Um Dia na Eternidade
SYNOPSIS
Em Um Dia na Eternidade, extenso poema de mais de dois mil versos, cruzam-se várias linhas temporais, numa revisitação frenética e poética que deambula pelos meus territórios interiores, o Porto, Gaia, a infância, a memória, os inúmeros episódios que marcam a viagem que a vida me trouxe e que aceito viver com o deslumbramento de quem testemunha e descobre como um feixe de rumos acrescenta vida ao que se vive e ao que se escreve, vivendo.
A acção do poema decorre num curto período de vinte e quatro horas, mas o que ela abrange é da ordem do eterno, do que connosco fica para sempre, não só como porção do vivido mas também como herança que se lega aos que hão-de vir - uma tentativa constante de universalizar a experiência do poema procurando que a cada leitor corresponda um singular reconhecimento do que lhe é dado a ler e a usufruir. Um Dia na Eternidade culmina um percurso poético que em breve atinge 40 anos de actividade.
O livro completa-se com fotografias de Jorge Velhote, também elas atentas ao que de precário a nossa inquietude reúne e assimila.
DETAILS
| Property | Description |
|---|---|
| ISBN: | 9789723618655 |
| Publisher: | Edições Afrontamento |
| Release Date: | September of 2021 |
| Language: | Portuguese |
| Dimensions: | 168 x 208 x 12 mm |
| Cover: | Hardcover |
| Pages: | 120 |
| Format: | Book |
| Categories: |
Books in Portuguese
>
Fiction
>
Poetry
|
| EAN: | 9789723618655 |
REVIEWS
Texto e Imagem Convivem em Harmonia
Ana Parracho Brito
“Um Dia na Eternidade” (2021) é um livro fotogénico, sublime. Como disse Richard Shepard “Se o instante é tudo o que há e ele é inapreensível, é preciso, pelo menos, tentar comunicá-lo”. Amadeu Baptista e Jorge Velhote procuram a maravilha através de um fio condutor, próprio das obras de criação, buscando uma autenticidade, uma cumplicidade com o leitor, sendo que a leitura das imagens pressupõe uma alfabetização do olhar. Sabemos que a capacidade humana de autoconhecimento foi, também, uma preocupação de Aristóteles – que entendia que uma pessoa em estado de vigília estava ciente das suas sensações. A infância do poeta Amadeu Baptista, e todos os poetas são vulneráveis, é revisitada através da memória que acrescenta vida numa posição de experiência estética, artística, afetiva e emocional, poesia como a arte em forma de palavras que mobilizam e possibilitam a tomada de consciência acerca de si e dos outros. A poesia e a fotografia mostram universos íntimos e exteriores – objetivos e subjetivos – uma capacidade pulsante num território bem definido que tem o poder de evocar e criar imagens plurais, na linguagem, num período iniciado na infância e que se estende aos dias de hoje, privilegiando o Porto e Gaia como “estradas palmilhadas” num rio de águas que se sabem ser as dos artífices desta obra. O labor poético de Baptista condensa e celebra manifestações de vida, de histórias e de ideias tecidas num coração pintado de vermelho, por fios (in)visíveis que o ligam a si e aos outros, porque é através da memória afetiva que são estabelecidas associações, relação entre movimentos deixados por sensações e que tendem a suceder-se em certa ordem. E se pintura é poesia silenciosa, poesia é pintura que fala, é a arte da memória, é “visualização” intensa, porque é necessário ver locais, ver imagens. Sensação, imaginação, memória, razão prática e razão criativa, palavras sedutoras, persuasivas, convincentes, memória não apenas como tradição, metáforas, signos culturais – tudo unido ou tudo isolado – representações simbólicas – a palavra está presente em todos os atos de compreensão e de interpretação num extenso poetar através do qual Baptista transporta para o leitor os sentimentos e a afetividade das suas lembranças acrescentando ao “esquecido” o que precisa ser recuperado assente na ludicidade própria da infância (e de toda uma vida) que o tornou Homem naquele pedaço de mundo aberto que (con)forma a sua existência. Este artífice da palavra faz carinhos no pensamento meditando sobre a vida, gosta de saborear a solidão e o silêncio. É poeta, é um escriba da alma e da memória e este livro sublime é imperdível, é poesia intrínseca ao ser humano, é um deslumbramento, é uma herança, uma experiência universal de um Homem Grande pleno de emoção! Recomendo, vivamente!
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