A Primeira Luz da Madrugada

de Clara Pinto Correia
Editor: Oficina do Livro, outubro de 2006 ‧

Um épico fascinante que percorre o pensamento europeu do século XII aos nossos dias e com um amor impossível a intrometer-se em todos os episódios

Este livro não pode ser lido de uma só vez. Tal como as Mil e Uma Noites, está construído como um emaranhado de histórias dentro de histórias. Os narradores são cinco pescadores da Cruz Quebrada que trabalham de momento como arrumadores do Lidl. Mas, na realidade, eles correspondem a cinco arquétipos históricos que aguardam o Segundo Regresso, que deverá ter lugar na madrugada seguinte. Com a ajuda do Professor Eleazar Melkievstein, que dedicou a sua vida ao estudo do mito do Judeu Errante, todos estes homens tentam explicar a Ana Maria, uma mulher que mora ali perto, não só as várias histórias do Judeu Errante mas também as suas próprias histórias. Neste percurso, Ana Maria descobre que no século XV foi uma das noviças das Agostinhas, conheceu o Judeu Errante e com ele viveu uma bela e trágica história de amor que nunca chegou a cumprir-se. É depois da concretização física desse amor na Cruz Quebrada que se anuncia, por fim, o Segundo Regresso e se descobre quem são os Eleitos que podem testemunhá-lo.

"A Primeira Luz da Madrugada, de Clara Pinto Correia, é menos um romance histórico do que uma narrativa fantástica, embora recorra amiúde ao facto histórico e até à monografia. Ficção fantástica mas que invade os terrenos da filosofia, do mito, das ciências ocultas, com uma grande dose de imaginação, de vocação profética, de criação de ambientes e paisagens.
A invulgar cultura de Clara Pinto Correia, que ao domínio das humanidades associa o conhecimento profundo da genética, enriquece tanto este livro torrencial que amiúde se nos deparam conversas que são confronto de ideias e saberes e visões do passado e do futuro dos homens, chegando a extrapolar da ficção para o debate de concepções do mundo, da psique, das religiões (...).
O final deste romance excessivo, atípico, tão rico como desordenado fica em nós muito presente (...) Julgo que se trata de um livro para ser amado ou detestado, no seu desafio à norma que pode ir até ao desconchavo, na sua luxuriante riqueza de informação e até na inteligência e beleza de certas páginas. Um romance provocador."
Urbano Tavares Rodrigues, Jornal de Letras

"O mundo à minha volta todo numa ânsia de galopar para a frente. Era o Guttemberg a inventar a imprensa. Era o teu Paracelso a fazer homúnculos e a expandir a Química. Às tantas, já era o Copérnico a olhar para as estrelas lá do alto da torre do convento, cada vez mais desconfiado de que era o Sol, e não a Terra, que ocupava o centro do nosso Universo. E eram os barcos da Europa todos a fazerem-se ao mar e a reinventarem a face do globo, eram os portos cheios de bizarrias e tanto os marinheiros como os académicos a escreverem páginas atrás de páginas de um novo saber de plantas, gentes, animais, como nunca ninguém sonhara que existissem. Ai de mim, até eram os cometas subitamente a viajarem em órbitas regulares com regressos previsíveis, em vez de serem presságios ou maravilhas divinas."

A Primeira Luz da Madrugada

de Clara Pinto Correia

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895552375
Editor: Oficina do Livro
Data de Lançamento: outubro de 2006
Idioma: Português
Dimensões: 150 x 228 x 20 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 336
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895552375

SOBRE O AUTOR

Clara Pinto Correia

Clara Pinto Correia (Lisboa, 30 de janeiro de 1960 — Estremoz, 9 de dezembro de 2025) foi ficcionista, cronista, divulgadora científica e bióloga portuguesa. Figura sui generis do panorama da literatura portuguesa, quer pelo seu estilo de escrita, quer pelas áreas da sua produção ou ainda pelo ritmo de publicação que a autora manteve.
Depois de se ter licenciado em Biologia pela Universidade de Lisboa, doutorou-se pela Universidade do Porto, prosseguindo uma carreira universitária e de investigação no domínio da Embriologia no Instituto Gulbenkian de Ciência e nos Estados Unidos da América (Buffalo e Universidade de Harvard).
A sua estreia literária dá-se em 1984, com o romance Agrião, mas a sua popularidade atinge-a com o romance Adeus Princesa, sucesso editorial, transposto para o cinema. A consagração máxima dá-se depois da publicação do folhetim E se tivesse a bondade de me dizer porquê? em coautoria com Mário de Carvalho, numa obra em que os dois escritores são responsáveis por capítulos que se intercalam, sem nunca se encontrarem.
Poder-se-á chamar a Clara Pinto Correia a autora pós-moderna por excelência, constando da sua bibliografia desde inquéritos de cariz sociológico a uma fotonovela, passando por literatura infantil, crónica, poesia, narrativa, e divulgação científica.
Destacam-se na sua obra, para além dos já citados, na ficção: Ponto Pé de Flor e Mais que Perfeito; na literatura infantil: Quem Tem Medo Compra um Cão, A Minha Alma Está Parva e A Ilha dos Pássaros Doidos; na divulgação científica: Os Bebés-Proveta, Clonai e Multiplicai-vos e O Ovário de Eva.

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