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Do Tirar pelo Natural

by Francisco de Holanda
Publisher: Documenta, April of 2019 ‧
13,00€
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Este tratado não é somente sobre o retrato enquanto tal; é especialmente sobre o retrato tirado ao natural. Assim como os retratos individuais precisaram de certo tempo para existir, a reflexão da teoria da arte em torno do retrato e suas especificidades apenas vai ganhar sua primeira abordagem exclusiva em meados do século XVI, precisamente no ano de 1549, com a figura de um não-italiano: Francisco de Holanda, português, autor do texto intitulado Do Tirar polo Natural. Trata-se de um consenso para alguns historiadores da retratística, tais como Lorne Campbell e Shearer West, de que o texto seja o primeiro dedicado unicamente à prática do retrato.
[Raphael Fonseca]

Este livro nasce de um pedido de leitura. Filipa Oliveira, Anísio Franco e eu, convidados para comissariar uma exposição sobre o retrato em Portugal, no Museu Nacional de Arte Antiga, decidimos partir do tratado Do Tirar polo Natural, de modo a homenagear e divulgar a obra do escritor e artista Francisco de Holanda. Queríamos ter no catálogo esse texto e notas à margem, comentários ou digressões, mas de um ponto de vista filosófico- estético, e não histórico. Convidámos, então, Tomás Maia a ler e, livremente, a anotar as margens e as entrelinhas desse tratado. Por impossibilidade de ter a tradução inglesa do texto de Francisco de Holanda pronta a tempo, tivemos de abandonar a ideia de publicá-lo — e as notas reflexivas que ele originou a Tomás Maia. Essas notas renovavam o texto original, dando origem a um texto de Holanda que antes não podíamos ler. Permitiam que Holanda escrevesse um novo texto. «Tirava-se» assim um texto de dentro do texto anterior — mas qual o primeiro?
[Paulo Pires do Vale]

Há uma língua que pensa o Diálogo de Francisco de Holanda sobre o retrato. Essa língua pensante, porém, nem sempre é pensada pelo próprio autor do Diálogo — e no entanto é ela que, de uma ponta à outra, anima o seu pensamento, justifica os seus preceitos e articula esse português inaudito que escreve Francisco de Holanda.
[Tomás Maia]"

Do Tirar pelo Natural

by Francisco de Holanda

Property Description
ISBN: 9789898902306
Publisher: Documenta
Release Date: April of 2019
Language: Portuguese
Dimensions: 145 x 209 x 7 mm
Cover: Softcover
Pages: 80
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Art > Arts in General
EAN: 9789898902306

ABOUT THE AUTHOR

Francisco de Holanda

Francisco de Holanda nasceu em Lisboa, muito provavelmente em 1517 ou 1518, portanto, no reinado de D. Manuel I. Para Jorge Segurado estamos perante o principal artista da nossa Renascença. Nas palavras de André de Resende estamos perante o Apeles Lusitano.
Francisco de Holanda era filho de António d’Holanda, iluminista, desenhador, retratista, de origem holandesa. Artista ligado à corte portuguesa, a sua profissão exerceu clara influência na futura orientação deste seu filho, que, desde muito novo, mostrou clara propensão para a arte da pintura. De facto, Francisco frequentou a escola do seu pai, sendo este um período de aprendizagem fundamental, conforme ele próprio reconhece no prólogo na obra que lhe deu renome mundial, Da Pintura Antiga: «E muito grandes e infinitas graças dou eu primeiro ao Summo Mestre e imortal, e depois as dou a meu pai […] de me não desviar minha própria índole natural, e me deixou seguir a arte da Sabedoria a mi mais segura e excelente de quantas há n’este grão mundo».
O seu pai, instalado em Évora, deu a Francisco de Holanda a formação necessária para se iniciar nas artes figurativas. Durante alguns anos e até 1537, Évora, cidade onde à época residia a corte portuguesa, foi a capital cultural de Portugal e o centro onde os mais diferentes artistas trabalhavam, bem como os homens de letras. Foi aqui que Francisco de Holanda, certamente, contactou com os mais eminentes humanistas, tendo sido amigo e discípulo de André de Resende, Miguel da Silva e Nicolau Clenardo. Sabe-se também que Francisco de Holanda estudou línguas clássicas na Escola Pública de Letras.
Em Évora dá-se o contacto com as antiguidades, provenientes de ruínas romanas, permitindo a Francisco reconhecer que um aprofundamento do seu saber só será possível se se deslocar a Roma, o grande centro cultural da Europa culta no que à arte diz respeito. E D. João III é claramente favorável à cultura humanística, que apenas será travada quando, em 1555, entrega o ensino à Companhia de Jesus.
Com 20 anos dá-se o facto fundamental da vida de Francisco de Holanda como artista: obtém uma bolsa a fim de se dirigir a Roma e contactar com os grandes vultos da arte renascentista. Quando vai para Itália é já um pintor vocacionado para a arte, ansioso por se encontrar com os grandes mestres do seu tempo, com os grandes monumentos da antiguidade e com as maiores referências da arte sua contemporânea.
Esta viagem, por ele tão ansiosamente esperada e que teve a duração de três anos (de 1537 a 1540) é um marco central na sua vida, como ele mesmo menciona no agradecimento que faz a D. João III. A sua obra, quer literária, quer plástica, permaneceu praticamente silenciada até meados do século XVIII, início do século XIX. E o artista teve certamente consciência de que nunca veria reconhecidas em Portugal as suas ideias, nem mesmo o seu talento para as executar. Contudo, para nós, contemporâneos, que o lemos e interpretamos, que contemplamos o pouco que conhecemos da sua obra pictórica, não podemos deixar de reconhecer a sua forte personalidade, marcada pelo ideário do humanismo renascentista, que nunca abandonou. Nunca é demais salientar a riqueza da sua reflexão sobre a arte, a audácia de remar contra a maré, de se expor, em nome de valores nos quais acreditava e que sempre defendeu. Hoje, Francisco de Holanda encontra-se, sem sombra de dúvida, num lugar de relevo, num lugar cimeiro, do Renascimento português.

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