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Cadernos do Subterrâneo

by Fiódor Dostoiévski
Publisher: Editorial Presença, August of 2020 ‧
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Pelo tom agreste, pelas cores sombrias até à repulsa, pela tensão quase raivosa das situações e da linguagem despojada dos floreios elegantes com que muitas traduções insistem em ornamentar os textos deste autor, Cadernos do Subterrâneo é puro Dostoiévski.

Publicado em 1864 numa revista, este livro já prefigura as obras ditas maiores do autor, sendo, por isso, considerado um texto fundamental para a compreensão da sua obra. O livro tem duas partes: a primeira é um longo e violento monólogo (os Cadernos), em que o protagonista humilhado se humilha ainda mais, até à degradação; a segunda coloca o herói em ação, ilustrando o confronto do seu ego fragilizado com as franjas da sociedade que vai encontrando.

O guincho ignóbil (como disse Górki) a que desceu este herói é também a voz - embora aguda e repulsiva - que atravessa toda a obra de Dostoiévski: a da afirmação do direito da liberdade do indivíduo, sejam quais forem os contornos que assuma.

Cadernos do Subterrâneo

by Fiódor Dostoiévski

Property Description
ISBN: 9789722366250
Publisher: Editorial Presença
Release Date: August of 2020
Language: Portuguese
Dimensions: 152 x 237 x 10 mm
Cover: Softcover
Pages: 152
Format: Book
Collection: Obras de Fiódor Dostoiévski
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789722366250

Breve, mas esplêndido

Carolina Ferreira

Li ¿¿¿¿¿¿¿¿ ¿¿ ¿¿¿¿¿¿¿â¿¿¿, um livro relativamente pequeno, mas que em nada diminui na qualidade e intensidade da história, nem tampouco na crueza e frieza da linguagem. O narrador é tão duro e tão pessimista com as suas palavras que faz com que o leitor caia em puro desespero, primeiro pela misericórdia, depois pelo desprezo. Este livro pode ser desmontado em duas partes. A primeira, mais leve em termos de discurso directo, trata-se de um monólogo interior, uma introspecção do próprio narrador sobre a sua condição, não sem advertir de que escreve apenas e só para si mesmo mas que, dirigindo-se a alguém fictício num género de discurso, ainda que unilateral, lhe é mais fácil direccionar o seu pensamento em forma de escrita. A segunda parte é uma espécie de narração de acontecimentos anteriores da sua vida que acabam por clarificar o motivo de certas acções e atitudes actuais, isto é, o leitor consegue então compreender as razões pelas quais determinadas características da sua personalidade tenderam a desenvolver-se. É nesta fase da narrativa que se consegue sentir uma repulsa, repugnância e até pudor pelo comportamento do narrador. Leva o leitor a questionar-se sobre as possíveis variações dos limites das consciências individuais e colectivas durante os episódios de interacção com o exterior e nos vários eventos sociais descritos. Interessante é a relação que podemos estabelecer entre a palavra "Subterrâneo" do título da obra (não sei até que ponto a tradução é literal do original russo) e as várias camadas do consciente. António Damásio, no seu ¿¿¿¿¿ ¿¿ ¿¿¿¿¿¿ê¿¿¿¿, diz-nos que "(...) a característica distintiva da nossa consciência é, em termos líricos, o próprio pensamento de si (...) criadores muito conscientes procuram conscientemente o inconsciente como fonte de inspiração (...)". Podemos então fazer um paralelismo - uma consciência, através da sua expressão, neste caso, pela escrita, (re)conhece-se e entende-se a si própria de forma mais clara e estruturada, retratando assim alguns contornos e raízes mais profundas desse terreno impalpável, que de outra forma ficariam submersos. Como não seria de esperar outra coisa, recomendo este livro, principalmente aos amantes da Literatura Russa, porque Dostoiévski é para mim um dos maiores mestres nesta arte que é criar e narrar universos psíquicos únicos e, apesar de tudo, fascinantes.

Pequeno Grande Livro

André

Este é um livro pequeno em número de páginas, mas grande na mensagem passada. É um livro de leitura pesada mas que deixará qualquer um a pensar, aconselho. nihilismo puro.

ABOUT THE AUTHOR

Fiódor Dostoiévski

Fiódor Dostoiévski ( Moscovo, 11.11.1821 - S. Petersburgo, 09.02.1881) foi um dos grandes percursores, como Emily Brontë, da mais moderna forma do romance, exemplificada em Marcel Proust, James Joyce, Virgina Woolf entre outros. Filho de um médico militar, aos 15 anos é enviado para a Escola Militar de Engenharia. de S. Petersburgo. Aí lhe desperta a vocação literária, ao entrar em contacto com outros escritores russos e com a obra de Byron, Vítor Hugo e Shakespeare. Terminado o curso de engenharia, dedica-se a fazer traduções para ganhar a vida e estreia-se em 1846 com o seu primeiro romance, Gente Pobre. Após mais umas tentavivas literárias, foi condenado à morte em 1849, por implicação numa suspeita conjura revolucionária. No entanto, a pena foi-lhe comutada para trabalhos forçados na Sibéria. Durante os seus anos de degredo teve uma vida interior de caráter místico, por ter sido forçado a conviver com a dura realidade russa, o que também o levou a familiarizar-se com as profundezas insuspeitas da alma do povo russo. Amnistiado em 1855, reassumiu a atividade literária e em 1866, com Crime e Castigo, marca a ruptura com os liberais e radicais a que tinha sido conotado. As obras de Dostoiévski atingem um relevo máximo pela análise psicológica, sobretudo das condições mórbidas, e pela completa identificação imaginativa do autor com as degradadas personagens a que deu vida, não tendo, por esse prisma, rival na literatura mundial. A exatidão e valor científico dos seus retratos é atestada pelos grandes criminalistas russos. Neste grande novelista, o desejo de sofrer traz como consequência a busca e a aceitação do castigo e a conceção da pena como redentora por meio da dor.

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