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A Curadoria Geral dos Serviçais e Colonos

(S. Tomé e Príncipe 1875/1926)

de Maria Nazaré de Ceita
Editor: Editorial Novembro, abril de 2021 ‧
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«A Curadoria Geral dos Serviçais e Colonos foi uma instituição criada em 1876 para fazer a transição dos termos de gestão da mão-de-obra escrava para a serviçal, quando foi abolida a es¬cravatura nas ilhas de STP. Entrado em vigor o regime de contrato, a mão-de-obra passa a ser recrutada de Angola (uma das maiores fontes de escravatura para as ilhas na fase anterior), Moçambique, Cabo Verde, Serra Leoa, Cabinda, entre outros.

Para o empreen¬dimento roceiro foram também atraídos colonos portugueses para prestarem serviço em lugares cimeiros que lhes eram reservados nas plantações do cacau, cujas grandes propriedades passaram a receber o investimento do Banco Nacional Ultramarino, em detri¬mento dos proprietários autóctones que acabaram por cair na misé¬ria. Odiada por uns e enaltecida por outros, a Curadoria serpenteava entre tratar os serviçais com mãos duras, ao mesmo tempo em que procedia à fiscalização da actuação dos patrões e dos seus admi¬nistradores face aos mesmos.

Propusemo-nos estudar a referida instituição colonial entre 1875, data da sua implantação nas ilhas, e 1926, altura em que o poder colonial, como resultado do Golpe de Estado de 28 de Maio, endureceu a sua posição em S.Tomé e Príncipe. A nomeação do Governador Junqueira Rato em Julho de 1926 é um marco de passagem para uma nova fase das relações coloniais, fossem elas com os nativos ou com os serviçais, cuja subalternização se tornou mais aguda nas ilhas.»

In contracapa
A Curadoria Geral dos Serviçais e Colonos (S. Tomé e Príncipe 1875/1926)
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Letras de São Tomé

Não foi fácil. Mas não há livro que a WOOK não tenha. Se, por um lado, reconhecemos escritores angolanos, moçambicanos e até cabo-verdianos, no que toca ao arquipélago por onde passa a linha do Equador e onde se fala português, a história é outra. Fomos à descoberta e o que encontramos vale a pena partilhar convosco. ESCRAVOS E HOMENS LIVRES
Está cá em casa para ser lido em breve. Trata-se de um romance histórico de um escritor santomense que nos fala de um momento importante da História de Portugal, São Tomé e Angola. Nele se conta que a D. José I não lhe agradava a quantidade de escravos negros que se via na metrópole e que, segundo ele, tiravam trabalho aos jovens portugueses, que se viam obrigados à ociosidade. Onde é que já ouvimos isto? Pois, de facto a História tende a repetir-se, ou o carácter dos homens não muda tanto ao longo dos séculos. O Marquês de Pombal acaba com a escravatura em Portugal em 1773 mas não há um plano de integração para os trabalhadores negros que por cá viviam. Entre Lisboa, Luanda e São Tomé, este romance fala-nos de um tempo que não é o nosso, mas onde encontramos pontos de contacto com algumas dimensões de reflexão que importa ter em conta hoje em dia. O MUNDO VISTO DO MEIO
Trata-se de uma série de crónicas da jornalista santomense Conceição Lima, uma das personalidades mais reconhecidas no arquipélago, com uma longa carreira em órgãos de comunicação do país e não só. Trabalha atualmente na área do jornalismo televisivo, mas o seu contributo como escritora e poetisa é também muito reconhecido dentro e fora de portas. Aqui encontramos um dos géneros mais ricos da escrita jornalística, a crónica, desta feita referente a um sem número de textos que a autora publicou na imprensa e que dizem respeito a reflexões sobre a atualidade, textos de caráter mais íntimo e meditativo. Sempre presente, é claro, a ideia da insularidade e a reflexão em torno da vida no arquipélago. ALDA ESPÍRITO SANTO – ESCRITOS
O que sabemos dos movimentos independentistas santomenses? Muito pouco. Mas houve uma mulher que se destacou e o seu nome é Alda Espírito Santo. Nascida em São Tomé, Alda foi para Lisboa tirar o Magistério Primário, mas a sua atividade por cá ultrapassou em larga escala o âmbito dos seus estudos. A PIDE prendeu-a em 1965, por conspiração com vista à criação de um movimento independentista em São Tomé, mas isso não lhe tolheu nem a esperança, nem a luta. Alda integrou alguns dos principais movimentos políticos anticolonialistas do arquipélago, muito antes do 25 de abril. A escrita de Alda clama das entranhas da Terra em nome da liberdade, tão desejada e tanto tempo adiada. O autor deste livro, que recolhe alguns dos mais belos poemas desta poetisa, escritora e ativista, presta aqui homenagem a uma das principais figuras do seu país. MARIAZINHA CALCINHA DE RENDA
Rufas Santo é um dos principais nomes a reter, quando se fala de produção literária santomense. O autor nasceu nas “ilhas do meio do mundo”, por lá estudou, mas foi em Cuba que se licenciou em Física, tendo depois voltado para São Tomé para lecionar também Matemática. Este seu livro de ficção fala-nos da vida do mercado “Feira Grande”, na capital, com as suas personagens típicas, como a própria Mariazinha ou o vendedor de bolo, que regressava todos os dias enchendo o mercado com o aroma dos bolos acabados de fazer. O livro passa-se dentro da saudade do cá e lá, onde de repente o Tejo se funde com o Água Grande, onde as paisagens vagueiam entre a grande cidade e os trópicos. TOMÉ BOMBOM
Este conto é uma delícia e dá vontade de ler e reler. É daqueles livros para crianças que também são muito queridos pelos adultos. Aqui encontramos Tomé e as suas dúvidas de criança quanto à origem dos bombons que a tia lhe leva de Lisboa. A proveniência do chocolate e a ideia de um regresso à origem para a entender melhor. A cultura do cacau tem tanto de bonito, como de triste. Basta pensar que, na extensa maioria dos casos, as crianças que trabalham nos campos não chegam a ver o produto que apanham transformado em chocolate. A menos que haja uma tia que traz bombons na mala e um pai que conte a história dele até chegar ao fruto.
Deixamos aqui um pequeno excerto do livro:
«Meu pai conta sempre que bombom vem do chocolate e chocolate vem do cacau e cacau veio de longe, longe, longe, mais longe que Cabo Verde… diz que foi português que trouxe, tia sabe? Tia vem do Lisboa sabe né?! E depois tia, quando voltar, traz bombom p’ra eu, traz "memo" né? Então eu "conta" a história toda, todinha "memo"…». A CURADORIA GERAL DOS SERVIÇAIS E COLONOS
Nesta autora, encontramos uma antropóloga, historiadora e académica cujo nome vale muito a pena reter. Atualmente pró-reitora da Universidade de São Tomé, onde também leciona, Maria Nazaré Costa leva a voz do arquipélago a espaços como a UNESCO, e o seu trabalho centra-se, também, na valorização do contributo da mulher rural para o desenvolvimento do país. Neste livro, encontramos um estudo muitíssimo interessante sobre os tempos seguintes à abolição da escravatura na ilha (1875) e à criação, o ano seguinte, da Curadoria Geral dos Serviçais e Colonos, órgão que deveria fazer a transição da mão-de-obra escrava para a serviçal. Responsável por fiscalizar a ação dos patrões, era com mão dura, também, que tratava os serviçais. É muito interessante perceber como todo o processo aconteceu, já que se trata de um período e de uma localização pouco estudados e por isso ainda desconhecidos da maioria.

A Curadoria Geral dos Serviçais e Colonos

(S. Tomé e Príncipe 1875/1926)

de Maria Nazaré de Ceita

Propriedade Descrição
ISBN: 9789895498444
Editor: Editorial Novembro
Data de Lançamento: abril de 2021
Idioma: Português
Dimensões: 151 x 230 x 12 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 226
Tipo de produto: Livro
Coleção: Nexus
Classificação Temática: Livros em Português > História > História da África
EAN: 9789895498444

Ótimo livro!

Maysa Espindola Souza

Obra muito aguardada pelos especialistas em História da África, o livro "A Curadoria Geral dos Serviçais e Colonos", de Maria Nazaré de Ceita, demonstra a centralidade das curadorias na exploração do trabalho dentro da administração colonial. As curadorias existiram em todas as colônias portuguesas na África e, apesar da sua importância, são ainda pouco estudadas. Através destas instituições é possível observar quais foram as práticas empregadas, muitas vezes ao arrepio da legislação em vigor ou contando com arranjos políticos, que serviram para negar direitos aos serviçais. Nazaré Ceita acrescenta uma grande contribuição ao debate historiográfico sobre o trabalho colonial.

SOBRE O AUTOR

Maria Nazaré de Ceita

Maria Nazaré de Ceita, natural de S. Tomé e Príncipe, é Licenciada e Master em História, com especialidade em Antropologia pela Universidade de S. Petersburgo/Rússia (1988); Pós-graduada em Desenvolvimento Socioeconómico, Economia e Estratégias pelo ISCTE, Instituto Universitário de Lis boa (1991) e Mestre em História de África pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2006).
É, desde março de 2020, Doutora em Ciências Sociais com especialidade em Desenvolvimento Socioeconómico pelo Instituto Superior das Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, onde desenvolveu uma tese sobre a participação da mulher rural no Desenvolvimento Socioeconómico de S. Tomé e Príncipe, no período de 1950-1999.
Ocupou, entre outros, os cargos de Diretora Geral da Cultura (1995-2010), Diretora da Biblioteca Nacional (2010-2014), membro do Conselho de Administração da Escola do Património Africano de Porto Novo/Benim (2007-2009) e foi Consultora da UNESCO para a salvaguarda do Património Imaterial nos PALOP.
É Pró-Reitora da Universidade de STP (S. Tomé e Príncipe), Coordenadora do Departamento das Ciências Sociais e Humanas da USTP (Universidade de São Tomé e Príncipe) e Docente na mesma Faculdade.

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