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À Espera de Ser Preso durante a Noite

O genocídio praticado pela China na memória de um poeta uigur

de Tahir Hamut Izgil
Livro eBook
Editor: Temas e Debates, maio de 2024 ‧
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Os uigures, uma minoria predominantemente muçulmana da China ocidental, vivem numa prisão gigantesca, controlados pelas forças de segurança e por um sofisticado sistema de vigilância biométrico. Mais de um milhão de pessoas desapareceu nos campos de concentração chineses para as minorias muçulmanas.

Tahir Hamut Izgil, um destacado intelectual e poeta, não desconhecia a perseguição. Depois de tentar viajar para o estrangeiro em 1996, a polícia torturou-o até ele confessar as acusações forjadas e enviou-o para um campo de trabalhos forçados, para «reeducação». Mas, mesmo após três anos no campo, ele nunca teria previsto a solução radical do governo chinês para a questão uigur, duas décadas depois. 

Em 2017, a perseguição do povo uigur pelo governo chinês assumiu proporções terríveis. Um por um, os amigos de Tahir foram desaparecendo. Tornou-se claro para ele e para a sua mulher que a fuga do país era a única esperança da família.

«Uma visão íntima e comovente da perseguição do povo uigur pelo governo chinês. Izgil resiste a fazer relatos explícitos da violência que ele e o seu povo têm sofrido, mas a sua contenção torna as descrições do constante assédio e vigilância policiais ainda mais orwellianas.»
Time

«O livro de Izgil é uma singularidade entre as obras sobre direitos humanos. Não há cenas de tortura, nenhuma violência e poucas referências explícitas ao genocídio. Como sugere o título, o terror está na antecipação.»
Barbara Demick, The New York Times Book Review

«Memórias lúcidas e aterradoras… Uma narrativa apaixonante que se adensa com o ritmo lento e sinistro de um romance de Le Carré, pontuada por alguns dos breves e notáveis poemas de Izgil.»
The Washington Post

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Literatura que vem da Ásia

É coisa múltipla e densa e, nos últimos anos, tem-se destacado pela banda desenhada. Com imagem ou sem, entre literatura ficcional e não ficcional, o que não falta são livros que nos mostram o continente asiático Pyongyang É uma maravilha para quem quiser pôr os olhos nesse lugar onde tão poucos olhos podem ver. Aqui, Delisle não brinca em serviço, e abre a vista dos leitores para a ação, o texto e a imagem. Nisso, o livro é um festim. O traço do autor – que já habituou o público a uma forma singular de mostrar cidades – guia a leitura pelo essencial, mostrando os espaços ao mesmo tempo que a tensão acumulada. Assim, quem lê vê a capital da Coreia do Norte, e vê ainda o olhar de um canadiano sobre tudo o que lhe parece obscuro ou aberrante. Delisle foi à Coreia do Norte enquanto colaborador do Estúdio de Animação SEK, resultando a ida nesta fotorreportagem carregada de sentido. De forma simples e bem casada, com humor, ironia, dúvidas, algumas respostas, o autor mostra-nos aquelas ruas – e não há como não estranhar que não tenham gente, que os jardins não sirvam para passeios, que ninguém pareça andar à-toa. Claro, tudo isto é fruto de uma vida que mete toda a gente numa engrenagem, essa gente que dedica seis dias por semana ao trabalho e um a “voluntariado”. Das estátuas a glorificar os líderes ao fechamento da Coreia do Norte ao mundo aos pisos de hotéis reservados para estrangeiros, ou mesmo aos hotéis com especificidades particulares (CNN num, por exemplo), tudo sabe a bálsamo por abrir as portas ao segredo. Ao mesmo tempo, porque mostra o que o segredo tem, muito do que se lê sabe a sufoco. COMPRO NA WOOK! » Crónicas da Birmânia É ao estilo do anterior, mas noutra parte do mundo. Deste retrato da Birmânia, ou Myanmar, fica uma sensação de calor. Assim que lá chega, o narrador, que é o autor, procura uma casa para morar com a família. Para ali foram os três – pai, mãe e filho –, porque a mãe estava numa comissão dos Médicos do Mundo. Só essa procura já é hilariante: pedem aos agentes imobiliários uma casa simples e térrea e só lhes mostram palácios ou casas disfuncionais. Enquanto a narrativa se desenrola, sempre feita de dia-a-dia, o leitor apercebe-se dos desafios de viver ali. Para o narrador, o maior desafio parece ser aquele calor que o põe a suar em bica em menos de cinco minutos, e as sucessivas quebras na energia elétrica. O romance gráfico desenrola-se ao sabor do vento, com sabor a diário, e por isso sabor a vida. Mais uma vez, o traço é simples, direto ao ponto, resultando sempre num grafismo agradável e incisivo. O tom é sempre despretensioso, com a partilha permanente de dúvidas, cogitações, admirações – e com isso o leitor faz a viagem ao mesmo tempo que a lê. Entre coisas de grande porte, como a abordagem ao sistema político do país, encontram-se detalhes que dão cor ao livro: por exemplo, o autor nota, e nós notamos também, que os habitantes guardam o guarda-chuva na cintura ou pendurado no colarinho da camisa. Adensando-se a ação, com o narrador cada vez mais dentro da realidade, começa a dar-se um retrato mais panorâmico do país, incluindo paisagens de encher o olho. COMPRO NA WOOK! » Sunny 1 Este é japonês, o que significa que o lemos ao contrário: começa-se pelo fim e vai-se da direita para a esquerda. Ao fim de umas páginas, o movimento começa a parecer-nos natural, o olho já vai sozinho e treinado. Este livro acompanha um grupo de crianças que vivem na casa de acolhimento Hoshinoko. São doze capítulos, e ei-los a mostrar o medo do abandono, o crescimento numa vida sem amarras. O grafismo saltita entre imagens a preto e branco e imagens que parecem aguarelas: nesses últimos, as cores são vívidas, embora quase sempre haja ali um fundo de lentidão ou de tristeza. Nos quadros em que não há texto, a imagem fala. As páginas respiram, apesar da violência que aparece volta e meia, inerente às tentativas de sobrevivência. Também Sunny – um carro avariado – é uma forma de sobrevivência: ali se metem os miúdos a fingir que a vida é outra coisa, que vão para outros lugares ou simplesmente que estão separados do mundo lá fora. COMPRO NA WOOK! » Bairro distante Quem não sonha, volta e meia, com o que se passa neste livro? Ali dentro, as viagens no tempo são possíveis. Hiroshi vai da meia-idade aos tempos em que tinha 14 anos. No início, há o susto: as pessoas desaparecidas da sua vida que entretanto voltam a encher-lhe o quotidiano, os passos numa cidade que deixou de existir, a incapacidade de perceber por que raio é que aquilo aconteceu. Depois, há o outro lado: a possibilidade de reviver ou refazer as relações que afetaram o futuro e, claro, de voltar a ouvir vozes que a morte levara há muito. Lê-se de forma escorreita, com fome de saber o que será feito daquele homem que de novo virou rapaz, e o livro oferece uma possibilidade que só pode pertencer à ficção: o que fazer num determinado momento, podendo já ler o futuro? Mudar os passos, claro, muda tudo, e essa possibilidade marca a história. Ao mesmo tempo, tudo é emoção: por um lado, há a leveza de uma juventude, o reconforto de recuperar os mortos; por outro, a nova vida implica passar por tudo outra vez. Aliás, é por saber o que está prestes a assolar a sua família que, depois de ter percebido que aquilo não era um sonho nem ia passar depressa, tenta mudar o rumo às coisas. Nos poucos meses que tem até chegar à data que mudou tudo, Hiroshi tenta impedir o desaparecimento do pai e a morte da mãe. Claro, enquanto mexe, há que ter cuidado para não mexer demasiado, para que a vida que construíra de facto não deixe de existir. COMPRO NA WOOK! » À espera de ser preso durante a noite Este não é ficção nem banda desenhada, mas também, e de que maneira, abre as portas para o mundo. Eis o relato de Izgil, um poeta modernista de língua uigur. Aqui, o autor conta a história do seu povo, uma minoria muçulmana da China ocidental que vive controlada pelo governo chinês. Com uma escrita subtil, o autor vai mostrando uma história que parece ficção científica: o povo uigur a viver controlado por forças de seguranças chinesas, que torturam, perseguem, “reeducam” e depois matam sem dó. O livro tem uma prosa literária, agarrando o leitor ao texto pela forma e pelo conteúdo. Enquanto se lê, vê-se o horror, embora muitas vezes ao longe, uma vez que o autor se foca mais na expectativa, no medo, na nuance. Ao longo do livro, o autor conta ainda o momento em que tentou viajar para o estrangeiro em 1996 e foi torturado pela polícia até confessar as acusações que lhe imputavam, acabando num campo de “reeducação”. É uma escrita contundente que mostra ao leitor contemporâneo uma realidade que dificilmente lhe chega. COMPRO NA WOOK! » Seios e Óvulos É o primeiro romance de Kawakami , hoje uma das mais prestigiadas autoras japonesas, publicado em Portugal. Aqui, a autora conta a história de três personagens de gerações diferentes: há a menina obcecada com o facto de as mulheres produzirem óvulos, a mãe obcecada com seios, e a irmã da mãe, que liga os membros da família na narrativa. Enquanto o enredo se desenvolve, são tecidas considerações sobre o lugar das mulheres no mundo e no Japão, o que inclui a ligação com a maternidade – e a pressão social para que mulher e mãe sejam quase sinónimos. Através da ligação entre as personagens, e pelo facto de a autora mostrar a vida, o leitor fica a conhecer parte da cultura japonesa. A narrativa é sólida, as personagens sabem a gente a sério. Em simultâneo, há acção e consideração sobre a acção, resultando num livro coeso, de leitura aprazível, em que se mostra um país que parece estar a equilibrar-se entre conceitos antigos e o progresso social e tecnológico. À primeira vista, pode parecer que é um romance sobre o papel social das mulheres no Japão, mas é mais do que isso: é mesmo uma janela aberta para a cultura de um país. COMPRO NA WOOK! »

À Espera de Ser Preso durante a Noite

O genocídio praticado pela China na memória de um poeta uigur

de Tahir Hamut Izgil

Propriedade Descrição
ISBN: 9789896447427
Editor: Temas e Debates
Data de Lançamento: maio de 2024
Idioma: Português
Dimensões: 148 x 236 x 23 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 320
Tipo de produto: Livro
Classificação Temática: Livros em Português > Literatura > Memórias e Testemunhos
EAN: 9789896447427
Idade Mínima Recomendada: Não aplicável

Perseguições

PP

A China actual está a caminho de um totalitarismo absoluto, com repercursões nas minorias étnicas que pertencem ao país. As perseguições são constantes e cada vez mais rigorosas e discriminatórias, como este livro nos mostra. O ser humano é mesmo o pior que existe no mundo...

SOBRE O AUTOR

Tahir Hamut Izgil

É um dos poetas modernistas mais notáveis de língua uigur. Nasceu em 1969 numa pequena cidade perto de Kashgar, no sudoeste da Região Autónoma Uigur de Xinjiang (China).
Frequentou a universidade em Pequim e desde o fim dos anos 1990 trabalhou como realizador cinematográfico na região uigur, onde fundou uma empresa de produção e obteve reconhecimento pelas longas-metragens, documentários e outros projetos.
Atualmente está exilado nos Estados Unidos. Os seus escritos surgiram em várias publicações, entre as quais The Atlantic e The New York Review of Books.

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