Alberto Carneiro - Lição de Coisas
EXCERTOS
«Há mais de quinze anos, em 1991, na circunstância de escrever o que viria a ser o ensaio introdutório ao catálogo da primeira exposição retrospectiva da obra de Alberto Carneiro na Fundação Gulbenkian (…), referi, a propósito dessa obra já então longa e complexa, ser necessário colocá-la "entre as de maior consequência e risco do seu século português - quer pela irredutibilidade do seu trajecto em singular percurso, alheio a modismos de circunstância, quer pelo modo como inscreve um projecto, hoje já plenamente perceptível, que suscita a multiplicidade das leituras que dela podemos fazer -, [e que] tem sido, até ao momento, insuficientemente entendida no alcance e na dimensão dos seus pressupostos éticos e estéticos".
Se a primeira parte desta afirmação permanece, para mim, absolutamente verdadeira, podendo mesmo radicalizá-la e chegar a referi-lo como um dos poucos a quem se fica a dever, nas últimas décadas, a significação de haver isso a que se poderia chamar "uma arte portuguesa" (isto é, um conjunto de acções e de significações que, precisamente pela sua singularidade e capacidade de produzir diferenças, não se coloca fora de um plano mais universal de afirmação estética mas antes o integra como forma individualizada e já que todo o localismo, em arte, é forma da sua negação enquanto tal), o facto é que a segunda parte, referente à ausência de uma fortuna crítica desta obra, carece hoje de idêntica verdade.
Ocorre que, desde então, o cada vez maior reconhecimento internacional desta obra, sobretudo num plano institucional, com diversas exposições retrospectivas ou antológicas, participações em importantes simpósios e parques internacionais de escultura contemporânea e outras significativas presenças, tem suscitado textos de referência. Múltiplos são, portanto, ao contrário de então, os textos de qualidade ensaística e penetração crítica hoje disponíveis, em Portugal e fora (sobretudo em Espanha), para abordar multifacetadamente esta obra - de Javier Maderuelo a Gerardo Xuriguera, de Delfim Sardo a Miguel Fernández-Cid ou de Fernando Francés a Santiago Olmo, entre outros.»
Bernardo Pinto de Almeida
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 9789896252458 |
| Editor: | Campo das Letras |
| Data de Lançamento: | Janeiro de 2008 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 150 x 230 x 20 mm |
| Encadernação: | Capa dura |
| Páginas: | 242 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
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| EAN: | 9789896252458 |