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Suíte e Fúria

by Rui Nunes
Publisher: Relógio D'Água, October of 2018 ‧
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«e as palavras surgem,
peças minúsculas, umas ao lado das outras,
coesas até à imprecação.
:
Como escrevia Heraclito? onde? nas margens de que rio? nas praias de que mar? no alpendre de que casa? na sombra de que parreira? de que pinheiro? ou não escrevia? falava ao ouvido do adolescente sentado na caruma, enquanto lhe passava a mão pelo cabelo e as formigas lhe subiam pelo branco da túnica?
Por momentos, Heraclito calava¬ se.
Hoje, perguntamo¬ nos o que é, o que era, esse silêncio.
E enchemo¬ lo de palavras.
O adolescente, porém, só ouvia o zumbido das vespas e o movimento da mão a afugentar uma mosca.»

Suíte e Fúria

by Rui Nunes

Property Description
ISBN: 9789896418748
Publisher: Relógio D'Água
Release Date: October of 2018
Language: Portuguese
Dimensions: 152 x 236 x 9 mm
Cover: Softcover
Pages: 104
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789896418748

Brilhante e intenso

Rui Silva

Mais um livro, brilhante e intenso, de um grande escritor, que continua ignorado pela grande maioria dos leitores. Não sabem o que perdem...

«Começamos a escrever e o mundo transforma-se»

Emanuel Guerreiro

Rui Nunes faz, nesta narrativa, uma reflexão sobre a escrita, sobre o acto de escrever, de criar, sobre a arte literária. Evocando o silêncio e o passado como presenças determinantes do ser do sujeito, considera que a morte surge ao findar (um)a obra: «Cada palavra escrita é a eternidade à espera da morte!». Há lugar, também, a uma crítica à actualidade (v. p. 62): a situação no Mediterrâneo, a poluição dos mares, o uso excessivo de plástico, o desrespeito do homem pela natureza e pelo planeta.

ABOUT THE AUTHOR

Rui Nunes

Escritor português e professor de Filosofia, Rui Nunes nascido em novembro de 1947. Licenciou-se em Filosofia pela Universidade de Lisboa e enveredou pela atividade de escritor em paralelo com a de professor de Filosofia, na Escola Secundária Rainha D. Amélia, em Lisboa.
Na década de 60, passou pelos jornais, tendo visto censurados muitos dos trabalhos.
Com muitas dificuldades, publicou o seu primeiro livro As Margens em 1968, tendo que suportar as despesas da edição. Contudo, a sua atividade literária só assume continuidade a partir de 1976, quando, depois de ter regressado da Austrália, em 1974, publica Sauromaquia.
Imprimindo à sua escrita um discurso de características próprias, Rui Nunes não nega a influência de escritores que a vida lhe foi permitindo conhecer, nomeadamente Kafka. Temas como a dor, a doença e a morte são recorrentes nos seus livros.
Porém, e apesar desta temática recorrente que flui na sua obra, o autor assume o ato de escrita como uma forma de sublimar a dor e com preciosos e comprovados (por ele) poderes terapêuticos. Por isso, gosta e tem prazer em escrever.
Leitor da obra de Agustina Bessa-Luís, Maria Velho da Costa, Maria Gabriela Llansol e de José Saramago, entre outros. Rui Nunes aprecia também outros géneros artísticos, nomeadamente o cinema (Bergman) e a música (Barroca e Jazz), admitindo que estes podem suscitar-lhe o gosto pela escrita.
Premiado, em 1992, com o Prémio do Pen Club Português de Ficção, atribuído ao seu livro Osculatriz, os seus novos títulos foram sempre, saudavelmente, apreciados pela crítica literária.
Considerado por Manuel Frias, membro do Júri que atribuiu ao seu livro Grito, em 1998, o Prémio GPRN (Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE)), "uma das estrelas mais brilhantes da constelação literária portuguesa - ocultada, tantas vezes pelas nuvens do fácil e do óbvio", Rui Nunes entende que o sucesso de um livro não se prende com a quantidade das vendas, mas sim com o "espaço de cumplicidade" entre autor e leitor que é capaz de criar.

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