A Estrada

by Cormac McCarthy
Publisher: Relógio D'Água, May of 2007 ‧
Um pai e um filho caminham sozinhos pela América. Nada se move na paisagem devastada, excepto a cinza no vento. O frio é tanto que é capaz de rachar as pedras. O céu está escuro e a neve, quando cai, é cinzenta. O seu destino é a costa, embora não saibam o que os espera, ou se algo os espera. Nada possuem, apenas uma pistola para se defenderem dos bandidos que assaltam a estrada, as roupas que trazem vestidas, comida que vão encontrando - e um ao outro. A Estrada é a história verdadeiramente comovente de uma viagem, que imagina com ousadia um futuro onde não há esperança, mas onde um pai e um filho, "cada qual o mundo inteiro do outro", se vão sustentando através do amor. Impressionante na plenitude da sua visão, esta é uma meditação inabalável sobre o pior e o melhor de que somos capazes: a destruição última, a persistência desesperada e o afecto que mantém duas pessoas vivas enfrentando a devastação total.


"Os prémios valem o que valem na consagração da arte literárias, mas importa acrescentar que com este livro, Cormac McCarthy venceu a última edição do prémio Pulitzer, um dos mais reconhecidos galardões do mundo das letras".
Sara Figueiredo Costa

«A missão de Cormac McCarthy, a sua derradeira viagem iniciática, neste seu último e espantoso livro é a de conduzir pai e filho, empurrando um carrinho de supermercado com alguns cobertores, escassos víveres e um ou outro brinquedo, por uma América devastada por um inominado acontecimento apocalíptico, provavelmente uma explosão nuclear planetária. [...] Como é possível transformar um enredo tão simples (duas personagens em movimento de sobrevivência num cenário que lembra o primeiro filme da série "Mad Max") numa obra-prima é o segredo do autor.»
Miguel Calado Lopes, Expresso

«A cada livro, Cormac McCarthy vai alargando o território da ficção norte-americana.»
Newsweek

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Atravessar a Neve

Podemos ver a neve como uma forma de tornar o mundo mais narrável. As pegadas deixam histórias escritas no chão e a paisagem passa a existir sob outro regime de luz. Talvez por isso a neve seja tão fértil na imaginação literária: funciona como palco e como véu, como suspensão do tempo e como prova física. Estes livros têm a neve como elemento central, e são boas leituras para o Inverno que agora começa. A NEVE, de Orhan Pamuk Em A Neve, a queda constante de neve transforma Kars (na fronteira nordeste da Turquia) num espaço fechado, quase teatral. A tempestade interrompe estradas, corta comunicações, atrasa o mundo exterior e, por alguns dias, a cidade parece existir sob uma redoma. É dentro desta clausura que o romance se desenrola. Encontros que, noutras circunstâncias, seriam improváveis tornam-se inevitáveis, boatos e discursos circulam com a velocidade própria dos lugares de onde não há fuga fácil.
A neve tem uma função dupla. De um lado, cria silêncio e alargamento, um intervalo no qual as personagens acreditam poder recomeçar, reinventar-se, corrigir a biografia. Do outro, intensifica a vigilância: numa cidade pequena, cercada pelo branco, qualquer movimento se torna legível, qualquer aproximação é notada, qualquer ausência fala. O romance explora este paradoxo com elegância: o isolamento pode parecer liberdade, mas rapidamente assume a forma de uma armadilha.
Ka, o poeta que regressa e se move entre fações, amores e fidelidades instáveis, organiza os seus poemas segundo um desenho de floco de neve, uma geometria íntima, como se quisesse impor uma ordem cristalina ao tumulto. Essa tentativa de formalizar o caos é uma das grandes ideias do livro: o desejo de simetria num mundo em que as forças políticas e afetivas se chocam, se contradizem e se contaminam.

COMPRO NA WOOK! » A Estrada, de Cormac McCarthy A Estrada desloca-nos para um mundo em que o inverno parece ter engolido as estações. O céu é baixo, a luz é pálida, a paisagem está coberta de cinza. Por vezes há neve, outras vezes um pó que se comporta como neve, o mesmo cair contínuo, o mesmo manto que apaga as cores e as promessas. O resultado é uma geografia moral: tudo o que resta é caminho.
McCarthy escreve com uma austeridade quase bíblica. A linguagem é reduzida ao essencial, como se o próprio estilo obedecesse à economia do mundo narrado. A relação entre pai e filho torna-se o coração do romance, pela insistência quotidiana em manter uma linha de humanidade quando as estruturas sociais desapareceram. A célebre imagem de levar o fogo funciona como metáfora ética: preservar um núcleo de sentido, mesmo quando o exterior se tornou inabitável.
O frio é também uma forma de tentação. Num mundo devastado, sobreviver exige escolhas brutais, e a barbárie apresenta-se com a força pragmática do inevitável. O romance nunca romantiza o sofrimento, o que oferece é um exercício de atenção ao mínimo: uma lata de comida, um cobertor, uma fogueira, um gesto de confiança. A neve, ou a cinza que a substitui, participa desse minimalismo: apaga os adornos, deixa apenas o contorno do que importa.
A Estrada transforma o inverno numa pergunta: o que sobra de bem quando já não há garantias, instituições, recompensa? A resposta de McCarthy é simples e devastadora: sobra aquilo que se faz, uma e outra vez, apesar de tudo. COMPRO NA WOOK! » Gente Independente, de Halldór Laxness Em Gente Independente, a neve é condição permanente, um elemento do qual depende a economia, a sobrevivência e a própria imaginação de futuro. Laxness escreve a Islândia rural com um fôlego que lembra a tradição das sagas, mas com a inteligência social do romance moderno: há épica no trabalho e há crítica na maneira como o trabalho é usado para legitimar dureza, orgulho e isolamento.
Bjartur, a figura central, quer uma coisa com a obstinação de quem confunde liberdade com autossuficiência absoluta: não dever nada a ninguém. A sua “independência” é uma ética e uma prisão, e o inverno serve como juiz impiedoso dessa escolha. A neve mede o mundo em termos concretos: alimento, abrigo, gado, caminho. Não há metáfora que sobreviva se não resistir à realidade do frio.
O romance é extraordinário na maneira como conjuga tragédia e ironia. Há momentos em que a grandeza de Bjartur parece quase heroica, noutros, a mesma grandeza revela-se crueldade, incapacidade de escutar, rigidez que se transmite como herança tóxica. Laxness não simplifica: mostra como a pobreza endurece e como a dignidade pode ser confundida com orgulho.
A neve funciona como arquivo e guarda o rasto das escolhas, cobrando o preço com uma paciência geológica. A natureza, neste livro, é um sistema. E, dentro desse sistema, a vida humana negoceia como pode, pagando muitas vezes com perdas irreparáveis.

COMPRO NA WOOK! » A Pianista, de Elfriede Jelinek Jelinek desloca o frio para o interior das relações e do corpo. A Pianista é um romance sobre educação e sobre o custo dessa educação quando é feita de controlo, vergonha e repetição. A música surge como um regime: horas de prática, obediência à técnica, a promessa de perfeição paga com o esvaziamento da pessoa.
A protagonista, Erika Kohut, vive num espaço onde a intimidade foi colonizada pela vigilância, sobretudo pela presença materna, que transforma o lar num campo de treino, numa sala sem ar. Não há grande paisagem exterior, o romance trabalha com interiores: quartos, corredores, salas de aula, a cidade filtrada por rotinas. E é precisamente essa compressão que cria a sensação de frio: um gelo que vem do modo como a vida é administrada.
O erotismo, quando aparece, é atravessado por violência, como diagnóstico de um corpo educado para obedecer e que procura, em zonas extremas, uma forma de sentir algo que pareça próprio. A neve desta história acumula-se em camadas de repressão, na frieza de uma cultura que transforma a arte num mecanismo de prestígio, numa etiqueta de classe e num instrumento de poder.
A Pianista compõe um inverno humano: uma temperatura emocional onde o desejo tem de abrir caminho a golpes, porque as portas foram fechadas muito antes.
(Neste momento, a edição disponível é em língua francesa).

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A Estrada

by Cormac McCarthy

Property Description
ISBN: 9789727089345
Publisher: Relógio D'Água
Release Date: May of 2007
Language: Portuguese
Dimensions: 151 x 232 x 13 mm
Cover: Softcover
Pages: 192
Format: Book
Categories: Books in Portuguese > Fiction > Romance
EAN: 9789727089345

Destruição

Carla V

Este livro é negro por fora e por dentro...Este livro é só destroços, cinzas, destruição e morte... Mas, há o amor de um pai e de um filho, que avançam, sozinhos, rumo ao sul, onde esperam encontrar alguma esperança. Todo o livro tem um cenário apocalitico...Quase todos os seres morrerame, os que não morreramlutam pela sobrevivência, num mundo sem esperança. Uma sucessão de dias, desesperantes onde vimos o melhor e o pior do ser humano perante a devastação total...Assustador... Escrito de uma forma rica e descritiva Gostei muito....

Só tenho uma forma de adjetivar este livro: extraordinário

TeresaC

Durante anos tive dúvidas quanto ao ler ou não este livro. Nunca quis ver o filme. Quando se é mãe há temas mais difíceis e tinha medo sobre o que iria encontrar ao caminhar dentro dest'A Estrada. Gosto, e procuro sempre o desconforto na leitura, mas quando as crianças são o núcleo de um mundo de desesperança e horror, confesso que a hipocrisia ganha espaço em mim e evito esse desconforto. No entanto, há uns dias, decidi comprá-lo, pousei-o de imediato sobre o topo dos tantos que tenho em espera e rapidamente o li. Como é que me sinto? No mínimo assoberbada. Que livro. Arrisquei e fui emocionalmente atropelada. O coração está comprimido sob forma de uma bola de trapos, mas inacreditavelmente feliz e em paz. O livro que eu tanto temia revelou-se uma ode ao amor paternal. À fé e à esperança. À imortalidade dos bons valores, da generosidade e da empatia, que nos fazem acreditar ser possível nascer e crescer de coração puro dentro de um mundo podre, cinzento, cheio de morte e vazio de luz. Como é que se consegue continuar em frente num mundo onde já nada resta? O que é que nos move? Qual é o motor que nos mantém em pé e impulsiona a andar? São estas as questões fundamentais que este livro nos apresenta.

A Estrada

Abilio Pereira

Simplesmente fenomenal. Só é pena não podermos contar com mais obras do Cormac McCarthy. Paz à sua alma.

Uma obra que nos prende.

João Mendes

Um livro negro, mas ao mesmo tempo comovente, num cenário apocalítico e que relata os limites da sobrevivência.

O melhor da literatura americana

Rui Teixeira

No seu romance paradigmático, McCarthy insere o leitor numa das obras marcantes da literatura contemporânea. Com uma profundidade temática assinalável, esta é uma tradução na senda das excelentes produções disponibilizadas pela editora de referência Relógio D'Água.

Boa história

Miguel Santos

Uma boa história sobre um pai, o seu filho e a busca pelo desconhecido. Um livro curto e bem escrito, que se lê com facilidade.

Emocionante

David

Uma viagem de um pai e filho num mundo apocalíptico. Emocionante e bem escrito, este livro faz-nos passar por estados de espírito onde nós próprios sentimos a importância das pessoas mais importantes da nossa vida. Recomendado.

ABOUT THE AUTHOR

Cormac McCarthy

Cormac McCarthy (nascido Charles Joseph McCarthy Jr.,Rhode Island, 20 de julho de 1933 – Santa Fé, 13 de junho de 2023). Estudou na Universidade do Tennessee, que deixou para ingressar na Força Aérea.
Viveu em Santa Fé, no sul dos Estados Unidos, com a mulher e o filho. É autor de nove romances. Na Relógio D’Água tem publicados O Filho de Deus, O Guarda do Pomar e Meridiano de Sangue.
O seu romance preferido era Moby Dick, de Herman Melville.
Recebeu o Prémio Pulitzer em 2007.

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