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Animais do Ocaso
Editor:
Editora Exclamação, setembro de 2021 ‧
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SINOPSE
«XI
Nos olhos a paisagem repousa os meridianos cansados da geografia: ao longe, uma ilha debate-se desesperadamente na espuma; dois turistas andaluzes passeiam o bronzeado dos seus corpos; um castelo emerge da húmida areia que os dedos longos da menina arquitectam e um cão corre atrás do sol (agitando a sua grácil cauda) que se deita sobre o ténue tecido do horizonte. Tudo é mar à volta e um punhado de palmeiras absortas. Sobre a velha esteira dois amantes conversam sobre temas abstractos enquanto desfolham a revista que os transporta a inusita - dos destinos: Samoa, Fidji, Barbados, Macau, Madagáscar, Kathmandu. Tudo é mar à volta e, agora que, de súbito, a noite se interpõe, misteriosa e altiva, já não falo do azul mas do outro, o mar vermelho de sangue que em Mogadíscio amputa os braços, as pernas e a esperança de uma criança para alimentar os abutres que planam sobre a fria dactilografia do The Wall Street Journal ou os que açambarcam o preço dos diamantes nas ruas tristes de Libreville. Tudo é uma questão relativa: terrorista pode ser quem tem um lápis apontado a uma folha. Bastam três versículos de um qualquer livro para que a morte te alcance (ridícula como uma carta de amor); gastas pelo tempo estão as moedas de prata, as mesmas que fazem novos Judas beijarem outros homens ou as que fizeram Jesus Cristo ser roubado e esfaqueado aos olhos de todos, aqui perto, no Xiquelene. Neste país, onde escrever é crime, eu escondo o meu diário como quem esconde a sua munição. »
Nos olhos a paisagem repousa os meridianos cansados da geografia: ao longe, uma ilha debate-se desesperadamente na espuma; dois turistas andaluzes passeiam o bronzeado dos seus corpos; um castelo emerge da húmida areia que os dedos longos da menina arquitectam e um cão corre atrás do sol (agitando a sua grácil cauda) que se deita sobre o ténue tecido do horizonte. Tudo é mar à volta e um punhado de palmeiras absortas. Sobre a velha esteira dois amantes conversam sobre temas abstractos enquanto desfolham a revista que os transporta a inusita - dos destinos: Samoa, Fidji, Barbados, Macau, Madagáscar, Kathmandu. Tudo é mar à volta e, agora que, de súbito, a noite se interpõe, misteriosa e altiva, já não falo do azul mas do outro, o mar vermelho de sangue que em Mogadíscio amputa os braços, as pernas e a esperança de uma criança para alimentar os abutres que planam sobre a fria dactilografia do The Wall Street Journal ou os que açambarcam o preço dos diamantes nas ruas tristes de Libreville. Tudo é uma questão relativa: terrorista pode ser quem tem um lápis apontado a uma folha. Bastam três versículos de um qualquer livro para que a morte te alcance (ridícula como uma carta de amor); gastas pelo tempo estão as moedas de prata, as mesmas que fazem novos Judas beijarem outros homens ou as que fizeram Jesus Cristo ser roubado e esfaqueado aos olhos de todos, aqui perto, no Xiquelene. Neste país, onde escrever é crime, eu escondo o meu diário como quem esconde a sua munição. »
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789895329601 |
| Editor: | Editora Exclamação |
| Data de Lançamento: | setembro de 2021 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 155 x 215 x 7 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 120 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Poesia
|
| EAN: | 9789895329601 |
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