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Termo de Óbidos

by João Miguel Fernandes Jorge
Publisher: Relógio D'Água, February of 2007 ‧
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"Termo de Óbidos é um ponto de regresso, aquele lugar sempre distinto que funda a identidade individual e a dispersa, tal como acontece no poema, com o café central, os natais, os tios, a escola, o passeio até à praia, as caras, os hábitos. A depuração dos elementos que constituem cada quadro transporta o leitor para uma ideia de real como ordem diferente daquela que a palavra, por mais simples que seja, consegue reproduzir. Apenas aproximar-se e perder-se, com o fôlego da vida."
Andreia Brites

"Em Termo de Óbidos João Miguel Fernandes Jorge revisita a infância e adolescência, da mais tenra idade, na segunda metade dos anos 40 («apesar de/ "não te podes recordar"» às memórias trazidas pelo Natal de 2003. Óbidos, Porto Batel, Atouguia, Caldas da Rainha... o liceu em Lisboa. Instantes fugazes. A loja a caminho da escola. A transparência dos berlindes. A praia. O mar. Esse verão dos quinze anos «Quando a noite cercava todos os sentidos». Os parentes. «Sombras; e outras sombras ainda», «feridas do passado esfregadas com sal».
António Costa

«Uma antologia dos melhores poemas de João Miguel Fernandes Jorge - e a sua vastíssima obra poética justifica o empreendimento - encontraria neste livro lugares bastantes para se deter.»
António Guerreiro, Expresso

«A memória lírica torna-se, em livros como este, ilimitação dos limites de um sujeito, que se faz e desfaz na recordação difusa ou fulgurante de um ambiente, gesto, acontecimento ou duração. Matéria e montagem: sensibilidade que imagina e grava; memória difusa dos retratos dos amigos e amados, fulgurante e discreta descoberta de uma "íntima sensualidade".»
Manuel Gusmão, Público

Termo de Óbidos

by João Miguel Fernandes Jorge

Property Description
ISBN: 9789727089260
Publisher: Relógio D'Água
Release Date: February of 2007
Language: Portuguese
Dimensions: 138 x 209 x 7 mm
Pages: 110
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Poetry
EAN: 9789727089260

ABOUT THE AUTHOR

João Miguel Fernandes Jorge

1943, Bombarral. Poeta, prosador e crítico artístico, licenciado em Filosofia, desenvolveu também a atividade docente. Estreia-se na poesia com o volume Sob Sobre Voz, onde joga, de forma inquietante, com a não referencialidade de uma palavra que se situa na contiguidade com o indizível. Ou seja, nas palavras de Joaquim Manuel Magalhães, a perturbação gerada na leitura da sua poesia decorre da nossa formação ocidental, pela qual se torna "difícil de abdicar de um real para o qual as palavras não apontem" ("alguns descobriram que dizer barco não é arrastar à palavra um barco ou dizer aos outros que um barco está ali, mas revelar um local onde um barco não está, onde a memória dele se tornou uma música de fonemas em que desaparece o barco e o homem descobre a solidão que é dizer barco sem um barco ser. Este trabalho silencioso de captação da ausência percorre a obra de João Miguel Fernandes Jorge." (cf. MAGALHÃES, Joaquim Manuel - Os Dois Crepúsculos, Lisboa, A Regra do Jogo, 1981, pp. 224-225), ou, nas palavras do próprio autor: "O que me faz escrever este poema/não são as coisas: terra céu astros./A saber: estendo a mão: e/o mundo reconhece-a encontra a/memória onde repousa e se transforma./... Não sonho palavra sonho barco." ("Para outro texto", in Vinte e Nove Poemas, Lisboa, 1978). Confirmadas nos volumes que integram a sua Obra Poética, estas linhas de leitura remetem, segundo Fernando Guimarães, para um processo de "microrrealismo", pelo qual a "linguagem tende a testemunhar a evidência do conhecimento", ao mesmo tempo que as imagens ou metáforas se constituem como "núcleos de natureza conceptual": "João Miguel Fernandes Jorge parece fazer apelo à possibilidade de a linguagem se afastar de dois caminhos, o da metáfora e o da imagem, em que a poesia moderna tanto se fixou desde os finais do séc. XIX, privilegiando, antes, os caracteres apagadamente distintivos dos "sinais" ou, se se quiser, dos signos (...)", o poema fragmentando-se "através de múltiplas reminiscências, de uma linguagem desfocada, de uma disponibilidade subjetiva nem sempre previsível, de uma visão fluida da realidade e da natureza, de uma dispersão de significados às vezes percorridos por referências culturais ou de índole meramente circunstancial que, apesar de um descritivismo a que não raro se mantém fiel, se tornam dificilmente reconhecíveis. (...) A linguagem torna-se dispersiva, residual, e a consciência de que ela é inquestionável ou opaca a um possível significado" (GUIMARÃES, Fernando - A Poesia Portuguesa Contemporânea e o Fim da Modernidade, Lisboa, Caminho, 1989, pp. 113-114). A publicação de Crónica, em 1977, inaugura na sua bibliografia uma outra estratégia discursiva, que parte da colagem de textos e motivos históricos com acontecimentos reais e míticos e com conteúdos subjetivos.

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