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A Música da Fome

by J. M. G. Le Clézio
Publisher: Dom Quixote, July of 2009 ‧
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Ethel Brun é filha de um casal de exilados, formado por Justine e Alexandre, um homem afável e irrequieto que muito jovem deixou a ilha Maurícia e que, na alegre Paris dos anos 20 e 30, se dedica a delapidar a herança em negócios pouco recomendáveis. Na infância, o único prazer de Ethel é passear pela cidade com o seu tio-avô, o excêntrico Samuel Soliman, que sonha ir viver para o pavilhão da Índia Francesa construído para a Exposição Colonial. E, na adolescência, Ethel conhecerá algo parecido com a amizade pela mão de Xenia, uma colega de escola, vítima da Revolução Russa e que vive quase na miséria. O bem-estar de Ethel começa a resvalar quando, nas refeições que o seu pai oferece a parentes e conhecidos, se repete cada vez mais o nome de Hitler. Serão os primeiros sinais do que ameaça a família Brun: a ruína, a guerra, mas, sobretudo, a fome. Ela marcará o despertar da jovem Ethel para a dor e o vazio, mas também para o amor, num romance em torno das origens perdidas, durante uma época que culminou com um apocalipse anunciado.

« “A Música da Fome” é um regresso aos melhores momentos [do autor].»
Eduardo Pitta, Público

«É um livro sólido, de escrita impecável, sem empertigamentos, sem pirotecnias, uma obra serena, com a textura e o ritmo certo dos clássicos. Um exemplo perfeito do que esperamos de um grande escritor no auge da sua carreira [...] Um belo e melancólico relato do colapso de uma época.»
José Mário Silva, Expresso

A Música da Fome

by J. M. G. Le Clézio

Property Description
ISBN: 9789722038256
Publisher: Dom Quixote
Release Date: July of 2009
Language: Portuguese
Dimensions: 155 x 238 x 11 mm
Cover: Softcover
Pages: 192
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789722038256

Coisas que não se veem

Rita Oliveira

Num livro relativamente pequenino, lançado pouco antes de Le Clézio ter recebido o Nobel da Literatura, o autor dá-nos uma perspetiva muito curiosa do que foi a vida da classe média em Paris de finais dos anos 20 até ao fim da II Guerra Mundial. Inspirado na vida da sua mãe, conta-nos a vida de Ethel, uma rapariguinha filha única de um casal em permanente conflito. Em sua casa, os serões vivem-se à margem da ascensão de Hitler, como se num mundo à parte se estivesse. A dada altura, a guerra acaba mesmo por levar a família a um estado de quase miséria e à necessidade de se mudarem para Nice, onde conhecem a fome. Anos depois, ja recém-adulta, Ethel regressa a Paris, onde acaba por descobrir que algumas das visitas da casa paterna não viviam assim tão alheadas do nazismo, tendo seguido caminhos bem estudados. Gostei muito deste livro, tão pequeno mas com tanto lá dentro.

ABOUT THE AUTHOR

J. M. G. Le Clézio

NOBEL DA LITERATURA 2008

Escritor e ensaísta francês, Jean-Marie Gustave Le Clézio nasceu em 1940, em Nice, sendo originário de uma família com ascendência inglesa e bretã. Viveu ainda nas Ilhas Maurícias, algo que o levou a ganhar o gosto pelas viagens e pelo conhecimento de novos mundos. Aos 23 anos, depois de se ter licenciado em Letras, em Aix-en-Provence, Le Clézio lançou o seu romance de estreia, Le Procès-Verbal, com o qual ganharia, em 1963, o Prémio Renaudot, um dos mais importantes galardões literários do seu país. Em 1980 Jean-Marie Le Clézio recebeu, em França, o prémio Paul Morand para distinguir o conjunto da sua carreira literária. Nesse ano havia lançado aquela que foi considerada a sua melhor obra, o romance Désert, a epopeia de um jovem descendente de tuaregues. Entre as suas restantes obras destacam-se Fièvre, uma coletânea de contos, e os romances Le Déluge, La Quarantaine e Poisson d'Or. A sua obra está pejada de personagens obcecadas pela morte. O escritor coloca o ser humano a enfrentar diversas experiências que lhe proporcionam viver variados tipos de aventuras interiores. Désert aborda uma das grandes preocupações de Le Clézio, as condições de vida dos povos nómadas ameaçados de extinção, assunto que desenvolveu em diversos ensaios. Entre os povos sobre os quais escreveu, e entre os quais viveu, estão os índios do Panamá e os berberes de Marrocos. Entre 1970 e 1974 viveu com os índios emberas, no Panamá, em plena floresta. Le Clézio conheceu estes índios depois de ter estado dois anos no México a prestar serviço militar, período que aproveitou para viajar e visitar as regiões vizinhas. A mulher de Le Clézio é de origem saraui e juntos lançaram em 1993 Gens des Nuages, um ensaio sobre a terra natal dela. As obras de Le Clézio já foram publicadas em alemão, castelhano, chinês, dinamarquês, grego, inglês, japonês, russo e turco, entre outras, fazendo com que seja um dos autores franceses mais traduzidos no mundo. Desde 2002 integra o júri do Prémio Renaudot. Em 2008 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Literatura. Jean-Marie Le Clézio. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008.

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