Uma Mentira Mil Vezes Repetida

by Manuel Jorge Marmelo
Publisher: Quetzal Editores, September of 2011 ‧
Para escapar ao anonimato de uma vida comum, à solidão da escrita e ao esquecimento dos futuros leitores, o narrador de Uma Mentira Mil Vezes Repetida inventou uma obra monumental, um autor - um judeu húngaro com uma vida aventurosa - e uma miríade de personagens e de histórias que narra entusiasticamente a quem ao pé dele se senta nos transportes públicos. Assim vai desfiando as andanças literárias de Marcos Sacatepequez e o seu singular destino, a desgraça do Homem-Zebra de Polvorosa, o caos postal de Granada, a maldição do marinheiro Albrecht e as memórias do velho Afonso Cão, amigo de Cassiano Consciência, advogado e proprietário do único exemplar conhecido de Cidade Conquistada, a obra-prima de Oscar Schidinski. Enquanto o autocarro se aproxima de Cedofeita, ou pára na rua do Bolhão, quem o escuta viaja do Belize a Budapeste, passando pelas Honduras, por estâncias alpinas, por Toulon ou por Lisboa. Mas se o nosso narrador não encontrou a glória - senão por breves momentos e na mente alheada de quem cumpre uma rotina - talvez tenha encontrado o amor. Ou será ele também inventado?

«Em Uma Mentira Mil Vezes Repetida, nono romance de MJM (e talvez o seu melhor), o que está em causa é um embuste, uma falsificação intelectual. Reformado por invalidez aos 36 anos, devido a uma «agressiva doença de pele provocada pelo implacável stresse do funcionalismo público», o narrador do livro anda às voltas pela cidade do Porto, viajando nos transportes públicos com um calhamaço de 1200 páginas. A qualquer passageiro que demonstre um mínimo de curiosidade, ele explica que Cidade Conquistada é o único e extraordinário romance de Oscar Schidinski, judeu húngaro que passou por Lisboa em fuga da ameaça nazi e dos «seus próprios fantasmas», um autor esquecido mas genial, entretanto transformado numa “das mais obscuras lendas literárias do século XX”. […] O principal mérito de MJM está na forma como consegue manter a sensação de claustrofobia narrativa, sem deixar que o leitor se perca no caos de repetições, incongruências e «solavancos lógicos». Muito bem escrito, o livro oferece-nos pelo menos dois pastiches brilhantes: um de García Márquez (a cidade de Polvorosa, uma espécie de Macondo onde se produz cacau em vez de bananas); outro de Thomas Pynchon (a barafunda postal de Granada). »
José Mário Silva, Expresso, Atual

«Uma Mentira Mil Vezes Repetida recupera essa tradição romanesca, na forma muito pós-moderna da montagem e da colagem labiríntica, através do relato de um homem prematuramente incapacitado para o trabalho que, apesar dessa “deficiência”, decide ser célebre.»
Helena Vasconcelos, Público, Ípsilon

Uma Mentira Mil Vezes Repetida

by Manuel Jorge Marmelo

Property Description
ISBN: 9789725649725
Publisher: Quetzal Editores
Release Date: September of 2011
Language: Portuguese
Dimensions: 149 x 234 x 16 mm
Cover: Softcover
Pages: 208
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789725649725
Recommended Minimum Age: Not applicable

Um projeto aquém das reais capacidades do autor

anabela moutinho

Não apreciei este livro pela simples razão de que é pastiche de muitos outros. Não possui o fôlego de que o projecto carecia. Começa muitíssimo bem mas perde-se pelo caminho. Compreendo o prémio atribuído, mas foi um livro que me desiludiu.

Mentir assim não custa

André Carneiro

Excelente narrativa na qual se abordam temas relevantes e muito actuais.

Que se passa na Póvoa?

André Campos

Manuel Jorge Marmelo (MJM), com este seu romance vencedor do Prémio Casino da Póvoa, recorre a uma estrutura típica do romance pós-moderno em que vários estilos coexistem numa trama desenrolando-se por textos dentro de textos dentro de textos. Neste sentido, é um estilo mil vezes repetido que continua a produzir a ilusão da sua originalidade. Mas o problema maior para o leitor nem reside aí. A narrativa baseia-se numa premissa pouco verosímil, bem ao estilo saramagenho que o autor tanto preza, mas parece não conseguir sedimentar muito a partir daí na medida em que as suas próprias personagens parecem inverosímeis: quem é que no seu perfeito juízo julgará que o fingimento da literatura poderá dar acesso à fama? E quem é que escuta o que os outros dizem em transportes públicos para lá da imediação da repulsa momentânea? Espere-se que o prémio seja um incentivo a que MJM melhore a sua produção substancialmente... O júri partilhará tamanhas responsabilidades; e, sobretudo, também os leitores.

Recomendação (que não é mentira)

M.

Não foi por acaso que Manuel Jorge Marmelo ganhou o Correntes d' Escritas 2014 com esta obra. O narrador inventa histórias, um livro, e leva-nos numa viagem maravilhosa, que a escrita deste autor nos proporciona. O ritmo do romance é perfeito, com personagens enigmáticas e interessantes. Nunca antes foi tão bom andar de autocarro pelas ruas de uma cidade! Uma leitura recomendada, com certeza.

Mentir (não) é feio

António Cardoso Magalhães

Mentir bem é uma arte, mas neste livro a arte de escrever(bem) supera as mentiras inventadas pelo personagem e (re)lembra-nos o prazer da leitura.

Mentir (não) é feio

António Cardoso Magalhães

Mentir bem é uma arte, mas neste livro a arte de escrever(bem) supera as mentiras inventadas pelo personagem e (re)lembra-nos o przer da leitura.

ABOUT THE AUTHOR

Manuel Jorge Marmelo

Manuel Jorge Marmelo nasceu em 1971, na cidade do Porto.
Estreou-se na literatura em 1996 e publicou, de então para cá, em Portugal e não só, romances, crónicas, contos e livros infantis, destacando-se os romances Uma Mentira Mil Vezes Repetida, editado em 2011, que conquistou o prestigiado Prémio Literário Casino da Póvoa/Correntes d'Escritas 2014; Macaco Infinito, de 2016; Somos Todos Um Bocado Ciganos, de 2012; e o livro O Silêncio de um Homem Só, distinguido em 2005 com o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco. O romance O Tempo Morto É Um Bom Lugar, de 2014, foi um dos três finalistas do Livro do Ano da Time Out Lisboa.

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