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Noites Brancas

by Fiódor Dostoiévski
Book eBook
Publisher: Editorial Presença, August of 2022 ‧
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RECOMMENDED BY THE NATIONAL READING PLAN
Publicada nos primeiros anos de carreira do autor, mais precisamente em 1848, e narrada na primeira pessoa, como muitas das obras de Dostoiévski, Noites Brancas é uma novela que mescla romantismo e realismo.

Nela, a voz que escutamos pertence a um jovem solitário e sonhador, que vemos caminhar pelas ruas de São Petersburgo e encontrar a jovem Nástenka, numa ponte sobre o rio Nevá. E é então que tem início uma espécie de educação sentimental do nosso narrador, impulsionada pela aparição daquela mulher, durante as noites brancas da cidade, também ela aqui uma personagem - noites em que o sol insiste em não partir e o tempo se distende tal qual o lírico, delicado e sentimental tom deste livro.

Traduzido diretamente do russo por Nina Guerra e Filipe Guerra
Vencedores do Grande Prémio de Tradução Literária APT/Pen Clube Português
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As Mil e Uma noites

A noite sempre esteve ligada à literatura, como cenário e como verdadeira forma de pensamento. É na noite que o tempo se desacelera, que os gestos quotidianos perdem relevo e aquilo que, à luz do dia, parecia evidente se torna de súbito problemático.
Herdamos da tradição de Shéhérazade a ideia de que a noite é, antes de tudo, um laboratório da narrativa, o lugar em que a linguagem tenta negociar com o medo, o desejo e a morte. Os cinco livros de que parto aqui: Noites Brancas de Dostoiévski, As Mil e Uma Noites, Manhã e noite de John Fosse, A Ronda da Noite de Agustina Bessa-Luís e As palavras da Noite de Natalia Ginzburg, propõem cinco figuras muito distintas da noite, que se cruzam e iluminam mutuamente. Noites Brancas, de Fiodor Dostoiévski, Em Noites Brancas, Dostoiévski escolhe uma noite paradoxal: as noites brancas de São Petersburgo, quando a claridade persiste e a fronteira entre dia e noite se torna incerta. Essa ambiguidade atmosférica corresponde ao próprio estatuto do narrador-protagonista, um “sonhador” que vive numa espécie de penumbra psicológica, suspenso entre a vida real e a vida imaginada. A cidade noturna, quase vazia, com as suas pontes e canais, torna-se prolongamento da interioridade do personagem, um espaço em que tudo é possível porque nada está ainda decidido. O encontro com Nástienka é menos um episódio romântico do que um acontecimento ontológico: durante algumas noites, o narrador acredita que lhe é concedido o direito de existir fora do seu mundo de fantasia. Mas o que a narrativa nos mostra é que essa abertura ao outro está contaminada pela mesma lógica do sonho: o amor que nasce na noite tem, desde a origem, o brilho do que está condenado a desaparecer ao amanhecer. Quando a luz do dia chega, não é apenas o idílio que se desfaz, desfaz-se a própria retórica da noite como espaço de salvação. A noite é o tempo da esperança exaltada, mas também o lugar do autoengano: aquilo que parecia epifania revela-se, em última análise, apenas mais uma figura da solidão. COMPRO NA WOOK! » As Mil e Uma Noites Bem diferente é a noite de As Mil e Uma Noites, que poderíamos chamar a noite “fundadora”. Aqui, a noite é princípio estrutural: o livro existe porque cada noite exige uma história, e cada história exige outra noite. Shéhérazade instala um dispositivo narrativo que é também um dispositivo de sobrevivência: enquanto a voz se mantiver em movimento, enquanto houver um fio de relato que não se interrompe, a morte é diferida. A noite é então o tempo do perigo extremo: a ameaça de execução ao amanhecer, mas é igualmente o tempo do engenho, da astúcia, da invenção incessante. O pacto é claro: o sultão oferece mais um dia de vida em troca de mais um episódio, e Shéhérazade transforma essa negociação brutal em arte de composição, entrelaçando narrativas, abrindo parêntesis, fazendo proliferar vozes, lugares, tempos. A escuridão que rodeia o leito real contrasta com a exuberância imaginativa dos contos, como se a literatura respondesse às trevas com excesso de luz. Se em Noites Brancas a noite é experiência individual, em As Mil e Uma Noites ela é espaço comunitário, povoado de narradores e ouvintes, de heróis, mercadores, princesas e viajantes. É uma noite barulhenta, saturada de histórias, onde o medo da morte se combate pela expansão quase infinita do imaginário. COMPRO NA WOOK! » Manhã e noite, de John Fosse Em Manhã e Noite, de , a noite deixa de ser proliferação e torna-se condensação extrema. O romance organiza-se em torno de dois momentos-limite da vida de Johannes, um pescador norueguês: a manhã do nascimento e a noite da morte. Fosse interessa-se menos pelos acontecimentos exteriores do que pelo modo como a consciência habita esses limiares. Na segunda parte, acompanhamos Johannes numa espécie de deriva pela sua própria existência, num tempo que já não obedece às regras cronológicas. A escrita, marcada por repetições, pausas, retomadas, cria um ritmo quase litânico, aproximando-se da respiração e da oração. A noite é aqui o momento em que o mundo familiar se estranha: os objetos parecem deslocados, as figuras que se aproximam podem ser vivas ou mortas, e o próprio sujeito já não tem a certeza de a quem pertence o corpo que habita. Fosse propõe uma noite rarefeita, quase vazia, em que cada palavra pesa porque pode ser a última. Esta é a noite metafísica por excelência: não a noite urbana do flâneur, nem a noite fantástica do conto popular, mas a noite em que a consciência se interroga sobre o que resta de si quando tudo o resto se retira. COMPRO NA WOOK! » A Ronda da Noite, de Agustina Bessa Luís Em A Ronda da Noite, Agustina Bessa-Luís convoca explicitamente a pintura de Rembrandt, e com ela uma determinada forma de ver a noite como jogo de contrastes, de focos de claridade recortados sobre um fundo obscuro. Essa imagética pictórica contamina o romance, que se constrói como uma sucessão de cenas em que as personagens avançam e recuam no palco social, ora expostas, ora protegidas pela sombra. A noite agustiniana não é apenas espacial, é moral e histórica. É a noite de uma certa burguesia, de uma certa ordem de família, em que o poder, o desejo e a culpa circulam através de conversas, alusões, silêncios estratégicos. A “ronda” do título sugere vigilância, mas também repetição: os gestos, as alianças, as traições repetem-se de geração em geração, como se a comunidade estivesse condenada a girar em círculo dentro desse crepúsculo moral. Agustina escreve esta noite com uma língua densamente irónica, comentando e desmontando o que narra. A noite em Agustina é ocasião de lucidez cruel: é na penumbra que se vê com maior nitidez a mecânica dos afetos e das ambições. A escuridão é a matéria de que se faz o olhar da autora: um olhar que recusa a ingenuidade do dia e prefere a complexidade dos contornos indecisos. COMPRO NA WOOK! » As palavras da Noite, de Natalia Ginzburg Já em As Palavras da Noite, de Natalia Ginzburg, o escuro entra pelo ângulo aparentemente mais modesto: o das relações familiares, das casas, dos quartos, das vozes que falam baixo para não acordar ninguém, ou para não acordar aquilo que todos preferem manter adormecido. A noite de Ginzburg é a noite doméstica, em que os pequenos gestos se tornam, sob determinado ângulo, decisivos. O título sublinha esse desvio: não se trata da noite como fenómeno físico, mas das palavras que lhe pertencem, que só se pronunciam, ou só ganham pleno sentido, quando o mundo exterior se cala. Ginzburg é mestre em captar o momento em que uma frase aparentemente banal fere como um diagnóstico, ou em que um silêncio pesa mais do que qualquer discurso. A noite, aqui, é o tempo em que as conversas ganham densidade, em que aquilo que foi adiado durante o dia vem à superfície, ainda que sob formas indiretas, elípticas.
A prosa de Ginzburg é de uma limpidez quase desarmante, mas essa simplicidade deixa ver com maior crueldade as fissuras afetivas, as pequenas violências que estruturam uma família. Ginzburg reduz o palco a uma sala, a uma cama, a uma mesa; e, nesse espaço mínimo, mostra como a noite é também o tempo em que a linguagem falha, tropeça, não chega onde seria preciso, deixando atrás de si um resto de mal-entendido impossível de resolver. COMPRO NA WOOK! » Se juntarmos estas cinco noites, percebemos que a literatura não se limita a “representar” a escuridão: ela inventa formas de a habitar. Em Dostoiévski, a noite é o tempo da ilusão necessária, em que o sujeito se permite acreditar que pode escapar ao confinamento da sua própria interioridade. Em As Mil e Uma Noites, é a grande máquina de adiamento, em que contar e viver se tornam quase sinónimos. Em John Fosse, a noite é fronteira ontológica, linha de sombra entre existência e não existência. Em Agustina, é teatro de sombras sociais, onde o jogo de luz e obscuridade revela a trama de poder e de desejo que organiza uma comunidade. Em Natalia Ginzburg, por fim, a noite é o laboratório das relações íntimas, o momento em que as palavras, desprotegidas pela rotina diurna, mostram a sua fragilidade e a sua violência.
Talvez seja este o verdadeiro parentesco entre estes livros tão diferentes: todos tratam a noite como um tempo de exceção, em que o mundo se desloca ligeiramente do seu eixo e, por isso, se torna legível de outro modo.

Noites Brancas

by Fiódor Dostoiévski

Property Description
ISBN: 9789722369640
Publisher: Editorial Presença
Release Date: August of 2022
Language: Portuguese
Dimensions: 148 x 231 x 9 mm
Cover: Softcover
Pages: 88
Format: Book
Collection: Obras de Fiódor Dostoiévski
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789722369640

Paixão e desilusão

Ricardo Anjos

Um homem solitário vagueia pelas ruas de São Petersburgo durante as chamadas “noites brancas”, um fenómeno em que o céu quase não escurece no verão. Numa dessas noites, ele conhece Nástienka que se encontra a chorar, uma jovem que espera reencontrar um homem por quem está apaixonada. Ao longo de quatro noites, os dois criam uma ligação intensa, partilhando sonhos, medos e solidão. Contudo no final ela encontra o homem por quem esperava e assim os planos do dito "sonhador" vão por agua a baixo... “Meu Deus! Um momento inteiro de felicidade! Será isso pouco para toda uma vida?”

Uma história de amor entre duas pessoas ou sobre a solidão na vida de cada uma?

Ana Correia Soares

O livro inicia-se com o estreitamento da relação entre narrador e leitor, quando nos trata por “querido leitor”. Estabelece logo de início uma relação de confidência que mantém ao longo de todo o livro. Mais do que uma história de amor entre estas duas personagens, parece-me que é uma história sobre a solidão "Que triste ficar sozinho, completamente sozinho, sem ter o que lamentar." e sobre pensar e agir na vida "(...) vejo como vivem as pessoas - vivem na realidade". Para esta imagem, contribui decisivamente a frase final. Para a conhecer e perceber, é preciso ler o livro!

Um bom clássico para quem quer começar a ler Dostoiévski

C. Moreira

Um breve romance que conta a história de um apaixonado cujo amor não é correspondido. Não é uma premissa incomum, mas o estilo da narrativa é muito próprio e verdadeiramente bonito.

ABOUT THE AUTHOR

Fiódor Dostoiévski

Fyodor Dostoevsky (Moscow, 11.11.1821 - St. Petersburg, 09.02.1881) was one of the great precursors, like Emily Brontë, of the most modern form of the novel, exemplified in Marcel Proust, James Joyce, Virginia Woolf among others. The son of a military doctor, at the age of 15 he was sent to the Military School of Engineering. of St. Petersburg. There he awakened his literary vocation, when he came into contact with other Russian writers and with the work of Byron, Victor Hugo and Shakespeare. After finishing his engineering degree, he dedicated himself to making translations to earn a living and made his debut in 1846 with his first novel, Poor People. After a few more literary attempts, he was sentenced to death in 1849, for implication in a suspected revolutionary conspiracy. However, his sentence was commuted to hard labor in Siberia. During his years of exile he had an inner life of a mystical character, as he was forced to live with the harsh Russian reality, which also led him to become familiar with the unsuspected depths of the soul of the Russian people. Amnesty in 1855, he resumed his literary activity and in 1866, with Crime and Punishment, he marked the break with the liberals and radicals to which he had been connotated. Dostoevsky's works reach maximum prominence for their psychological analysis, especially of morbid conditions, and for the author's complete imaginative identification with the degraded characters he gave life to, having, from this point of view, no rival in world literature. The accuracy and scientific value of his portraits is attested to by the great Russian criminalists. In this great novelist, the desire to suffer brings as a consequence the search for and acceptance of punishment and the conception of punishment as redemptive through pain.

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