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Fome

by Knut Hamsun
Book eBook
Publisher: Cavalo de Ferro, January of 2021 ‧
15,98€
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Os delírios solitários e as tortuosas reflexões de um jovem escritor, errando através das ruas da cidade de Kristiania, a atual Oslo, acompanhado pela sua inexorável antagonista, a fome. Um romance marcante, considerado o início da grande literatura do século xx, que antecipou e influenciou a obra de nomes como Franz Kafka, Albert Camus ou John Fante.

«Ah! Depois de ler este livro, como toda a nossa literatura me parece agora razoável. Diante de Fome somos levados a pensar que, em dois séculos de literatura, nada foi ainda dito, pelo contrário, que falta ainda descobrir o Homem.»
André Gide, Prémio Nobel de Literatura
«Hamsun é o maior escritor de todos os tempos.»
Thomas Maan, Prémio Nobel de Literatura

«Fome é uma obra-prima do Naturalismo visionário.»
Claudio Magris

«Um dos pináculos da literatura moderna em prosa.»
George Steiner

«Ler Fome nesta tradução é um absoluto privilégio.»
Público

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Num mundo à parte

Há personagens que não estão apenas deslocadas, estão fora. Fora da comunidade, fora da norma, fora da linguagem comum. Não pertencem porque não sabem, porque não querem, porque recusam ou porque o mundo nunca lhes abriu verdadeiramente a porta. A literatura está cheia destas figuras que vivem num mundo à parte, não como excentricidade, mas como condição. Os cinco livros que se seguem partilham esse lugar. Não procuram integrar as suas personagens nem oferecer trajetos de superação. Limitam-se a acompanhá-las enquanto permanecem à margem, obrigando-nos a permanecer ali também, sem atalhos nem conforto. Eu que Não Conheci os Homens, de Jacqueline Harpman Em Eu que Não Conheci os Homens, Jacqueline Harpman parte de uma situação extrema para abordar temas fundamentais. Um grupo de mulheres vive encarcerado numa cela subterrânea, vigiado por guardas que nunca comunicam nem explicam a razão do cativeiro. Entre elas está uma jovem, capturada ainda criança, que nunca conheceu o mundo exterior nem qualquer forma de vida fora daquele espaço confinado. Um dia, sem qualquer explicação, ouvem-se sirenes, os guardas abandonam o local e a porta da cela abre-se. O alívio sentido pelas outras mulheres não é partilhado pela protagonista, que vê no mundo exterior um espaço mais hostil do que a cela onde passou toda a vida. A liberdade, em vez de abrir possibilidades, transforma-se numa forma de desorientação, e a jovem aventura-se, pela primeira vez, num território que não sabe habitar.
O interesse do livro não está na explicação da situação, mas na experiência de uma consciência sem referências culturais, sociais ou afetivas. Harpman constrói uma voz narrativa fria, lógica e muito controlada, que observa tudo com uma clareza quase científica. Esta escolha estilística dá ao romance uma força rara, porque nos obriga a confrontar ideias fundamentais sobre liberdade, identidade e conhecimento. É um livro breve, radical e profundamente perturbador, que continua a fazer sentido. Num tempo em que procuramos livros que nos prometam respostas e soluções, esta obra aceita o vazio como condição e não como falha.

COMPRO NA WOOK! » Uma questão de conveniência, de Sayaka Murata Sayaka Murata, em Uma Questão de Conveniência, parte de um quotidiano banal para observar o desconforto de quem nunca se encaixa. Keiko trabalha há quase vinte anos numa loja de conveniência em Tóquio. O seu dia a dia, feito de regras claras, frases padronizadas e comportamentos previsíveis, dá-lhe uma sensação de ordem e equilíbrio. Fora da loja, porém, tem dificuldade em compreender as expectativas sociais ligadas à carreira, ao casamento ou à ambição pessoal e limita-se a reproduzi-las para evitar conflitos, sem nunca as interiorizar. O romance constrói-se nesse confronto entre adaptação e incompreensão, e a escrita de Murata, aparentemente simples, mantém uma ironia constante que questiona a própria ideia de normalidade. O livro não procura explicar nem corrigir a protagonista, prefere acompanhá-la, deixando que a sua forma de estar revele, sem dramatismos, o carácter arbitrário de muitas regras sociais que tomamos como naturais. COMPRO NA WOOK! » A Parede, de Marlen Haushofer Durante uma estadia numa casa de campo, uma mulher descobre que uma parede invisível a separa do resto do mundo. Apercebe-se de que tudo do outro lado está imóvel, como se a vida tivesse sido interrompida. Sem qualquer explicação para o que aconteceu, fica reduzida a esse espaço e vê-se obrigada a reorganizar a sua existência em completo isolamento, sobrevivendo através da agricultura, da caça e da convivência com animais. O romance recusa o suspense e a especulação sobre a origem da parede, concentrando-se antes no quotidiano, na repetição dos dias, na adaptação do corpo e na transformação gradual da protagonista à sua nova realidade. A escrita é contida, precisa, atenta aos gestos mínimos e às tarefas mais simples, e é precisamente aí que reside a sua força. A Parede, de Marlen Haushofer, vale pela coerência do olhar e pela forma como transforma uma situação inverosímil numa reflexão sobre autonomia e resistência, sem nunca ceder à tentação de oferecer respostas fáceis.

COMPRO NA WOOK! » Bartleby, o Escrivão, de Herman Melville É quase impossível falar de personagens que vivem num mundo à parte sem referir um dos exemplos mais desconcertantes da literatura. Bartleby é contratado para trabalhar num escritório de advogados em Wall Street e, durante algum tempo, cumpre as suas funções em silêncio e sem incidentes. Até que, perante um pedido simples, responde pela primeira vez: «Preferia não o fazer.» A partir daí, essa recusa calma e repetida começa a desorganizar todo o funcionamento do escritório. Não há explicações psicológicas nem morais para o comportamento do funcionário e o leitor é convidado a observar o embaraço de um sistema que não sabe lidar com alguém que não se revolta, mas também não colabora. Melville constrói este conto em torno dessa frase mínima e das reações que provoca, e é essa ambiguidade que torna Bartleby, o Escrivão inesgotável e que explica a sua permanência como um dos textos mais atuais sobre trabalho, alienação e recusa silenciosa.

COMPRO NA WOOK! » Fome, de Knut Hamsun Em Fome, de Knut Hamsun, acompanhamos um escritor pobre que vagueia por Oslo numa luta contra a falta de comida, a precariedade material e a degradação progressiva do pensamento. Orgulhoso, contraditório e instável, o jovem recusa ajuda, mente, delira e tenta preservar uma ideia de dignidade enquanto o corpo e a mente se desorganizam. O romance não se define tanto pela sucessão de acontecimentos, mas pela forma como a linguagem acompanha esse colapso. O texto avança aos solavancos, muda de tom, perde controlo e recupera-o momentaneamente, espelhando o estado físico e mental do narrador. Fome destaca-se pela intensidade da escrita e pelo modo como antecipa uma literatura centrada na consciência fragmentada, sem qualquer tentativa de suavizar a experiência da carência ou da humilhação.

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Fome

by Knut Hamsun

Property Description
ISBN: 9789895642731
Publisher: Cavalo de Ferro
Release Date: January of 2021
Language: Portuguese
Dimensions: 151 x 226 x 13 mm
Cover: Softcover
Pages: 192
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789895642731

De leitura obrigatória!

Mónica Pereira

Um livro, que apesar de ter sido escrito em 1890, está completamente adaptado ao mundo em que hoje vivemos. Uma história absorvente, crua, que nos mostra as várias vertentes do ser humano, perante a adversidade maior: a fome. Um livro escrito por um Nobel da Literatura, de leitura obrigatória.

Uma obra à frente do seu tempo.

Sofia Alves

Em ´´Fome´´ acompanhamos a vida de um escritor cujas dificuldades o conduzem à miséria, onde a constante fome e respectivos efeitos secundários são retratados. Este livro oferece-nos uma reflexão muito interessante sobre o ser e a existência. Fiquei agarrada logo nas primeiras páginas. Tornou-se um favorito, sem dúvida!

Fome

CP

Obra precursora do “romance psicológico”, o leitor é conduzido pelos processos psicológicos e narrativa mental de um jovem aspirante a escritor na cidade de Oslo, no século XIX, que se vê continuamente incapaz de subsistir a partir dessa sua atividade.

FOME

Carlos Jardim

Com um conteúdo bastante deprimente, talvez por isso o considere um belíssimo livro. Não conhecia Knut Hamsun, passei a gostar muito da sua escrita.

Fome de reconhecimento

Hugo Araújo

Durante este livro, acompanhamos as deambulações de um jovem escritor, numa perpétua tentativa de equilíbrio entre a fome e a esperança. Uma análise profundamente conhecedora da condição humana, numa bonita edição da Cavalo de Ferro.

ABOUT THE AUTHOR

Knut Hamsun

PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 1920

Knut Hamsun (1859¿1952) nasceu em Gudbrandsdalen e cresceu na pobreza em Hamarøy, na Noruega. Publicou o seu muito aclamado romance Fome (1890), ao qual se seguiram Mistérios (1892), Pan (1894), Victoria (1898) e Frutos da Terra (1917) — obras-primas do início da modernidade na Literatura, o que lhe valeu a atribuição do prémio Nobel.
Figura controversa, Hamsun conheceu tanto a glória literária quanto, no final da sua vida, o mais aceso repúdio dos seus contemporâneos, o qual se ficou a dever às simpatias do autor pelo regime nazi. Terminada a guerra, tais posições valeram-lhe o julgamento por traição. Acabaria os seus dias na mais completa pobreza.

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