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Annie John

de Jamaica Kincaid
Livro eBook
Editor: Alfaguara Portugal, abril de 2024 ‧
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Declinando um tema universal — a perda da infância —, este romance de Jamaica Kincaid conta a assombrosa história de Annie, uma protagonista de inesquecível rebeldia que fez nascer uma voz literária incontornável.

Filha única adorada, Annie vive uma infância idílica numa ilha paradisíaca do Caribe. O centro do seu pequeno mundo é a mãe, presença poderosa e benigna, de quem é inseparável. Mas, como em todos os paraísos, há uma serpente à espreita em algum recanto. Quando faz doze anos, tudo muda: começa a questionar o seu pequeno universo insular; revolta-se na escola; estabelece intensas amizades com outras raparigas; e a relação simbiótica com a mãe, até então seu porto seguro, transfigura-se em tensão e rivalidade.

O desvio na rota prossegue, de formas misteriosas até para a própria Annie: resiste ao casamento como destino inevitável; teme o futuro na ilha; cai sem remédio na melancolia do espírito. Quando chegam ao fim os anos de escola, Annie decide abandonar a ilha e a família. Nesta viagem sem retorno, leva consigo o luto pelo amor da mãe, o luto pela própria inocência.

Com notável mestria literária, Jamaica Kincaid exibe neste romance a sua voz encantatória e pungente, irónica e inconformista. Annie John é uma narrativa universalmente familiar, que desata o nó dos complexos laços maternos e abre caminho a todas as descobertas.

«Uma escritora irresistível e avassaladora, esplêndida na sua simplicidade.»
Susan Sontag

«Que escritora! Elegante, intransigente, simultaneamente direta […] e complexa.»
Ali Smith

«Os livros de Jamaica Kincaid são crus, excessivos e, sobretudo, belíssimos, porque obedecem ao desejo antigo e crucial de procurar com afã, até se encontrar um pouco de beleza entre as ruínas.»
Alejandro Zambra

«Uma história tão comovente e reconhecível, que todos podemos ver-nos refletidos nela. Essa é a maior força do romance: a sua sabedoria e autenticidade.»
The New York Times Book Review

«Não recordo nenhum outro escritor cuja voz contenha tamanha intensidade de raiva e de amor. É uma sonoridade mágica, litúrgica, cheia de música.» Mona Simpson, The Paris Review

«Uma prosa cirúrgica, irónica e impressiva. […] Jamaica Kincaid transcende o tempo e a categorização. […] É uma das grandes cronistas das dinâmicas de família no século XX.»
Jane Smiley, The Guardian

«Jamaica Kincaid reuniu, neste breve romance de histórias interligadas, um conjunto de valiosas intuições sobre a complexa relação entre mães e filhas.»
The New York Times

«Um romance cuja poesia assenta nos pormenores e numa cuidadosa representação da vida da heroína adolescente.»
The Washington Post

«Uma das mais respeitadas escritoras da literatura norte-americana. […] Fundamental.»
El Periódico

«Fontes bem informadas em Estocolmo sussurram há vários anos o nome de Jamaica Kincaid como séria candidata ao Prémio Nobel de Literatura.»
La Vanguardia

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Magia que o Nobel nos deu

Os escritores tiveram todo o trabalho e o mérito é deles e de ninguém mais. Mas o Nobel tem esta capacidade de meter os tradutores a dar-lhe gás. Feito o anúncio em Estocolmo, os livros que alguém escreveu num quarto ganham asas e vão para o mundo inteiro. ANNIE JOHN
JAMAICA KINCAID
É o primeiro romance de Jamaica Kincaid – oito capítulos que foram oito fascículos publicados na New Yorker. Quem o ler e conhecer a vida da autora depressa entenderá os pontos em comum, principalmente mais para o fim: aos 16 anos, a autora foi enviada pela família para os Estados Unidos para trabalhar tomando conta de crianças e enviar dinheiro para a família. Foi onde tinha de ir, mas nunca enviou nada e, a partir daí, iniciou o seu percurso de libertação do passado. A literatura foi a porta para isso, para a ida para o futuro. Ora, viver andando em frente é o que safa Annie John da pequenez das coisas, da vida que lhe querem impor. Annie tem uma relação tensa com a mãe, que de amada vira odiada, no que representa uma espécie de paraíso perdido da infância. Enquanto explora este núcleo familiar, Kincaid explora ainda a vida de um país, e a forma como a cultura cria papéis consoante o sexo e a classe, impondo decisões. PARAÍSO
ABDULRAZAK GURNAH
Este foi recente, e levou o escritor tanzaniano a várias línguas. Quando Gurnah recebeu o Nobel da Literatura, em 2021, tinha apenas um livro publicado em Portugal, editado pela Difel, editora já extinta. Claro, a partir daí, lá veio ele em força em bruta, estando agora a ser editado pela Cavalo de Ferro. Como tantos outros em Portugal, só o li após o prémio, e comecei com Paraíso. Impressionou logo na primeira página, e o resto do enredo só serviu para agarrar mais. A história não é feita para unicórnios: Yusuf, miúdo de 12 anos, é vendido pelo pai a um comerciante. Outrora filho, hoje escravo, nas mãos de um homem a quem chamava tio e virou dono, Yusuf participa numa expedição no interior do continente, ele que vivia na África Oriental. As descrições de Gurnah são de tal forma ricas que quase lhes sentimos o sabor na boca, e andamos de sensação em sensação entre as paisagens longas, as tribos hostis, as rivalidades, a multiplicidade de povos, e isto em vésperas de estalar pelo mundo a primeira Grande Guerra. VOZES DE CHERNOBYL
SVETLANA ALEXIEVICH
Em vez de um livro, parecem vários, porque há dezenas de vozes, dezenas de histórias. Chernobyl tem muito que se lhe diga, impactou muitas vezes, deu cabo de outras tantas. Em 1986, bem se sabe, a cidade ucraniana foi palco do pior desastre nuclear da história do planeta: um reator teve um problema técnico e soltou-se uma nuvem radioativa que contaminou o meio envolvente, animais, gente. As autoridades soviéticas tentaram ocultar a gravidade do que aconteceu, mas de pouco lhes valeu. Neste livro, Aleksievitch conta a história, na primeira pessoa, de centenas de pessoas que viveram a tragédia. Ali dentro, está tudo, está a vida real: gente normal, civil, que vivia o seu quotidiano até este ser interrompido, e logo em força bruta; e também gente que pertencia às forças soviéticas que tentaram esconder a tragédia. Para fazer este livro, a autora fez mais de 500 entrevistas. O resultado é surpreendente, do ponto de vista humano, literário e técnico, com monólogos cruzados. A INFÂNCIA DE JESUS
J. M. COETZEE
É genial. É tudo genial: o autor, o livro, o rapaz. O rapaz cruza os mares com um homem e juntos chegam a uma nova terra, onde têm de aprender uma nova língua e ganhar um novo nome. O homem passa a Simón, o rapaz é David. A partir daqui (aliás, antes disto também), a narrativa tem um quê de alucinante. Simón arranja emprego entre estivadores que, volta e meia, se metem com discursos filosóficos. Extenuado devido ao trabalho físico, pelo meio ainda tenta encontrar a mãe de David. Problema: ele, como os outros que ali chegam, está despido de memórias, embora se alimente da ideia de que, assim que vir a mãe, irá reconhecê-la. Ao ver uma mulher, não só se convence de que esta é a mãe dele como a convence a tratá-lo como um filho. Enfim, a partir daí, a coisa é quase bíblica: David é todo mistério, todo elevação, todo capacidade de tocar os outros, todo cheio de certezas. Tem uma inteligência aguçada, uma forma de sonhar que é invulgar. Também há ali um quê de rebeldia. E, sobretudo, há entre quem o rodeia o mesmo que no leitor: a ideia ténue de que há ali qualquer coisa que foge ao comum de nós. CRÓNICAS DO LUGAR DO POVO MAIS FELIZ DA TERRA
WOLE SOYINKA
É uma grande construção, e surpreende, mais não fosse, pela capacidade que o autor tem de empilhar tijolo em cima de tijolo de forma tão orgânica. Aqui, temos uma Nigéria imaginada, cujos limites são os da cabeça do autor. Existe um empreendedor que enriquece a vender partes de corpos humanos, que são depois usadas em rituais. Menka, cirurgião num hospital, apercebe-se de que o seu local de trabalho é o centro do fornecimento, e ei-lo então a querer parar com aquilo, com a ajuda de Pitan-Payne, seu antigo colega de escola, agora engenheiro reputado, prestes a aceitar um emprego nas Nações Unidas. Com isto, Soyinka desenvolve um romance profundo, quase em jeito de thriller político: é que o empreendedorismo não é um esquema fácil e rápido, faz parte de uma teia, e travá-lo não é coisa de “dá cá aquela palha”. Menka e Pitan-Payne deparam-se com um fenómeno em que moram tantos outros, entrelaçados pela corrupção política e social e pelos abusos de poder. E o trabalho de linguagem, que casa tudo isto, é soberbo. DEUS AJUDE A CRIANÇA
TONI MORRISON
Tem uma prosa irrepreensível e um conjunto de personagens formidáveis – não há nada de épico, só mundano. Não só é quanto basta como é mesmo quase tudo. À cabeça do livro, há um conflito de pele dentro da família: a mãe é mais escura do que a filha, e isso chega para lhe negar o amor total. Bride, a filha, é confiante, bem-sucedida, bela, escura. Sweetness, a mãe, é mais clara, e impede-se de amar a filha sem ter noção dos estragos que provoca – e sem perceber que o que se faz a uma criança lhes vai arder a vida inteira. O romance, que podia ser sobre esta família, é sobre uma coisa bem maior: o estado de infância como a fundação de tudo e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento da vida. Boa ou má, afeta as décadas do porvir. Lido o livro, fica claro que ninguém passa incólume pelos primeiros anos.

Annie John

de Jamaica Kincaid

Propriedade Descrição
ISBN: 9789897876134
Editor: Alfaguara Portugal
Data de Lançamento: abril de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 235 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 192
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789897876134

Arrebator

Dora Silva Livros à Lareira com Chá

Foi uma descoberta maravilhosa que recomendo! Um livro muito tocante e bonito. Recomendo mesmo muito!

Uma viagem sem retorno

Dora Silva Livros à Lareira com chá

Um livro baseado em factos reais, uma personagem marcante que transporta em si o peso do luto. Há viagens que são inevitáveis. Gostei muito mesmo desta obra e recomendo

SOBRE O AUTOR

Jamaica Kincaid

Jamaica Kincaid, pseudónimo de Elaine Potter Richardson, nasceu na ilha caribenha de Antígua e Barbuda, em 1949. Aos dezassete anos, viu-se forçada a abandonar os estudos e a emigrar para Scarsdale, Nova Iorque, de modo a contribuir financeiramente para a subsistência da família. Kincaid, contudo, haveria de renunciar ao jugo familiar e apenas voltaria à sua ilha natal vinte anos mais tarde. Entre 1976 e 1995, foi staff writer da revista The New Yorker. O seu romance de estreia, Annie John, foi publicado em 1985 e reconhecido em 2010 com a Medalha Clifton Fadiman do Center for Fiction. Seguiram-se os romances Lucy, Autobiography of my mother, Mr. Potter e See now then, além de volumes de contos e de não-ficção. A sua obra literária, traduzida em mais de vinte idiomas, tem sido transversalmente aclamada pela crítica, pela academia, pelos leitores e pelos pares. Ao longo das décadas, Kincaid — frequentemente apontada para o Prémio Nobel de Literatura — tem visto o seu trabalho reconhecido com importantes prémios e distinções Guggenheim Award for Fiction (1985), Lannan Literary Award for Fiction (1999), Prix Femina Étranger (2000), Dan David Prize in Literature (2017), Royal Society of Literature International Writer (2021), Paris Review Hadada Prize (2022). Doutorada honoris causa em Humanidades pelas universidades de Colgate, Tufts e Brandeis, Jamaica Kincaid é membro da American Academy of Arts and Letters e da American Academy of Arts and Sciences, e professora de Estudos Africanos e de Estudos Afro-Americanos na Universidade de Harvard. Inédita em Portugal até à publicação de Annie John, a sua obra continuará a ser publicada na Alfaguara.

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