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Gente Independente

by Halldór Laxness
Book eBook
Publisher: Cavalo de Ferro, October of 2017 ‧
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Este romance de Laxness, prémio Nobel de literatura, tem lugar na Islândia, no início do século XX, numa sociedade de servidão e num país com uma natureza inclemente. É a saga de Bjartur, um homem obstinado, inquebrável e inesquecível.
Bjartur vive no limiar da auto-suficiência contando apenas com a sua obstinação e força interior, rejeitando qualquer caridade em nome da independência, valor levado ao extremo das suas consequências. Vive num vale com reputação de assombrado, só confia no seu rebanho, no seu cão e no seu cavalo. Se alguém toca o seu coração é Ásta, a sua filha, mas tudo muda quando ela o desilude e magoa os seus enraizados princípios de honra...
A determinação de Bjartur e a luta pela independência são genuinamente heróicas. A sua história é épica e ao mesmo tempo trágica e bela, um romance que continua a comover gerações de leitores

«[Laxness] é como um cantor das antigas sagas que nos canta o Homem em todo o seu esplendor e mesquinhez.»
Marguerite Duras

«Gente independente é um livro que apetecerá reler sempre e que entrará no Top 10 dos “Livros da Minha Vida” de muitos leitores.»
Público (Ípsilon)

«[Bjartur] é um dos personagens mais inesquecíveis e fascinantes da história da literatura europeia: heroico, brutal, poético, teimoso, cínico e infantil.»
José Riço Direitinho, LER

«O livro do século.»
The Independent

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Atravessar a Neve

Podemos ver a neve como uma forma de tornar o mundo mais narrável. As pegadas deixam histórias escritas no chão e a paisagem passa a existir sob outro regime de luz. Talvez por isso a neve seja tão fértil na imaginação literária: funciona como palco e como véu, como suspensão do tempo e como prova física. Estes livros têm a neve como elemento central, e são boas leituras para o Inverno que agora começa. A NEVE, de Orhan Pamuk Em A Neve, a queda constante de neve transforma Kars (na fronteira nordeste da Turquia) num espaço fechado, quase teatral. A tempestade interrompe estradas, corta comunicações, atrasa o mundo exterior e, por alguns dias, a cidade parece existir sob uma redoma. É dentro desta clausura que o romance se desenrola. Encontros que, noutras circunstâncias, seriam improváveis tornam-se inevitáveis, boatos e discursos circulam com a velocidade própria dos lugares de onde não há fuga fácil.
A neve tem uma função dupla. De um lado, cria silêncio e alargamento, um intervalo no qual as personagens acreditam poder recomeçar, reinventar-se, corrigir a biografia. Do outro, intensifica a vigilância: numa cidade pequena, cercada pelo branco, qualquer movimento se torna legível, qualquer aproximação é notada, qualquer ausência fala. O romance explora este paradoxo com elegância: o isolamento pode parecer liberdade, mas rapidamente assume a forma de uma armadilha.
Ka, o poeta que regressa e se move entre fações, amores e fidelidades instáveis, organiza os seus poemas segundo um desenho de floco de neve, uma geometria íntima, como se quisesse impor uma ordem cristalina ao tumulto. Essa tentativa de formalizar o caos é uma das grandes ideias do livro: o desejo de simetria num mundo em que as forças políticas e afetivas se chocam, se contradizem e se contaminam.

COMPRO NA WOOK! » A Estrada, de Cormac McCarthy A Estrada desloca-nos para um mundo em que o inverno parece ter engolido as estações. O céu é baixo, a luz é pálida, a paisagem está coberta de cinza. Por vezes há neve, outras vezes um pó que se comporta como neve, o mesmo cair contínuo, o mesmo manto que apaga as cores e as promessas. O resultado é uma geografia moral: tudo o que resta é caminho.
McCarthy escreve com uma austeridade quase bíblica. A linguagem é reduzida ao essencial, como se o próprio estilo obedecesse à economia do mundo narrado. A relação entre pai e filho torna-se o coração do romance, pela insistência quotidiana em manter uma linha de humanidade quando as estruturas sociais desapareceram. A célebre imagem de levar o fogo funciona como metáfora ética: preservar um núcleo de sentido, mesmo quando o exterior se tornou inabitável.
O frio é também uma forma de tentação. Num mundo devastado, sobreviver exige escolhas brutais, e a barbárie apresenta-se com a força pragmática do inevitável. O romance nunca romantiza o sofrimento, o que oferece é um exercício de atenção ao mínimo: uma lata de comida, um cobertor, uma fogueira, um gesto de confiança. A neve, ou a cinza que a substitui, participa desse minimalismo: apaga os adornos, deixa apenas o contorno do que importa.
A Estrada transforma o inverno numa pergunta: o que sobra de bem quando já não há garantias, instituições, recompensa? A resposta de McCarthy é simples e devastadora: sobra aquilo que se faz, uma e outra vez, apesar de tudo. COMPRO NA WOOK! » Gente Independente, de Halldór Laxness Em Gente Independente, a neve é condição permanente, um elemento do qual depende a economia, a sobrevivência e a própria imaginação de futuro. Laxness escreve a Islândia rural com um fôlego que lembra a tradição das sagas, mas com a inteligência social do romance moderno: há épica no trabalho e há crítica na maneira como o trabalho é usado para legitimar dureza, orgulho e isolamento.
Bjartur, a figura central, quer uma coisa com a obstinação de quem confunde liberdade com autossuficiência absoluta: não dever nada a ninguém. A sua “independência” é uma ética e uma prisão, e o inverno serve como juiz impiedoso dessa escolha. A neve mede o mundo em termos concretos: alimento, abrigo, gado, caminho. Não há metáfora que sobreviva se não resistir à realidade do frio.
O romance é extraordinário na maneira como conjuga tragédia e ironia. Há momentos em que a grandeza de Bjartur parece quase heroica, noutros, a mesma grandeza revela-se crueldade, incapacidade de escutar, rigidez que se transmite como herança tóxica. Laxness não simplifica: mostra como a pobreza endurece e como a dignidade pode ser confundida com orgulho.
A neve funciona como arquivo e guarda o rasto das escolhas, cobrando o preço com uma paciência geológica. A natureza, neste livro, é um sistema. E, dentro desse sistema, a vida humana negoceia como pode, pagando muitas vezes com perdas irreparáveis.

COMPRO NA WOOK! » A Pianista, de Elfriede Jelinek Jelinek desloca o frio para o interior das relações e do corpo. A Pianista é um romance sobre educação e sobre o custo dessa educação quando é feita de controlo, vergonha e repetição. A música surge como um regime: horas de prática, obediência à técnica, a promessa de perfeição paga com o esvaziamento da pessoa.
A protagonista, Erika Kohut, vive num espaço onde a intimidade foi colonizada pela vigilância, sobretudo pela presença materna, que transforma o lar num campo de treino, numa sala sem ar. Não há grande paisagem exterior, o romance trabalha com interiores: quartos, corredores, salas de aula, a cidade filtrada por rotinas. E é precisamente essa compressão que cria a sensação de frio: um gelo que vem do modo como a vida é administrada.
O erotismo, quando aparece, é atravessado por violência, como diagnóstico de um corpo educado para obedecer e que procura, em zonas extremas, uma forma de sentir algo que pareça próprio. A neve desta história acumula-se em camadas de repressão, na frieza de uma cultura que transforma a arte num mecanismo de prestígio, numa etiqueta de classe e num instrumento de poder.
A Pianista compõe um inverno humano: uma temperatura emocional onde o desejo tem de abrir caminho a golpes, porque as portas foram fechadas muito antes.
(Neste momento, a edição disponível é em língua francesa).

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Gente Independente

by Halldór Laxness

Property Description
ISBN: 9789896231774
Publisher: Cavalo de Ferro
Release Date: October of 2017
Language: Portuguese
Dimensions: 152 x 225 x 38 mm
Cover: Softcover
Pages: 560
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789896231774

Desafio Nobel

Raquel Caldas

A vontade de conhecer os Nobel da literatura levou-me a este escritor e a paisagens islandesas, excecionalmente bem descritas nesta obra chegando a confundir-se com uma persongem. É a densidade psicológica das personagens que não nos deixa afastar do livro, mesmo quando a leitura se torna desafiadora pela dureza, quase crueldade, da ação. Como pode um simples homem simples ser uma alegoria da condição humana?

Uma fantástica surpresa!

António Pereira

Nunca tinha lido nada deste autor mas comprei o livro pela crítica e por um sentimento inexplicável de que estava a fazer a coisa certa. Durante a leitura tive uma agradável e boa surpresa! Já ali tenho o Sino da Islândia para ir a seguir...

surpreendente

PP

uma surpresa muito agradável. Retrata de uma forma muito interessante a forma de vida de um povo fascinante, com uma cuidada tradução para português. Tem momentos brilhantes, de génio mesmo. Para muitos (onde me inclui até há 5 anos atrás) um autor desconhecido, mas com uma obra riquissima e ao ler aprendemos muito sobre a sociedade islandesa, com alguns comportamentos que ainda hoje são comuns. Uma foto real de um país maravilhoso.

Um Romance Épico

Mary

Este é um livro que não é de leitura fácil, mas vale tanto a pena: desde as paisagens da Islândia até à fantástica história do protagonista. Não direi que é O livro do século XX, porém, está definitivamente no meu top 10. Recomendo!

Um dos melhores livros que já li

Mary

Aconselho vivamente: é um livro que cativa desde o primeiro parágrafo, que nos transporta para uma Islândia pobre num passado não-assim-tão-remoto e que nos dá vontade de ler mais e mais deste fenomenal Nobel da Literatura.

Livro muito interessante

DF

Livro muito entusiasmante. Prende o leitor até ao fim.

Livro da minha vida

Miguel Aleixo

Um dos livros da minha vida!! Difícil, cru, duro como certamente foi viver na Islândia naquela época.... Magistral!!!!

Um retrato do nosso tempo

António Silva

Escrito entre 1929 e 1935, na ressaca da grande recessão, este livro é de uma actualidade estonteante. A função dos Bancos na sociedade independente... e mais não digo. Para ler já em substituição dos múltiplos comentadores do nosso tempo.

Leitura para as f+erias

Paula Dias

Livro a não perder, sobretudo depois de conhecer a Islândia!!!!!!!!

ABOUT THE AUTHOR

Halldór Laxness

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 1955

Halldór Laxness nasce na Islândia em 1902 e torna-se lenda no seu próprio tempo. Em 1955 é galardoado com o Prémio Nobel da Literatura. Logo em 1927, um crítico escreve sobre ele: «Finalmente! Finalmente! A Islândia tem um novo grande escritor.» A partir daí seguem-se várias obras-primas: "Salka Valka", «Gente independente», «A luz do mundo», «O sino da Islândia», «A central nuclear», «Os felizes guerreiros», «Os peixes sabem cantar», «Paraíso reclamado», «Sob o glaciar» e "Guosgjafapula". Para além dos romances, Laxness escreveu também contos, ensaios, teatro, poesia e vários romances autobiográficos. A sua obra está traduzida em mais de 45 línguas e publicada em mais de 500 edições, com enorme sucesso em todo o mundo, nunca antes editada em Portugal. Halldór Laxness é um verdadeiro mágico com as palavras. Ele detém uma vasta gama de estilos e temas: nenhum dos seus romances se assemelha. Laxness consegue sempre surpreender o leitor, é detentor de uma imaginação e de recursos técnicos inesgotáveis. É muito feliz na expressividade e na caracterização brilhante das personagens. No seu percurso, Halldór Laxness nunca se cingiu apenas a um ideal ou crença. Inicia a sua carreira enquanto católico, depois torna-se socialista, e mais tarde perde o interesse por todas as doutrinas - exceto talvez pelo Taoismo. Laxness falece aos 96 anos, consagrado como um dos maiores escritores de sempre.

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