralela à que lhe foi contada, à que viveu, àquela a que tentou a custo sobreviver: feita de omissões, de vidas vividas à margem do possível, uma narrativa subterrânea que emerge em frases soltas, por vezes, desconcertadas, que despem uma desconhecida. 

No regresso à casa da infância, Teresa procura reconstituir a figura da mãe: quem foi esta mulher antes de se deixar domesticar, antes de ceder o corpo e a linguagem ao papel de esposa e mãe?

Na ressonância das cartas que percorre, Teresa descobre o que acontece quando o amor não cabe na vida que se escolheu viver. 

As Últimas Linhas Destas Mãos

de Susana Amaro Velho

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895815937
Editor: Casa das Letras
Data de Lançamento: setembro de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 157 x 236 x 16 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 256
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895815937

...

SC

Quando adquiri este livro desconhecia que se tratava de uma reedição de uma obra lançada há já uns anos. Comprei-o de imediato porque li "O Bairro das Cruzes" e gostei bastante da estória e da escrita. No entanto, quando comecei a ler este livro percebi logo que já tinha mais tempo. E passarei a explicar o motivo... Não obstante a escrita soar cuidada, mais que isso soa a forçada. Quer dar a entender uma espécie de poesia em forma de prosa, mas quando isso não surge naturalmente, ou seja, quando nos é impingido o resultado não pode ser positivo. Ademais, quer usar uma linguagem mais erudita numa estória que mais não é que um romance de cordel parece-me demasiada presunção. E sim, apesar de abordar inicialmente questões de saúde mental que até são pertinentes, a autora optou pelo caminho mais fácil e "desculpou" certos desvios de carácter com depressão... Demasiado folhetinesco e presunçoso para o meu gosto, pelo que não recomendo.

Trágico mas belo

Andreia Machado

4.5 ¿ A Susana tem o dom raro de escrever tragédias com uma beleza desarmante. Em ''As últimas linhas destas mãos'', ela expia as dores de uma mulher aprisionada numa vida que nunca escolheu, uma existência moldada pelo medo de desiludir, pela opressão de uma sociedade patriarcal e fechada, ainda antes do 25 de Abril. Mais uma vez, a autora explora com mestria os meandros das relações familiares, os segredos que escondemos e a vida que os pais têm para além dos filhos. A depressão e as suas origens conduzem-nos numa viagem pela vida desta mulher e pelas consequências das suas escolhas, tanto na sua própria vida como na das pessoas que a rodeiam. Escolhas essas que nascem da forma como a sociedade vive e daquilo que é moralmente aceite. São sonhos reprimidos, um amor intenso mas impossível aos olhos dela. Uma dor permanente, constante e quase palpável em cada palavra das cartas e dos diários que vamos lendo ao longo do livro. A escrita da Susana neste seu primeiro romance lembra o que nos deixou em Descansos: uma prosa embelezada pela poesia e pelos textos, por vezes quase oníricos, de Alice, que me fizeram ler devagar, saboreando cada página. Uma nota especial para a belíssima referência ao poema “Contigo”, de Eugénio de Andrade. O mistério demora a infiltrar-se no leitor, mas quando acontece, ficamos irremediavelmente presos à narrativa até ao fim. A forma como a trama nos é apresentada, através da narração na primeira pessoa de várias personagens, enriquece o texto e permite-nos ver a mesma mulher sob diferentes prismas, revelando os valores, os princípios e as feridas de cada uma das vozes que a contam. Mais uma vez, a história do país e os costumes da época entrelaçam-se com a vida das personagens, tornando a narrativa ainda mais profunda e humana. Gosto de ler a Susana porque sei que, em algum momento, ela me vai quebrar, e porque me obriga a um exercício imenso de empatia com as suas personagens. Este livro não foi diferente, conquistou-me devagarinho, mas terminei em lágrimas, com uma vontade imensa de abraçar a Alice.

SOBRE O AUTOR

Susana Amaro Velho

Susana Amaro Velho nasceu em Mafra em março de 1986. Estudou Jornalismo e Solicitadoria e trabalha atualmente como freelancer na área da comunicação.
Publicou o seu primeiro romance em 2017. Em 2022, foi a primeira autora portuguesa a integrar a chancela Aurora, com Inquieta, onde também viria a reeditar Bairro das Cruzes. Participou no projeto coletivo O Sono Delas e, em 2024, publicou Descansos, distinguido pela revista NiT como Melhor Livro do Ano.
Vive numa aldeia, entre o sossego e o caos feliz de uma casa com três filhos pequenos. As Últimas Linhas Destas Mãos, o seu romance de estreia, é agora reeditado numa edição totalmente revista.

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