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Ara Guler'S Istanbul

de Ara Guler
idioma: inglês
Editor: THAMES & HUDSON LTD, outubro de 2009 ‧
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A photographic record of daily life in Istanbul from the 1940s to the 1980s. It shows the city's melancholy aesthetic as it oscillates between tradition and modernity.

Ara Guler'S Istanbul

de Ara Guler

Propriedade Descrição
ISBN: 9780500543863
Editor: THAMES & HUDSON LTD
Data de Lançamento: outubro de 2009
Idioma: Inglês
Dimensões: 223 x 276 x 25 mm
Encadernação: Capa dura
Páginas: 184
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Inglês > Arte > Fotografia
Livros em Inglês > Outros
EAN: 9780500543863

Até Breve, Istambul

Carlos Romero

Há pouco mais de um ano passei uma semana em Istambul, numa jornada fotográfica com um grupo de uma dúzia de pessoas. Aconteceu comigo aquilo que, pelos vistos, acontece com muitos outros que um dia resolvem visitar a cidade distribuída por dois continentes, separados pelo Bósforo: vou ter de lá voltar! As atracções mágicas e irresistíveis, são, como as paixões, difíceis de explicar, mas todos tentam penetrar-lhes os segredos. E qual é, afinal, o segredo de Istambul? Para mim, que gosto de gatos, o segredo da cidade está nos seus pequenos felinos, esparramados nos muros, nas janelas, nas praças ou nas campas dos cemitérios, tratados como reis pelos istambulenses. Não, talvez não sejam os gatos. Talvez o segredo esteja nos fumos dos vapores do Bósforo descritos por Orhan Pamuk no seu belíssimo livro de memórias da cidade, entretanto desaparecidos por via da eficiência dos modernos motores eléctricos e a diesel, mas que se pressentem misturados na neblina que paira sobre as águas. Ou serão as parecenças com o Porto, de ruas estreitas e escurecidas pela fuligem, de casas finas e altas, feitas cascatas sanjoaninas como as viu Carlos Tê? Ou serão as mesquitas, tantas, recortadas contra o céu e ainda hoje dominantes sobre o casario de uma cidade que, pelo menos no seu centro mais famoso, mantém o domínio da arquitectura divina sobre as construções terrenas? Serão os dulcíssimos lokum e baklava? Ou as delícias culinárias de Musa Dagdeviren, no seu restaurante na parte asiática da cidade? Para os preguiçosos como eu, há uma forma de explicar a magia de Istambul. Por interposta pessoa. Por interposto fotógrafo: Ara Guler. A Thames & Hudson publicou um livro com umas largas dezenas de fotografias de Ara Guler que abarcam o período que tem início nos anos cinquenta e vai até aos anos oitenta do século passado. É de uma Istambul escurecida, triste, desanimada e profundamente melancólica, carregada de destroços de um império, o otomano, cuja fulgurante grandeza ainda se vislumbra nos palácios e mesquitas espalhadas pela cidade ou nas casas decrépitas dos antigos senhores nas margens do Bósforo. A cidade já lambeu as feridas das glórias irremediavelmente perdidas e sente-se hoje, por todo o lado, mas sobretudo em ruas e avenidas como a ocidentalizada Istiklal, uma desenvoltura e uma confiança que deixaram para trás os anos mais negros de Istambul, tão presentes nas memórias de Pamuk.

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