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Cavaleiro Andante eBook

by Almeida Faria
Book eBook
Publisher: Assírio & Alvim, April of 2015 ‧
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De Lisboa ao Alentejo, de Roma e Milão a Veneza, de São Paulo ao Rio de Janeiro, de Pula a Luanda, de uma onírica ilha de Madagáscar a um imaginário Comboio Fantasma, da Aldeia Aérea a uma viagem ao Centro da Terra, as figuras já conhecidas dos leitores de «A Paixão», de «Cortes» e «Lusitânia» vagueiam, viajam, divagam em secretas demandas entre delírio e lucidez, entre ilusões e desejos, desilusões e novos desejos, nas incertezas e nos riscos de mil novecentos e setenta e cinco, durante apenas dois meses mas dois meses decisivos, divididos entre a esperança e o perigo. Esta nova edição inclui uma carta escrita por João Carlos a Marta, dez anos depois, e um novíssimo e-mail de Marta a João Carlos, com data de 1 de janeiro de 2015.

Cavaleiro Andante

by Almeida Faria

Property Description
ISBN: 978-972-37-1820-1
Publisher: Assírio & Alvim
Release Date: April of 2015
Language: Portuguese
Pages: 384
Format: eBook
File Format and Compatibility:
Collection: A Phala
Categories: eBooks in Portuguese > Fiction > Other Literary Forms
eBooks in Portuguese > Fiction > Epistles and Letters
Recommended Minimum Age: Not applicable

Um rasgo de criatividade, um abanão literário

TeresaC

Encontrar um tão bom escritor português, para mim ainda desconhecido, embora já com anos e anos de obra publicada, é sempre um momento agridoce. Amargo por pensar: “Onde raio tenho eu andado?! O que raio tenho eu andado a fazer da minha vida!”. Doce por ter chegado ainda a tempo de maravilhar-me e deliciar-me com os seus livros… E julgo que este meu sentimento (em certa medida de culpa…) tem toda a razão de ser, já que os seus livros foram traduzidos para as mais variadas línguas, como a sueca e a holandesa, por exemplo, o que me leva a crer na possibilidade de estar, eventualmente, perante um escritor mais conhecido lá fora do que cá. Será? Ora, Almeida Faria é um desses casos, uma dessas felizes e apaixonantes descobertas, tanto que em muito pouco tempo li de rajada a tetralogia Lusitana, inicialmente trilogia, da qual faziam parte A Paixão, Cortes e Lusitânia, escritos entre as décadas de 60 e 70, surgindo mais tarde, em 83, Cavaleiro Andante, formando assim a Lusitana. A este último foram ainda acrescentados, já em 2015, após nova revisão, uma carta e um email. Os livros devem ser lidos pela sua ordem de publicação, através da qual vamos assistindo à história de cada um dos elementos de uma família abastada do Alentejo, que vê a sua vida abalroada pelo 25 de Abril, enquanto, em pano de fundo, vamos percebendo o que foi acontecendo, aos níveis político, social, educativo e económico, a uma sociedade que ainda não sabe onde e como pisar o chão de um país em transição. Um país ainda hesitante e desorientado... Com o passar dos volumes e a par do decorrer dos acontecimentos, vai havendo também uma transformação na escrita. Inicialmente nem sempre muito clara, fazendo-me por vezes sentir perdida no meio de uma narrativa algo nebulosa, morando na consciência de cada personagem, sem que conseguisse no imediato distinguir entre o real, o sonhado e o imaginado, esse véu acaba por se ir desvanecendo, atenuando-se até praticamente desaparecer. A escrita é lindíssima, marcante, original e de uma enorme maturidade, com muitos momentos de angústia, solidão e incompreensão, e com alguns (poucos) apontamentos de humor entre o negro e o cínico.

ABOUT THE AUTHOR

Almeida Faria

Cursou Direito e Letras na Universidade de Lisboa, vindo a licenciar-se em Filosofia. Entre 1968 e 1969, estagiou como bolseiro nos Estados Unidos e na Alemanha Federal. Lecionou Estética e Filosofia da Arte na Universidade Nova de Lisboa.
Traduziu Enzensberger; a sua obra encontra-se traduzida em várias línguas. Foi o primeiro presidente do PEN Clube Português. Com apenas 19 anos, em 1962, publicou o romance Rumor Branco, Prémio Revelação da Sociedade Portuguesa de Escritores, uma obra pioneira face a um movimento de profunda renovação desenvolvido na novelística contemporânea portuguesa entre os anos 60 e 70. Entre 1965 e 1983 redigiu o ciclo "Trilogia Lusitana" (A Paixão, Cortes, Lusitânia), encerrado com Cavaleiro Andante, "um ciclo de reflexão sobre a situação do homem português perante o seu contexto social e a incidência política que o determina (o fascismo, a revolução...) e sobre a sua capacidade (ou, talvez melhor, incapacidade) de se definir na sua totalidade humana (pessoal, familiar, erótica, ambiencial), em registos de comunicação que transcendem o puramente ficcional (lírico e epistolar), assim modulado numa estrutura que coloca em situação de relevo a personagem, agente ou paciente da História que aqui fundamentalmente se encontra em questão" (cf. SEIXO, Maria Alzira - Portugal, A Terra e o Homem, II série, Lisboa, FCG, 1980, 427). Optando por uma estratégia construtiva em que cada capítulo funciona como "uma unidade textual em termos de semântica (um nome próprio inicia cada um deles, subsequentemente desdobrando-se em processos de definição e de referência, assumindo veredas da história e postulando visões ideológicas particularizadas) e de sintaxe (não só pela comunicação de ideoletos diversificados como pelas mutações discursivas [...] que imprimem à sequência narrativa o seu desvio, a sua mutação, a sua quebra)" (cf. SEIXO, Maria Alzira - A Palavra do Romance, Lisboa, Horizonte, p. 193), o ciclo de romances iniciado com A Paixão impõe ao leitor um papel ativo na reconstituição de uma realidade fragmentada e a que só pode aceder pelo confronto dos vários pontos de vista que cada personagem parcialmente constrói. Conseguindo uma fabulosa interseção entre a subjetividade (o onirismo, a visão individualizada do mundo) e a perspetiva socioeconómica em cuja dialética a ação do indivíduo se inscreve, esta sequência apresenta-se como registo íntimo de um período histórico, onde, para além da factualidade (sublevação da massa dos servos alentejanos, eclodir da revolução), avoluma a impressão de um encerramento de cada personagem sobre si mesma, que nem a abertura, em Lusitânia e Cavaleiro Andante, à comunicabilidade pelo registo epistolar conseguiu atenuar: "cada um dos personagens [...] apesar de religado aos outros pelos laços de paixão ou do sangue, destila as suas mensagens de solitude na esperança de que o outro as receba e as traduza na sua própria língua de solitária aflição." (LOURENÇO, Eduardo, "Cavaleiro Andante: Busca de Sinais no Labirinto da Morte", in O Canto do Signo, Lisboa, Presença, 1994, p. 239.) Acresce ainda, na abordagem do estilo de Almeida Faria, a opção lúdica e lírica por uma "sintaxe narrativa de coordenação e quase abolição dos limites frásicos que serve a expressão do fluxo da consciência ao mesmo tempo que, muito principalmente, acentua o valor da palavra como conceito e como significante numa elaboração sintagmática que desnivela as habituais hierarquias da narração" (cf. SEIXO, Maria Alzira - Portugal, A Terra e o Homem, II série, Lisboa, FCG, 1980, 427). Na verdade, se a matéria da ficção releva em grande medida do gozo de "pôr os mitos nacionais de pernas para o ar", desrespeitar os delírios da "Portugalidade" (entrevista, in Letras & Letras, n.º 75, Julho de 1992), a matéria linguística revela o gozo de, parodiando o autor, desrespeitar os delírios da literariedade, submetendo a escrita narrativa a uma proliferação verbal incontida e criativa que, através de processos de polissemia, de desconstrução de aforismos, de sequências aliterantes, de reprodução de ideoletos, entre outros, promove a autonomia da linguagem a força primordial na remodelação da estrutura narrativa.

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