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Longe da Árvore

by Andrew Solomon
Book eBook
Publisher: Quetzal Editores, May of 2017 ‧
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RECOMMENDED BY THE NATIONAL READING PLAN
Depois de O Demónio da Depressão (galardoado com o National Book Award), apresentado pelo próprio autor em Lisboa, em 2016, A Quetzal publica agora um livro sobre pais, filhos e a busca da identidade. Um ensaio monumental sobre a diferença e a dificuldade de lidar com ela num âmbito tão estrito e íntimo como a relação parental ou filial. Uma narrativa avassaladora (e profundamente documentada teórica e empiricamente) que explora dez categorias de diversidade e compõe um extraordinário mosaico da experiência de criar filhos não ajustados às definições usuais de «normalidade».

«Um livro que todos deviam ler.»
New York Times Book Review

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Julgar livros pelos títulos

Sigo uma tradição há muitos anos que acabou por moldar a forma como leio e como ofereço livros. Eu e o meu pai escolhemos muitos livros pelo título. Pensamos na pessoa em questão e, não ignorando os critérios de qualidade literária que gostamos de seguir, vemos que título se adequa, de forma carinhosa ou humorística, a cada pessoa. É um gesto quase instintivo, que acontece quando um título nos lembra alguém. Durante anos, foi assim que fomos oferecendo livros um ao outro. Longe da Árvore, de Andrew solomon Quando mudei de casa, para longe dele, do nosso bairro e das árvores que lá plantámos, ofereci-lhe o livro Longe da Árvore, de Andrew Solomon. O título funcionou como uma imagem imediata. A árvore como origem, raiz, pertença, e a distância, no meu caso, literal, que a mudança prometia, como diferença, desvio, identidade, caminho próprio.
Claro que a intenção de oferecer um livro pelo título pode sair gorada assim que se começa a leitura e se percebe que a história nada tem a ver com a nossa narrativa. Mas, fora a brincadeira com o título, este livro foi marcante para nós.
É uma reportagem, ensaio, testemunho, história cultural e uma conversa sobre o que significa pertencer. Solomon parte de uma ideia muito simples e muito profunda: nem sempre os filhos continuam os pais; às vezes nascem com características, identidades ou condições que os colocam fora daquilo que a família esperava, imaginava, sabia nomear. Ao longo de histórias reais (e de um trabalho de escuta impressionante), o livro mostra o amor a ser esticado até aos limites e, por vezes, a crescer precisamente aí. É uma leitura intensa, por vezes dolorosa, mas também cheia de humanidade: não idealiza, não moraliza, não facilita. Faz perguntas difíceis sobre aceitação, orgulho, vergonha, culpa, autonomia, e sobre como se aprende a amar aquilo que não se entende de imediato. No fim, fica a sensação de que o normal é muito mais vasto do que o que nos ensinaram.

COMPRO NA WOOK! » O livro, na sua dimensão humana e investigativa, expande esse abraço com histórias e perguntas difíceis: o que fazemos quando quem amamos é “outro” de uma forma que nos obriga a reaprender o amor? Não é uma leitura leve, mas é profundamente clarificadora.
E, quase sempre, são os títulos que me fazem pensar no momento certo para oferecer um livro: quando alguém precisa de nomear aquilo que está a viver, ou quando eu própria preciso de uma frase que me ajude a atravessar um período.
Deixo aqui alguns desses títulos, livros que se tornaram importantes para mim, primeiro como promessa, e depois como experiência de leitura , e que ofereci (ou me ofereceram) em momentos em que a escolha do nome já era metade do gesto. A vida mentirosa dos adultos, de Elena Ferrante Este título tem uma provocação doméstica: a vida mentirosa dos adultos. Não é “a mentira dos adultos”, é a vida inteira, como se a mentira fosse uma forma de funcionamento. Ao lê-lo, sente-se um arrepio de reconhecimento: crescer é descobrir que os adultos não são uma categoria estável, nem sinónimo de verdade, são pessoas com contradições, fragilidades, teatro, medo, e muitas versões de si mesmas.
Ofereci este livro num momento de transição: daqueles em que alguém está a deixar para trás a ideia de que “quando eu for adulto vou perceber tudo”. O título parecia um aviso e, ao mesmo tempo, uma libertação. Porque há um consolo inesperado em aceitar que a vida adulta é uma negociação contínua entre aquilo que mostramos e aquilo que escondemos, entre o que acreditamos e o que fazemos.
Ferrante tem esta capacidade rara de escrever como se estivesse a acender luzes em zonas que preferíamos manter na penumbra. E o título é a primeira dessas luzes: curto, directo, cruel, como muitas verdades importantes. COMPRO NA WOOK! » O luto é a coisa com penas, de Max Porter Há títulos que são, por si, uma metáfora completa. Este é um deles, e ainda por cima carrega uma referência que cria uma estranheza bonita: trocando a esperança do verso de Emily Dickinson pela dor, O Luto é a Coisa com Penas foi um livro que ofereci (com algum receio, confesso) num período de perda. Há alturas em que o luto é tão pesado que qualquer tentativa de falar parece inadequada, e, ao mesmo tempo, há uma necessidade de linguagem, de forma, de companhia. O título sugeria isso: que o luto também é ave. Que a dor, por mais absurda que pareça a imagem, pode ter movimentos inesperados: pousar, agitar-se, gritar, bater asas.
E o livro confirma essa intuição com uma inteligência emocional rara. É breve, intenso, estranho no melhor sentido: não explica o luto, encena-o, dá-lhe corpo, dá-lhe voz, dá-lhe a possibilidade de ser vivido com alguma arte quando a realidade não tem arte nenhuma.
Se o ofereço, é porque às vezes um livro serve para não deixar alguém sozinho naquilo que não tem solução.

COMPRO NA WOOK! » O coração é um caçador solitário, de Carson McCullers O Coração é Um Caçador Solitário tem em mim um efeito ao mesmo tempo lírico e implacável. Um título que resume tudo. Ofereci este livro num momento em que a solidão de alguém à minha volta era silenciosa. O título serviu como um recado delicado.
Quando lemos o livro, percebemos que McCullers escreve precisamente sobre isso, sobre a fome de ligação, sobre mal-entendidos, sobre o que carregamos sem saber dizer.
E o título continua a ser, para mim, uma das melhores descrições do que é sentir: uma caça íntima, insistente, nem sempre correspondida.
Numa pequena cidade do sul dos EUA, acompanhamos várias personagens encostadas umas às outras pela necessidade: a adolescente Mick, com uma fome de música e futuro, um médico cansado de lutar contra a injustiça, um homem que quer mudar o mundo mas não consegue mudar a própria solidão, gente comum que fala muito porque não sabe ser ouvida. No centro, John Singer, um homem surdo que, justamente por escutar de outra maneira, se transforma no ecrã onde todos projectam aquilo que lhes falta. O livro é sobre desencontros: sobre o que pedimos aos outros sem lhes perguntar se podem dar, e sobre a esperança que nasce quando encontramos alguém que parece compreender-nos.
A edição que apresentamos é a da língua original, em inglês.

COMPRO NA WOOK! » O meu ano de repouso e relaxamento, de Ottessa Moshfegh Este título tem uma ironia sedutora: quem não quer um ano de repouso e relaxamento? Lê-se e imaginamos mantas, silêncio, cura, uma espécie de reinício limpo. Comprei este livro num momento em que o cansaço já não era só físico. Uma fadiga que não se resolve com uma noite bem dormida, porque é a vida inteira que parece precisar de pausa. O título funcionou como uma piada cúmplice.
O título promete “relaxamento”, mas o que entrega é uma reflexão ácida sobre vazio, consumo, auto-anulação e a fantasia moderna de que podemos hibernar até a vida ficar suportável.
A narradora: jovem, bonita, financeiramente segura, decide hibernar: apagar-se durante um ano com a ajuda de medicamentos, como se o sono pudesse ser um botão de reiniciar. O que podia soar a fantasia acolhedora depressa se revela uma sátira feroz: sobre privilégio, sobre consumo, sobre a solidão em pleno sucesso, sobre a depressão mascarada de indiferença.
A edição que apresentamos é a da língua original, em inglês.

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Longe da Árvore

by Andrew Solomon

Property Description
ISBN: 9789897223129
Publisher: Quetzal Editores
Release Date: May of 2017
Language: Portuguese
Dimensions: 149 x 235 x 48 mm
Cover: Softcover
Pages: 1088
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Essays
EAN: 9789897223129
Recommended Minimum Age: Not applicable

Exelente

Magina

O livro é um espelho para qualquer filho/filha pai ou mãe. O Amor apesar dos esforços nem sempre consegue abrir caminho para a aceitação do outro. A diferença é por vezes um obstáculo.... E por vezes (e aí está toda a magia) não!

ABOUT THE AUTHOR

Andrew Solomon

Andrew Salomon nasceu em Nova Iorque em 1963 e formou-se em Inglês e Literatura em Yale. Obteve o mestrado e o doutoramento em Cambridge. É consultor especial de saúde mental LGBT em Yale e membro do conselho consultivo do Columbia University Medical Center. Escritor, ativista e conferencista, os seus livros foram distinguidos com o National Book Award e com o National Book Critics Circle Award, entre muitos outros prémios – reconhecendo tanto a natureza científica como o brilho literário dos seus textos.

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