Cadernos do Subterrâneo
SYNOPSIS
Publicado em 1864 numa revista, este livro já prefigura as obras ditas maiores do autor, sendo, por isso, considerado um texto fundamental para a compreensão da sua obra. O livro tem duas partes: a primeira é um longo e violento monólogo (os Cadernos), em que o protagonista humilhado se humilha ainda mais, até à degradação; a segunda coloca o herói em ação, ilustrando o confronto do seu ego fragilizado com as franjas da sociedade que vai encontrando.
O guincho ignóbil (como disse Górki) a que desceu este herói é também a voz - embora aguda e repulsiva - que atravessa toda a obra de Dostoiévski: a da afirmação do direito da liberdade do indivíduo, sejam quais forem os contornos que assuma.
DETAILS
| Property | Description |
|---|---|
| ISBN: | 9789722366250 |
| Publisher: | Editorial Presença |
| Release Date: | August of 2020 |
| Language: | Portuguese |
| Dimensions: | 152 x 237 x 10 mm |
| Cover: | Softcover |
| Pages: | 152 |
| Format: | Book |
| Collection: | Obras de Fiódor Dostoiévski |
| Categories: |
Books in Portuguese
>
Fiction
>
Romance
|
| EAN: | 9789722366250 |
REVIEWS
Breve, mas esplêndido
Carolina Ferreira
Li ¿¿¿¿¿¿¿¿ ¿¿ ¿¿¿¿¿¿¿â¿¿¿, um livro relativamente pequeno, mas que em nada diminui na qualidade e intensidade da história, nem tampouco na crueza e frieza da linguagem. O narrador é tão duro e tão pessimista com as suas palavras que faz com que o leitor caia em puro desespero, primeiro pela misericórdia, depois pelo desprezo. Este livro pode ser desmontado em duas partes. A primeira, mais leve em termos de discurso directo, trata-se de um monólogo interior, uma introspecção do próprio narrador sobre a sua condição, não sem advertir de que escreve apenas e só para si mesmo mas que, dirigindo-se a alguém fictício num género de discurso, ainda que unilateral, lhe é mais fácil direccionar o seu pensamento em forma de escrita. A segunda parte é uma espécie de narração de acontecimentos anteriores da sua vida que acabam por clarificar o motivo de certas acções e atitudes actuais, isto é, o leitor consegue então compreender as razões pelas quais determinadas características da sua personalidade tenderam a desenvolver-se. É nesta fase da narrativa que se consegue sentir uma repulsa, repugnância e até pudor pelo comportamento do narrador. Leva o leitor a questionar-se sobre as possíveis variações dos limites das consciências individuais e colectivas durante os episódios de interacção com o exterior e nos vários eventos sociais descritos. Interessante é a relação que podemos estabelecer entre a palavra "Subterrâneo" do título da obra (não sei até que ponto a tradução é literal do original russo) e as várias camadas do consciente. António Damásio, no seu ¿¿¿¿¿ ¿¿ ¿¿¿¿¿¿ê¿¿¿¿, diz-nos que "(...) a característica distintiva da nossa consciência é, em termos líricos, o próprio pensamento de si (...) criadores muito conscientes procuram conscientemente o inconsciente como fonte de inspiração (...)". Podemos então fazer um paralelismo - uma consciência, através da sua expressão, neste caso, pela escrita, (re)conhece-se e entende-se a si própria de forma mais clara e estruturada, retratando assim alguns contornos e raízes mais profundas desse terreno impalpável, que de outra forma ficariam submersos. Como não seria de esperar outra coisa, recomendo este livro, principalmente aos amantes da Literatura Russa, porque Dostoiévski é para mim um dos maiores mestres nesta arte que é criar e narrar universos psíquicos únicos e, apesar de tudo, fascinantes.
Pequeno Grande Livro
André
Este é um livro pequeno em número de páginas, mas grande na mensagem passada. É um livro de leitura pesada mas que deixará qualquer um a pensar, aconselho. nihilismo puro.
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