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A Revolta do Homem Branco

Incels, fundamentalistas e autoritários em luta por uma masculinidade política

de Susanne Kaiser
Editor: Livros Zigurate, outubro de 2024 ‧
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Eles não suportam os direitos das mulheres: misóginos, machistas e supremacistas ressentidos estão a juntar forças para recuperarem os privilégios masculinos perdidos.

Há um submundo de ressentimento masculino na internet. É a chamada manosfera ou machosfera. Reúne homens brancos revoltados com a conquista de direitos por parte das mulheres. Um reaccionarismo machista que tem vindo a ganhar força política, pronto a saltar do mundo digital para um assalto ao poder. O assalto ao Capitólio, em Washington, foi o momento mais emblemático de um movimento crescente. Homens armados, envergando camisas havaianas sobre coletes à prova de bala; guerreiros com chifres, de cara pintada e torso nu — em defesa de Trump, reuniram-se indivíduos que até então só se conheciam online.

Os ataques assassinos dos chamados incels — defensores da subjugação feminina — já tinham lançado o alerta. Mas a masculinidade tornou-se entretanto um projecto ideológico. Dos EUA à Nova Zelândia, da Polónia ao Brasil, extremistas de direita, fundamentalistas religiosos e supremacistas misóginos estão a juntar-se para traduzir em política sonhos reaccionários de dominação masculina.

A Revolta do Homem Branco

Incels, fundamentalistas e autoritários em luta por uma masculinidade política

de Susanne Kaiser

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899216037
Editor: Livros Zigurate
Data de Lançamento: outubro de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 131 x 234 x 18 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 240
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Política > Política em Geral
EAN: 9789899216037

Incrivelmente interessante

Paulo

Gostaria de destacar uma citação simples, mas muito poderosa: “A violência não é uma expressão de controlo e poder; pelo contrário, é uma expressão de falta de controlo e fraqueza”. Um trabalho de investigação muito interessante que permite insights sobre os movimentos reacionários modernos ou atuais. Em alguns pontos, senti falta de mais referências a fontes para apoiar certas observações da autora relativamente às circunstâncias sociais contemporâneas, ou pelo menos breves explicações sobre quem e a que lugares geográficos se refere quando fala dos padrões e ideais atuais. Embora o patriarcado esteja a fazer tudo o que pode (mobilizar grupos de direita radical, incels e sexistas) para manter o status quo, está a morrer e continuará a morrer até que finalmente morra. Porque, faça o que fizer, “o visível não pode voltar a tornar-se invisível”, e isso merece um brinde. A análise é útil para provocar reflexões mais aprofundadas, mas, no final, fica presa na sua posição de classe burguesa, que pode e de facto nomeia o neoliberalismo e o capitalismo financeiro desenfreado — mas apenas nas últimas páginas da conclusão, para depois chegar ao resultado geral de que é a masculinidade que impulsiona o avanço reacionário global como o principal fator. Psicologicamente, isto pode ser verdade, dado que o medo do declínio social dos homens da classe média tem uma dinâmica diferente dos medos daqueles que já faziam parte ou estavam próximos da precariedade. Economicamente, porém, isto não é coerente nem prático, do meu ponto de vista, para formular uma oposição significativa a estes desenvolvimentos.

SOBRE O AUTOR

Susanne Kaiser

Susanne Kaiser (1980) é jornalista e escreve para publicações prestigiadas como Die Zeit, e Der Spiegel. Nos últimos 20 anos, tem vindo a explorar as dinâmicas de poder entre homens e mulheres nas sociedades muçulmanas e ocidentais, concentrando-se mais recentemente na investigação sobre fenómenos como a misoginia e o sexismo.

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