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A Minha Amiga Nane

de Paul-Jean Toulet
Editor: Sistema Solar, junho de 2021 ‧
15,00€
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Irmã mais frívola de Naná, de Manon, de Albertine a Desaparecida.
Nos excessos brilhantes de 1900, uma estranha e paradoxal batalha de açúcar salgado.

«[…] Mon amie Nane apareceu em 1905.
Com Nane, P.-J. Toulet era um fauno a contar uma história de demi-mondaine belle époque, irmã mais frívola de Naná, de Manon, de Albertine a Desaparecida. Não construía à sua custa uma trama rica em peripécias, e preferia mostrá-la num compêndio de situações diferentes que acrescentavam, novos a novos traços, o pormenor do seu retrato. Era, nos excessos brilhantes de 1900, uma estranha e paradoxal batalha de açúcar salgado. Mas oiçamos Fredéric Martinez, um dos seus biógrafos: «Está escrito numa prosa saturada de adjectivos, que nos faz lembrar um apartamento de cocotte atravancado por relógios e caixas, estatuetas e esmaltes; entramos lá em ponta de pés, com os braços bem pendurados ao longo do corpo, com medo de partir qualquer coisa. Também nos falta o ar. O capitoso perfume dos advérbios e dos boleios de frase preciosos fazem alguma dor de cabeça; a coisa é bonita de mais para ser honesta. Quer-se mal a Toulet por ele ser desagradável. Deploramos-lhe a misoginia galopante, o assumido anti-semitismo. Gostar-se-ia que o grande estilista fosse um grande homem. Toulet desagrada, e é isto o que nos diverte.»
Todas estas frases de Martinez procuram definir o incómodo de um objecto insólito; um estranho corpo que surgia a contrapelo do que era previsível na onda do romance oferecido aos leitores dos primeiros anos do século XX. Toulet não levava a sério as regras que o romance tinha estabelecido pela mão de grandes escritores. Era indiferente à continuidade lógica da narrativa, dava a escolher alternativas para a mesma situação, recusava-se ao final de acordes bem marcados, e achava que num sorriso de mulher pode adivinhar-se todo o segredo do seu corpo. Nane define-se nas entrelinhas do que nos é dito por este sorriso e parece muitas vezes menos importante; oferece-se e furta-se ao sabor daquele que a julga impiedosamente com uma sensibilidade magoada, para utilizar uma expressão de Claude Debussy. Estes momentos de amor cru vistos por um olhar não isento de snobismo, embrulhados numa prosa de bom ouvido e amor às palavras, destinou-se a perdurar sob desconfiados olhares de esguelha que não souberam evitar-lhe um garantido lugar de clássico marginal
Aníbal Fernandes

A Minha Amiga Nane

de Paul-Jean Toulet

Propriedade Descrição
ISBN: 9789898833273
Editor: Sistema Solar
Data de Lançamento: junho de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 147 x 205 x 13 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 176
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789898833273

SOBRE O AUTOR

Paul-Jean Toulet

Paul-Jean Toulet era filho de um rico plantador de açúcar, originário de Pau, mas que vivia nas Ilhas Maurício. Ele era mais famoso pelo seu humor ácido, o seu vício em ópio e a sua amizade com Maurice Sailland - o "príncipe dos gastrónomos".
Como escritor, Toulet é mais conhecido por Les Contrerimes, poemas escritos em forma de verso da sua própria invenção, o esquema de rima abba, com as linhas alternadas longas, curtas, longas, curtas. A coleção foi publicada postumamente, embora muitos dos poemas tenham aparecido em várias revistas literárias, seja em versões anteriores ou acabadas (Toulet era um polidor inveterado dos seus versos).
Os seus romances são quase ilegíveis hoje, com a possível exceção de Mon amie Nane, uma espécie de fin-de-siècle equivalente a Orgulho e Preconceito, ou mesmo Diário de Bridget Jones.
Toulet tornou-se um modelo ou uma inspiração para o movimento poético fantaisiste de 1911 até à Grande Guerra. Isso explica o seguinte comentário feito sobre a receção das suas obras: "Quando dois homens que leram Paul-Jean Toulet se encontram (geralmente num bar), eles imediatamente imaginam que é uma certa forma de aristocracia".
Em 1897, Toulet recebeu de um amigo um exemplar de O Grande Deus Pan, de Arthur Machen, e traduziu-o no ano seguinte, como Le Grand Dieu Pan. Foi publicado em La Plume em 1901, mas passou despercebido, exceto pela reação de Maeterlinck "... combinando os géneros fantásticos tradicionais e científicos, atinge as nossas memórias e esperanças". Toulet trocou correspondência com Machen e visitou-o em Londres.
O romance de Toulet, Monsieur de Paur, homme public, foi inspirado em Machen. Publicado em 1898 por Simonis Empis, teve pouco sucesso. Em 1918, porém, foi publicado novamente pelas Éditions du Divan. Essa editora pertencia ao admirador de Toulet, Henri Martineau, que também manteve uma correspondência com o autor.
Toulet morreu em Guéthary, Aquitânia, em setembro de 1920.

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