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A Morte de D. João

de Guerra Junqueiro
Editor: Lema d`Origem, outubro de 2023 ‧
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«O assunto do meu poema é a corrupção e libertinagem de uma parte da sociedade, corrupção manifestada na literatura desde o idealismo ingénuo e dissoluto do Rafael de Lamartine, até ao realismo descarado e vil dos escritores do segundo império.
Incarnei em D. João a síntese desta ideia, terminando por o fazer morrer a pedir esmola, coberto de chagas e de vermes, no esterquilínio, como um malandro ignóbil.
[…]
Disseram-vos que no meu livro existem frases e palavras de uma nudez absoluta?
Não vos enganaram. Lá está tudo isso, e não o retiro, nem o emendo. […]
A verdade não conhece perífrases; a justiça não admite reticências.»

In Prefácio da Segunda Edição

A Morte de D. João

de Guerra Junqueiro

Propriedade Descrição
ISBN: 9789899114630
Editor: Lema d`Origem
Data de Lançamento: outubro de 2023
Idioma: Português
Dimensões: 155 x 234 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 240
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Poesia
EAN: 9789899114630

Um Livro que merece ser lido

Lúcio

O livro “A Morte de João”, publicado em 1887, é uma obra poética de Guerra Junqueiro que narra a história de um jovem camponês que é assassinado por um fidalgo cruel e opressor. O autor utiliza a figura de João como um símbolo da inocência, da bondade e da resistência do povo português contra a tirania e a injustiça. O livro é dividido em três partes: A Infância, A Mocidade e A Morte. Na primeira parte, o autor descreve a vida simples e feliz de João na aldeia, rodeado pela natureza, pela família e pelos amigos. João é um rapaz alegre, generoso e trabalhador, que sonha em casar-se com Maria, a sua namorada. Na segunda parte, o autor mostra como João é confrontado com a realidade dura e cruel do seu tempo, marcado pela fome, pela pobreza e pela opressão dos fidalgos. João é vítima de várias injustiças e humilhações, mas não perde a esperança e a fé. Na terceira parte, o autor narra o trágico desfecho da história, quando João é morto pelo fidalgo que cobiçava Maria. O autor utiliza uma linguagem emotiva e dramática para expressar a revolta e a indignação perante o crime, mas também a esperança de que a morte de João não seja em vão e que inspire o povo a lutar pela liberdade e pela justiça. O livro “A Morte de João” é uma obra de grande valor literário e histórico, pois reflete o contexto social e político do final do século XIX em Portugal, marcado pelo atraso, pela corrupção e pela instabilidade. O autor utiliza a poesia como uma forma de denúncia e de protesto, mas também de exaltação e de homenagem aos valores e à identidade do povo português.

SOBRE O AUTOR

Guerra Junqueiro

Poeta e político português, nascido em 1850, em Freixo de Espada à Cinta (Trás-os-Montes), e falecido em 1923, em Lisboa, Guerra Junqueiro é entre nós o mais vivo representante de um romantismo social panfletário, influenciado por Vítor Hugo e Voltaire. Oriundo de uma família de lavradores abastados, tradicionalista e clerical, é destinado à vida eclesiástica, chegando a frequentar o curso de Teologia entre 1866 e 1868. Licenciou-se em Direito em Coimbra, em 1873, durante um período que coincidiu com o movimento de agitação ideológica em que eclodiu a Questão Coimbrã. Nessa cidade convive de perto com o poeta João Penha, em cuja revista literária, A Folha, faz a sua estreia literária. Durante a sua vida, combina as carreiras administrativa (exercendo a função de secretário dos governos civis de Angra do Heroísmo e de Viana do Castelo) e política (sendo eleito por mais de uma vez deputado pelo partido progressista) com a lavoura nas suas terras de Barca de Alva, no Douro. Nos anos oitenta, participa nas reuniões dos Vencidos da Vida, juntamente com Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Eça de Queirós e António Cândido, entre outros. Reage ao Ultimato inglês de 1890, com o livro de poesias Finis Patriae, altura em que se afasta ideologicamente de Oliveira Martins, confiando na República como solução para os males da sociedade portuguesa. Entre 1911 e 1914, assume o cargo de Ministro de Portugal na Suíça. Na fase final da sua vida, retira-se para a sua propriedade no Douro, assinalando-se então uma viragem na sua orientação poética, que se volta para a terra e para "os simples", como atestam as suas últimas obras: Pátria (1896), ainda satírica, mas já de inspiração saudosista e panteísta; Os Simples (1892) - um hino de louvor à terra, de uma poesia que evoca a sua infância, impregnada de saudosismo, de recordações calmas e consoladoras e onde se sente uma grande ternura pela correspondente paisagem social; Oração ao Pão (1903) e Oração à Luz (1904), estas enveredando por trilhos metafísicos.
O anticlericalismo, que em vida lhe granjeou o escândalo e a fama, o estilo arrebatado, vibrante, apoiado na formulação épica do verso alexandrino de influência huguana, contribuíram para a apreciação do crítico Moniz Barreto: "Quando se procura a fórmula do espírito de Guerra Junqueiro acha-se que ele é muito mais orador que poeta e que tem muito mais eloquência que imaginação."
Poeta panfletário, confidencial, satírico e também religioso, o seu valor foi contestado na década de 20. No entanto, os seus defensores nunca deixaram de acreditar na sua genialidade como satírico e como lírico.
Guerra Junqueiro. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008.

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