Abelhas cinzentas
SINOPSE
Pequena Starhorodivka é uma aldeia de apenas três ruas em plena Zona Cinzenta ucraniana, a terra de ninguém entre as forças nacionalistas e separatistas. Devido à violência constante de uma guerra que se arrasta há anos, todos os habitantes abandonaram a aldeia, menos dois: Sergey Sergeyich e Pashka, dois animigos de infância. Juntos, encontram formas de sobreviver, no meio de constantes bombardeamentos que não se sabe bem de onde provêm ou quais os seus alvos. Naquela aldeia, o conflito perdera há muito qualquer tipo de sentido.
Sem eletricidade há meses, e com pouquíssima comida, Sergeyich tem um único prazer na vida: as suas abelhas. Com a chegada da primavera, o apicultor sabe que terá de as transportar para longe da Zona Cinzenta, onde elas poderão recolher o pólen em paz. Esta simples missão leva-o a conhecer combatentes e cidadãos dos dois lados da frente de batalha: nacionalistas, separatistas, ocupantes russos e tártaros da Crimeia. Para onde quer que vá, a inocência e simplicidade de Sergeyich, a par da sua moral irrepreensível, desarmam todos aqueles que encontra pelo caminho.
Em Abelhas cinzentas, Andrei Kurkov traça, fazendo uso do seu humor desconcertante, um assombroso retrato da terrível situação que o seu país atravessa, mostrando-nos que, mesmo nos contextos mais improváveis, e por vezes da forma mais absurda, a vida encontra forma de seguir o seu rumo.
«Vitória! Vitória!»
«E quem venceu?», perguntava Sergeyich, e depois ficava petrificado de medo ao ver outro morteiro a explodir, enquanto chuviscavam fagulhas em cima dele.
«Não sei», dizia Pashka. «Não importa. O que interessa é a vitória, acabou a guerra!»
CRÍTICAS
«O estilo de Kurkov é conciso e eficaz, atraindo-nos com uma facilidade enganadora para um mundo denso e complexo, repleto de personagens maravilhosas.»
Michael Palin, escritor
CRÍTICAS DE IMPRENSA
Olhámos forçosamente mais a Leste, estamos um pouco mais atentos a Leste. E ganhámos com isso o maior conhecimento do trabalho de autores como Andrei Kurkov e o belíssimo Abelhas Cinzentas: a solidão de um homem num mundo cercado.
Isabel Lucas, Público
«Um romance doce e triste que capta, de forma acessível, os recentes eventos na Ucrânia.»
Elise Lépine, Le Point
«O andamento narrativo de Abelhas Cinzentas mais parece um contraponto direto, deliberado, ao dia a dia de violência militarizada totalmente fora das regras acordadas em convenções entre alguns países no mundo.(...) Abelhas Cinzentas nunca leva a juízos apressados por parte do seu narrador sobre o conflito em curso, ou tal como tem sido vivido e sofrido pelos ucranianos desde o começo.(...) Depois da leitura deste romance nunca mais veremos ou leremos uma reportagem como o fazíamos até agora sobre as vítimas da violência numa pequena e pobre aldeia ucraniana, ou como agora, numa grande cidade de nomes que desde 2014 nos eram provavelmente desconhecidos. »
Vamberto Freitas, Carma Insight Diário Insular
«Abelhas cinzentas é uma leitura indispensável nestes tempos de guerra. A literatura é o antídoto à barbárie e à desesperança.»
Philippe Chevilley, Les Echos
«Um Kafka pós-soviético.»
The Daily Telegraph
«Andrei Kurkov é um mestre do humor grotesco.»
Brigitte
DETALHES
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| ISBN: | 978-972-0-03598-1 |
| Editor: | Porto Editora |
| Data de Lançamento: | setembro de 2022 |
| Idioma: | Português |
| Dimensões: | 152 x 235 x 23 mm |
| Encadernação: | Capa mole |
| Páginas: | 372 |
| Tipo de produto: | Livro |
| Classificação Temática: |
Livros em Português
>
Literatura
>
Romance
|
| EAN: | 978972003598110 |
| Idade Mínima Recomendada: | Não aplicável |
OPINIÃO DOS LEITORES
Excelente
A.R.
Este escritor russo, que vive na Ucrânia, conta-nos, neste romance, a história de um apicultor que habita uma aldeia situada na chamada "faixa cinzenta", entre território ucraniano e território controlado pelos russos. Dessa aldeia fugiram já todos os habitantes, excepto dois, que sobrevivem sem electricidade e sem serviços básicos, sob os bombardeamentos que ocorrem entre os dois lados inimigos. É uma história fantástica, que nos permite conhecer a forma como os cidadãos comuns, que só querem viver a sua vida em paz, tentam ultrapassar as numerosas dificuldades que se lhes deparam no dia-a-dia de um conflito que começou muito antes do que os "media" ocidentais nos fazem crer. Diria que é de leitura obrigatória!
O Cinzentismo da Guerra
AllbyMyShelves
Com a história de um apicultor que decide permanecer na sua habitação na designada"zona cinzenta"durante disputa entre separatistas pró-russos e ucranianos,Kurkov descreve,de uma forma caricata,mas profundamente angustiante,como é (sobre)viver no"meio"de um conflito armado.Como é (sobre)viver isolado, a desejar o que consideramos básico,(sobre)viver num"silêncio" de explosões,quando longínquas e às quais se acaba por habituar,ou sob o som estridente das que abanam todas as estruturas-físicas e psicológicas. Mas também nos mostra como um propósito,perante uma situação tão avassaladora,nos pode salvar.No caso de Sergey,esse propósito é o bem estar das suas abelhas,que lhe servem de sustento.É por elas,para que possam livremente executar a sua função,que abandona a sua Pequena Starhorodivka e viaja até à Crimeia.É com elas que percebe que aqueles que se dizem libertadores são, na verdade, um entrave à liberdade e um perigo para si e para as suas abelhas. Por vezes,tive a sensação de a história ter vários momentos repetitivos.Depois dei por mim a refletir que,perante o contexto que serve de pano de fundo,não faria sentido que fosse de outro modo. Assim, só posso recomendar este livro, tão esclarecedor sobre início de um conflito que dura há muito mais tempo do que os 9 meses sobre os quais temos maior consciência.
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