Sara Duarte Brandão

Sara Duarte Brandão nasceu no Porto em 1997, com um pé na Beira Baixa e outro em Arouca, onde teve a sorte de ter avós. Licenciada em Design de Comunicação e Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes, é Facilitadora em Criação Artística Comunitária e doutoranda em Ciências da Educação com uma bolsa da FCT. Recebeu o Prémio Literário Nortear com o conto (Ver). Cofundou a Truz Truz Editora (2020), onde é designer e autora, e a sua obra CriÁrvore (2022) foi recomendada pelo Plano Nacional de Leitura. Publicou o livro Descolonizar o Sujeito Poético (2023) na Editora Urutau, que recebeu uma Menção Honrosa no Prémio Glória de Sant’Anna (2024) e foi finalista da Mostra Nacional Jovens Criadores – Literatura (2024). O seu romance Quem Tem Medo dos Santos da Casa foi galardoado com o Prémio Literário Cidade de Almada – Romance (2023). Foi a vencedora da 2.ª edição do Prémio Wook Novos Autores (2025) tendo o júri destacada a forma como «revisita e transfigura os lugares-comuns da língua, atribuindo-lhes novos sentidos, com uma destreza reveladora de um invulgar talento literário». Integra projetos que cruzam várias áreas artísticas como o teatro, as artes plásticas e a literatura. Faz tricô e prefere embalar males a cantar em vez de os espantar. Escreve por amor e teimosia e já não sabe distinguir acordos ortográficos.

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  • MINI-ENTREVISTA A SARA DUARTE BRANDÃO

    Sara Duarte Brandão (Porto, 1997) é licenciada em Design de Comunicação, Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes e doutoranda em Ciências da Educação. Cofundou a Truz Truz Editora e integra projetos que cruzam várias áreas artísticas. O seu romance Quem Tem Medo dos Santos da Casa foi galardoado com o Prémio Literário Cidade de Almada.
    Maria Teresa cresceu numa vila piscatória entre a austeridade familiar e a liberdade encontrada nos livros. Condenada a viver à sombra do que o pai e o marido sonharam para ela, parte em busca da emancipação. Hoje, a tecer tapetes, é considerada uma bruxa que assusta crianças, mas é numa amizade improvável com Joana que encontra a sua redenção. Um romance inspirado na história dos santos do escultor Altino Maia, retirados da Igreja de São Pedro da Afurada.

    Citação: «Na verdade, tudo o que escrevo e o que apago é um passo dado. Para onde não sei, mas também pouco interessa.» Sara Duarte Brandão Como surgiu a ideia para este livro?
    Este livro é inspirado num acontecimento sucedido com as figuras religiosas de Altino Maia, esculpidas para a Igreja Paroquial de São Pedro da Afurada. Assim que me deparei com essa história — na FLUP, em Imagem e Contexto I —, senti uma necessidade imediata de construir um enredo em torno da Maria Teresa, uma personagem a quem já queria dar vida, mas que, até então, ainda não tinha um contexto.

    Tem uma rotina de escrita?
    As minhas rotinas de escrita variam com o projeto que tiver em mãos. Muitas vezes, infelizmente nem existem. Contudo, há mais de 77 semanas que troco um poema semanal — correspondente a um tema por nós escolhido —, com a poeta e amiga Daniela Frias Guerra. Como lida com um bloqueio criativo?
    Abandono o texto que me está a causar esse “bloqueio” por tempo indeterminado e procuro abraços de pessoas recetivas a aturar as minhas neuras. Com alguma distância, aceito que as obras têm tanto direito quanto eu a precisar de pausas e que algumas delas podem ser definitivas. Na verdade, tudo o que escrevo e o que apago é um passo dado. Para onde não sei, mas também pouco interessa.

    Qual é a pior e a melhor parte de ser escritor?
    Esse ato que de tão belo é louco, e vice-versa: escrever. Há algum tema sobre o qual não goste de ler ou escrever?
    Acho que não, embora não seja o público-alvo dos livros de dicas para a vida, talvez por não querer ser confrontada com os meus hábitos menos positivos...

    Se pudesse partilhar um jantar com qualquer autor (vivo ou morto), quem escolheria?
    Também porque escolhi o seu nome para a personagem principal do meu primeiro e único romance, hoje tenho de escolher a Maria Teresa Horta. Mas são muitos os autores e autoras com quem gostaria de jantar, tinha de se organizar o tal churrasco dos poetas em Portugal proposto, creio eu, pelo Manuel António Pina.

    Qual o livro que já devia ter lido e ainda não leu?
    Essa é uma lista sempre muito mais extensa do que a dos livros que efetivamente já li e vou lendo. Não a partilhando na íntegra, alguns que tenho na estante com pena de ainda não terem sido devorados são: Obra Poética, da Sophia de Mello Breyner Andresen; Obra Breve, de Fiama Hasse Pais Brandão; os dois volumos d’O Segundo Sexo, da Simone de Beauvoir; Calibã e a Bruxa, da Silvia Federici. E depois há aqueles que ainda nem foram folheados, como A Divina Comédia, do Dante e o O Nome da Rosa, do Umberto Eco, entre muitos que ficam por dizer.

    Qual o livro que mais a marcou até hoje?
    Depende do “hoje”. Diria que há muitos livros, depende sempre de qual das Saras do passado é que contemplo num momento específico. Com medo de me entristecer no futuro por não ter mencionado o livro x ou y, digo apenas que A Maior Flor do Mundo, do Saramago, ainda hoje cresce comigo.

    Qual foi o último livro que ofereceu?
    Caruncho, da Layla Martínez.

  • À CONVERSA COM SARA DUARTE BRANDÃO [VÍDEO]

    Sara Duarte Brandão é a vencedora do Prémio Wook Novos Autores 2025, com o seu primeiro romance, Quem Tem Medo dos Santos da Casa.
    Em entrevista ao Wookacontece, a jovem autora nascida em 1997 e formada em Design de Comunicação e Estudos Literários, revela como a obra nasceu do encontro entre palavras e imagens, da comoção diante das figuras de Altino Maia e da necessidade de criar Maria Teresa — uma mulher que desobedece para existir.
    A escritora fala do medo do desconhecido, das comunidades que se fecham para não ver, e da coragem íntima que move as suas personagens, numa narrativa onde o amor, a tragédia e a arte se tocam, e onde cada leitura reescreve o que ficou dito.

    À conversa com Sara Duarte Brandão, uma entrevista exclusiva do Wookacontece.

  • SARA DUARTE BRANDÃO É A VENCEDORA DO PRÉMIO WOOK NOVOS AUTORES 2025

    Da esquerda para a direita: Rui Aragão, diretor da WOOK, Rui Couceiro, presidente do júri do prémio, Sara Duarte Brandão (vencedora) e Maria do Rosário Pedreira (editora da D. Quixote) Sara Duarte Brandão é a vencedora do Prémio WOOK Novos Autores 2025, com o romance Quem Tem Medo dos Santos da Casa, por escolha unânime do júri. A obra, que marca a estreia da autora na ficção, revela um talento literário singular, que vai de encontro ao compromisso da WOOK com a descoberta e o destaque de novos autores, através da divulgação de obras que ilustrem a diversidade, a criatividade e a qualidade da produção literária em língua portuguesa.

    Durante a gala, que teve lugar ontem, 29 de janeiro, no Teatro Thalia em Lisboa, a autora referiu que o livro, inspirado na história dos santos do escultor Altino Maia, retirados da Igreja de São Pedro da Afurada, «é dedicado a muitas mulheres que durante muito tempo não conseguiram ser aquilo que queriam». O presidente do júri, o escritor Rui Couceiro, destacou a exuberância da obra, que «afirma claramente a existência de uma voz», sublinhando a maturidade e poeticidade da sua linguagem.

    Quem Tem Medo dos Santos da Casa conta a história de Maria Teresa, que cresceu numa vila piscatória entre a austeridade familiar e a liberdade encontrada nos livros. Condenada a viver à sombra do que o pai e o marido sonharam para ela, parte em busca da emancipação. Hoje, a tecer tapetes, é considerada uma bruxa que assusta crianças, mas é numa amizade improvável com Joana que encontrará a sua redenção.
    Na nota do júri, pode ler-se que esta «é uma obra que cruza habilmente o íntimo e o coletivo. A estruturação da narrativa furta-se ao convencional e o trabalho de linguagem evidencia uma sensibilidade poética que ilumina o quotidiano. Sara Duarte Brandão revisita e transfigura os lugares-comuns da língua, atribuindo-lhes novos sentidos, com uma destreza reveladora de um invulgar talento literário.»

    Nascida no Porto em 1997, a jovem escritora é licenciada em Design de Comunicação, Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes e doutoranda em Ciências da Educação. Cofundadora da Truz Truz Editora, recebeu em 2023 o Prémio Literário Cidade de Almada pelo livro agora distinguido pela WOOK; venceu o Prémio Literário NORTEAR pelo conto Ver, recebeu uma Menção Honrosa no Prémio Glória de Sant’Anna em 2024 pelo seu livro de poesia Descolonizar o Sujeito Poético, e foi finalista da Mostra Nacional Jovens Criadores – Literatura, no mesmo ano.

    A cerimónia de entrega do prémio reuniu autores, editores, agentes literários e parceiros da WOOK. Além de Sara Duarte Brandão, entre os finalistas ao prémio estavam Ana da Cunha, com Sodade; Ana Cláudia Santos, com Lavores de Ana; Dulce de Souza Gonçalves, com O Processo; Josefa de Maltezinho, com Elisa; e Nuno Duarte, com Pés de Barro.

    Maria do Rosário Pedreira, editora da D. Quixote, que publicou o livro premiado, assinalou o facto de «haver um grupo de finalistas com uma presença feminina tão marcada, caso raro no panorama literário português», tendo Rui Couceiro elogiado a «elevada qualidade» dos mesmos. Para Rui Aragão, diretor da WOOK, «cada uma destas obras afirma uma voz própria e um percurso que merece atenção», realçando que a literatura se renova quando encontra espaço para novas vozes e novos olhares, missão à qual o Prémio WOOK Novos autores se dedica.

    Na 1ª Edição do Prémio WOOK Novos Autores, em 2024, o vencedor foi João Pedro Vala, com o romance Campo Pequeno.

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