Alvo Noturno

de Ricardo Piglia
Editor: Editorial Teorema, novembro de 2011 ‧
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Corre o ano de 1972, os argentinos esperam o regresso de Perón. A uma vila rural da província de Buenos Aires chega um estranho forasteiro, Tony Durán, nascido em Porto Rico, educado como um norte-americano de Nova Jersey. Vem seguindo as belas gémeas Ada e Sofía Belladona, com quem mantinha um caso tórrido. Tony Durán é assassinado, e o comissário Croce investiga: por quem, porquê? Qual o papel de Luca Belladona, construtor de uma fábrica irreal perdida no meio do campo? O aparecimento de Emílio Renzi, a tradicional personagem de Piglia, dá uma conclusão irónica e comovente à história.
Situado na imperturbável paisagem da planura argentina, este romance policial transmuta-se em combinação de veloz romance de género e esplêndida construção literária, de trama ao mesmo tempo direta e complexa, povoada de personagens memoráveis. Este romance excecional confirma incontestavelmente Ricardo Piglia como um dos grandes escritores de língua castelhana do nosso tempo.

«A História, enquanto repositório de inspiração ficcional, atravessa e enriquece “Alvo Noturno”, servindo magnificamente como penhora do “deslocamento” e da “distância”, dois conceitos queridos a Piglia. Não a história oficial – aquela de que se faz arauto, no livro, o delegado Cueto – , mas a outra, alternativa, cujas camadas tectónicas a literatura sabe enfrentar, trazendo-as à luz, ainda que a uma paradoxal “luz escura”. Grande livro!»
Ana Cristina Leonardo, Expresso, Atual

«Alvo Noturno é um daqueles romances que se lêem com crescente admiração pela inteligência do autor e pelos hábeis estratagemas que ele vai inventando para nos deixar presos ao livro.»
José Riço Direitinho, Público

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Wook se escreve na Argentina – Os clássicos

A literatura argentina é uma das mais ricas, complexas e influentes da América Latina. Marcada por uma constante tensão entre o erudito e o popular, entre o cosmopolitismo de Buenos Aires e as vozes do interior do país, as letras argentinas foram moldadas por figuras como Jorge Luis Borges, Julio Cortázar e Adolfo Bioy Casares, que representam o seu pilar clássico e, mais recentemente, por escritores inovadores como Samanta Schweblin ou Pedro Mairal.
Desde os jogos labirínticos e metafísicos de Borges até às provocações urbanas e sensuais de escritores contemporâneos, a Argentina tornou-se uma potência literária com ecos em todo o mundo, incluindo Portugal, onde muitos dos seus autores têm sido cada vez mais publicados e lidos. Nesta primeira parte, percorremos os clássicos.
Este artigo foi originalmente publicado na revista Wookacontede de maio de 2025. Jorge Luis Borges (1899-1986) – a fundação de um universo literário Poeta, ensaísta e ficcionista, Jorge Luis Borges é o arquiteto de um dos universos mais originais e influentes da literatura do século XX. O escritor fundou uma literatura em que o conto reina como forma suprema de expressão, e onde a imaginação supera a experiência vivida. Bibliotecas infinitas, labirintos, tigres, enciclopédias fictícias, silogismos e bestiários convivem com personagens fascinantes e inesquecíveis.
Obras como Ficções (1944) e O Aleph (1949) são autênticas cartografias do pensamento, explorando temas como o infinito, a memória e o tempo — símbolos recorrentes no seu imaginário. Aí encontramos ficções povoadas pelos elementos que farão de Borges uma figura mítica, como os labirintos, os espelhos, as bibliotecas e os tigres. Nas suas histórias, elementos, pessoas e cenários prosaicos são vistos em contextos incomuns e com significados extraordinários, ao mesmo tempo que fenómenos misteriosos e metafísicos se revelam em ambientes quotidianos.
A influência de Borges foi ainda determinante para a consolidação do fantástico como género literário moderno, sendo o autor reverenciada por Gabriel García Márquez, Umberto Eco e Italo Calvino. COMPRO NA WOOK! » Julio Cortázar (1914–1984) – O jogo literário Nascido em Bruxelas e criado na Argentina, Julio Cortázar expandiu os horizontes da literatura latino-americana com o seu estilo único, a sua linguagem lúdica e o seu interesse pela cultura urbana e pelos mecanismos do poder, da arte e do desejo – o que o tornou numa das figuras centrais do Boom Latino-Americano da década de 1960.
O seu romance mais famoso, Rayuela (o jogo da amarelinha, 1963), rompe com as convenções narrativas ao propor uma leitura em múltiplas ordens. Este relato de amor entre um intelectual argentino no exílio, Horacio Oliveira, e uma misteriosa uruguaia, a Maga, ao acaso das ruas e das pontes de Paris, é um marco inovador na literatura do século XX. Obra lúdica, filosófica, urbana e existencial, convida o leitor a participar ativamente na construção da história. Ao longo de quase quatro décadas, escreveu 12 famosos volumes de contos, num estilo tão alucinante como o improviso no jazz e tão surpreendente como um combate de boxe.
A escrita de Cortázar, profundamente influenciada pelo surrealismo e pelo existencialismo europeu, reflete também um forte compromisso político. O escritor foi um intelectual engajado, defensor da revolução cubana e crítico das ditaduras sul-americanas. COMPRO NA WOOK! » Adolfo Bioy Casares (1914–1999) – A literatura do insólito Amigo íntimo e colaborador de Borges, Adolfo Bioy Casares destacou-se como autor de narrativas fantásticas, policiais e de ficção científica. A Invenção de Morel (1940) considerado a sua obra-prima, mistura ficção científica e filosofia para contar a história de um fugitivo que descobre uma ilha habitada por figuras enigmáticas que se repetem ciclicamente, levando à revelação de uma máquina capaz de reproduzir a realidade. Outras obras, como Plano de Evasão e Diario da Guerra aos Porcos, aprofundam a reflexão sobre o controlo mental, a memória e a violência geracional. Bioy Casares combinou imaginação com uma narrativa precisa, em que sobressaem as questões filosóficas e éticas. COMPRO NA WOOK! » Silvina Ocampo (1903–1993) – O maravilhoso perverso Rebelde das letras argentinas, esta poeta e artista, e esposa de Bioy Casares, Silvina Ocampo é conhecida pelo seu imaginário inquietante e sofisticado. Silvina construiu uma obra onde a infância, o fantástico e o grotesco se entrelaçam. A coletânea A Fúria (1959) é um dos seus livros mais emblemáticos, com contos onde a crueldade e o insólito emergem de forma subtil e perturbadora. A sua escrita é enigmática, revelando uma sensibilidade aguda para os aspetos sombrios do quotidiano. Colaboradora próxima de Borges e Bioy e durante muito tempo subestimada, Silvina é hoje reconhecida como uma das grandes escritoras argentinas. COMPRO NA WOOK! » Ricardo Piglia (1941–2017) – Narrar para pensar Romancista, crítico e ensaísta, Ricardo Piglia foi uma figura central da literatura argentina contemporânea. A sua obra, que cruza a narrativa policial, o ensaio literário e a reflexão histórica, tem em Alvo Noturno (2010) e Respiración Artificial alguns dos seus pontos altos. Piglia explorou a tensão entre ficção e documento, verdade e representação, com uma prosa cerebral, envolvente e profundamente política. A sua contribuição crítica, nomeadamente com Los Diarios De Emilio Renzi, é também fundamental para compreender a tradição literária argentina. COMPRO NA WOOK! »

Alvo Noturno

de Ricardo Piglia

Propriedade Descrição
ISBN: 9789726959809
Editor: Editorial Teorema
Data de Lançamento: novembro de 2011
Idioma: Português
Dimensões: 154 x 235 x 20 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 304
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Policial e Thriller
Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789726959809

SOBRE O AUTOR

Ricardo Piglia

Ricardo Piglia nasceu em Adrogué, província de Buenos Aires, em 1940. Estudou História na Universidade de La Plata. Dirigiu a Serie Negra, famosa colecção de policiais que divulgou Hammett, Chandler, Goodis e McCoy. Com o músico Gerardo Gandini compôs a ópera La ciudad ausente, baseada no romance agora publicado pela Teorema, que já editou O Último Leitor. A estreia da ópera teve lugar no Teatro Colón em 1995. Conhecido crítico literário e ensaísta, escreveu ensaios sobre Arlt, Borges, Sarmiento, Macedonio Fernández e outros escritores argentinos. É director de investigação e professor honorário da Faculdade de Filosofia e Letras da UBA onde dirige, desde 1990, um seminário sobre "Poéticas de la narración". Actualmente ensina na Princeton University.

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