Amargas Cores do Tempo
EXCERPTS
"Agora sei que dizer de nós é sempre o mais difícil porque somos o que somos e os outros, e somos ainda tudo o resto: as coisas, pedras árvores animais. Somos as flores a certa altura, e depois frutos. Somos raízes profundas que na terra buscam alimento e à terra se entregam como paga um dia. Somos toda a gente e o mundo. Agora eu sei que dizermos de nós é sempre o mais difícil, nós de nós pouco temos: nem aquilo que o espelho nos revela somos nós. Tantas vezes olhamos e não nos reconhecemos tantas vezes olhamos e não vemos lá nada: o espelho ilude os olhos, não o coração, é mais um labirinto onde os olhos perdemos. Era bom que ao menos a mão ao escrever estas linhas discernisse o que somos afinal. Era bom que a mão nos conhecesse. Toda a vida ensinámos os dedos que nos identificam, lhes demos a afagar a folha de papel, a pele de uma mulher o seio rijo. Mas dizer de nós é o mais difícil."
DETAILS
| Property | Description |
|---|---|
| ISBN: | 9789895521999 |
| Publisher: | Quasi Edições |
| Release Date: | October of 2006 |
| Language: | Portuguese |
| Dimensions: | 144 x 196 x 8 mm |
| Cover: | Softcover |
| Pages: | 92 |
| Format: | Book |
| Categories: |
Books in Portuguese
>
Fiction
>
Poetry
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| EAN: | 9789895521999 |
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