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A Ilha Onde as Mulheres Voam

de Marta Lamalfa
Editor: Alma dos Livros, Janeiro de 2025 ‧
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Entre 1903 e 1905, o centeio da ilha de Alicudi foi contaminado por fungos e adquiriu propriedades alucinogénias. Esse centeio foi abundantemente utilizado para fazer pão, a base da alimentação na época. Por causa disso, os habitantes da ilha acabaram por ser involuntariamente submetidos a uma experiência psicadélica coletiva, comprovada por vários estudos. Ainda hoje se contam histórias lendárias em torno da Ilha onde as Mulheres Voam.

Caterina olha para o corpo inerte e duro de Maria, a sua irmã gémea, e sabe que a sua vida vai mudar para sempre. Embora tenha ficado com mais espaço no quarto, a mãe dá-lhe agora mais trabalho nos campos, a entregar anchovas e nas tarefas domésticas, enquanto espera pelo seu dia preferido: quando todos se reúnem para amassar o pão.

Aquele pão, agora negro e amargo, é tudo o que lhes resta. Nesses pedaços de alimento está a chave para Caterina escapar a um presente cada vez mais solitário e penoso, vislumbrando mulheres mágicas que pairam no céu soturno da ilha e logo se desvanecem na bruma. O que ela não sabe é que os cenários dessas visões extraordinárias são comuns a todos os outros habitantes. E que, para ela, e para todos, chegará o momento de escolher entre a realidade e o sonho.

«Uma história mágica e delicada, que aborda temas diversos como a pobreza, a ignorância, a fome e a luta de classes, mas sobretudo a descoberta do corpo feminino, o papel da mulher e os seus limites numa sociedade fortemente patriarcal.»
Goodreads

«Uma escrita mágica e deslumbrante que perdura nas ondas do tempo.»
Amazon

«Neste romance, as relações de poder entre mulheres são muito importantes, mas também o são as relações entre homens e mulheres. Espero – e é uma esperança para a literatura escrita por mulheres em geral – que consiga ser apreciado por todos, transpondo distinções que deveriam estar ultrapassadas num mundo onde a fluidez começa finalmente a ser aceite.»
Marta Lamalfa

A Ilha Onde as Mulheres Voam

de Marta Lamalfa

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895703616
Editor: Alma dos Livros
Data de Lançamento: Janeiro de 2025
Idioma: Português
Dimensões: 153 x 235 x 21 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 280
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Romance
EAN: 9789895703616

Triste mas envolvente e reflexivo

Andreia Machado

Este é um livro que pede uma leitura paciente e atenta, porque não tem uma escrita fácil e podemos ficar perdidos no meio, o ritmo é lento, tão lento quanto os dias do povo de Alicudi. Mas eu gostei dele. Bastante! Foi uma leitura que me absorveu, deixando mensagens e reflexões marcantes e duras. É triste, mas representa muita da história de Itália, daquela ilha e de muitos outros sítios, inclusive Portugal. A miséria, o analfabetismo a sociedade patriarcal, a enorme discrepância entre ricos e pobres. Difícil de ler, mas incrível na componente histórica e na crítica subentendida. Acho importante a nota inicial da autora sobre o problema com pão que leva os habitantes desta ilha a terem alucinações coletivas, porque obviamente que os personagens não nos iriam dar a resposta, são pessoas pobres, sem instrução e que comiam apenas este pão na maioria dos seus dias. Assim percebemos desde logo que não estamos perante uma fantasia, mas sim defronte pessoas a quem tudo falta, e que dentro das suas alucinações veem muitas vezes, a vida que desejariam e aquilo que mais anseiam. Desde sonhos de liberdade, a mais comida na mesa e amores perdidos, conhecemos assim a família dos Iatti, mais intimamente. E em Caterina que a trama mais se foca, a gémea que ficou sozinha após a doença lhe levar a irmã, é através dela que vamos observar como uma menina vais crescendo, sem que ninguém lhe ensine sobre si e o seu corpo, que sozinha se vai autoconhecendo e que sonha todos os dias em voar e ser livre como livres são as curandeiras. Essas bruxas que não casam nem tem filhos e que vivem para si. Confesso que foi em muitos momentos doloroso para mim ler sobre a fome que eles passavam, sobre depressão pós parto vivida pela mãe da Caterina e principalmente sobre o filho mais novo, esse bebé que nasce no seio de uma família em sofrimento. O final é um grito de liberdade! Talvez não seja um livro para todos, mas para quem gosta de ler com calma e refletir sobre estes temas, será sem dúvida uma leitura envolvente.

Temos várias lições, várias tomadas de consciência e reflexões sobre a nossa vida.

Liliana Cunha

A miséria, a fome, a dor, a depressão, alucinações, morte, sobrevivência, a ignorância e a esperança de uma vida melhor fazem parte de um enredo que nos vai deixar com um peso no peito

Uma leitura que me aqueceu o coração

Janete Silva

A ilha onde as mulheres voam é uma gigante metáfora que se revela em duas frentes principais: emancipação feminina; luta de classes. A escrita é deliciosa de ler. Lírica. Um tipo de escrita pela qual me sinto embalada. Envolvida, seduzida até, pelas palavras que surgem na cadência da língua italiana. Esta leitura deixou-me o coração quentinho.

A ilha onde as mulheres voam

Celina Lopes

Este livro leva-nos numa grande viagem. Vamos habitar a ilha de Alicudi, vamos conviver com as suas gentes e sofrer as suas dores. Ao longo desta história vamos conhecendo as pessoas da ilha, uma comunidade fechada, pobre e ignorante. Patriarcal. As crianças trabalham desde cedo, ir à escola é apenas para os ricos. As pessoas lutam dia a dia para sobreviver. E as mulheres não tem direito a descansar, trabalham na terra e em casa. Serão as mulheres capazes de voar?

Magia

Carla Pinhal

Uma história mágica que fala de pobreza, fome, luta de classes, da descoberta do corpo feminino e do papel da mulher numa sociedade patriarcal. Não é só “mais um livro”, é um livro que marca bastante pela mistura de delicadeza e crueza que existe na vida destas pessoas que habitam uma ilha longe de tudo e de todos, principalmente das mulheres. Para estas o mais importante é crescerem o suficiente, aprenderem o trabalho de que eram incumbidas e, assim que se tornavam “mulheres”, estavam preparadas para os pais lhe começarem a procurar marido. Não há ambição nem conhecimento de uma vida diferente, até que Caterina, após a morte da irmã gémea, começa a questionar se essa é a vida que quer… Uma história muito bonita! Representa a força e união das mulheres que desde sempre lutam contra o patriarcado! Adorei a escrita da autora!

Uma história sensível e metafórica

Andreia Moita

Eu já andava a gostar de ler mulheres italianas mas esta está de parabéns! Adorei a escrita. O tom, a voz, a forma de contar a história, de criar diálogos, de nos fazer estar mesmo lá com aquela família. Fartei me de guardar passagens. Um livro sobre a luta de classes, mulheres vs homens, pobreza, crenças, sonhos e laços familiares com mensagens para lá do óbvio reunidas em metáforas inteligentes. Não há propriamente um enredo e por isso pode não ser para toda a gente. É uma história que vive mais dos personagens (peca por serem demasiados mas deixei-me encantar pelas crianças). A voz, a inocência e os sonhos das crianças foram postos aqui de forma deliciosa, houve muita sensibilidade para nos fazer passar a forma como elas pensam, sentem e vivem! #Nardinho tem o meu coração. o menino que não “serve” para trabalhar no campo mas é eximio com as palavras até deixar de as ver!

Fascinante e Hipnotizante!

Manuel Oliveira

Uma leitura envolvente e poética, que nos transporta para a misteriosa ilha de Alicudi. Marta Lamalfa mistura realidade e fantasia de forma magistral, criando uma história sensorial e marcante. A escrita é belíssima e a ambientação é intensa. Um livro inesquecível!

Maravilhoso!

Sara Nabais

Uma história hipnotizante que tem como pano de fundo as bonitas paisagens italianas. A autora conseguiu construir uma história de ficção belíssima, baseada em factos verídicos e cheia de mensagens subliminares... o papel das mulheres e o anseio da liberdade, a ignorância e a superstição. Para ler e refletir.

SOBRE O AUTOR

Marta Lamalfa

Marta Lamalfa nasceu em Palmi, na Calábria, em 1990. É licenciada em Línguas e Culturas do Médio Oriente e do Norte de África e tem um mestrado em Edição e Escrita pela Universidade «La Sapienza» de Roma. Toca piano e fala quatro línguas além do italiano: inglês, francês, espanhol e alemão. Vive em Roma, onde trabalha no gabinete de imprensa de uma organização humanitária. O seu romance A Ilha as Mulheres Voam está entre os livros recomendados da 36.ª edição do Prémio Italo Calvino.

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